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| Que é pior: o fundamentalismo islâmico ou o indiferentismo ocidental? |
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| Análises | |
| Seg, 25 de Janeiro de 2010 22:15 | |
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Vejam só, o mundo muçulmano pegando fogo pelas charges que um jornaleco dinamarquês publicou de Maomé. O jornaleco é pagão, a Dinamarca é de tradição protestante secularizada, e o mundo muçulmano acha que o Ocidente todo é cristão e o chefe de todos os cristãos é o Papa. Sobrou para Bento XVI. Um jornal muçulmano o representou com a cabeça de porco – a maior ofensa para um árabe. Que o Santo Padre tenha cuidado, pois pode sofrer um atentado!
Mas, a questão é outra, muito mais grave. Vejamos um pouco: (1) Há cerca de duas semanas, um programa humorístico espanhol apresentou alguém jogando um crucifixo numa panela fervendo, num tom de claro deboche. Ninguém protestou; ficou por isso mesmo. Lembram da Última Tentação de Cristo e de Je vous salue Marie? Dois filmes blasfemos, ofensivos aos cristãos... Ficou por isso mesmo. Lembram do Código da Vinci, aquela mediocridade literária transformada em sucesso absoluto? Ficou por isso mesmo! O Cardeal de Florença, Tarcísio Bertone, organizou um estudo sobre o livro e foi criticado como intolerante... Respondam rapindinho: O que é pior? O que é mais vergonhoso? O que é mais aberrante: O fanatismo fundamentalista dos muçulmanos ou a total indiferença atéia ou agnóstica do Ocidente pós-cristão? O que é pior: Os governos dos países muçulmanos, que usam a religião para alimentar o fanatismo ou os governos do Ocidente democrático e laicista, que usam a liberdade de consciência e de imprensa para combater qualquer expressão religiosa, incentivando, ao invés, o paganismo e o indiferentismo? Perguntas difíceis de responder, não é? (2) Recentemente o Parlamento Europeu decretou que é crime contra os diretos humanos não permitir o casamento gay. Mas não é crime o aborto, não é crime difamar e desrespeitar a religião dos outros. Defendem-se os que desrespeitam seja o islamismo seja o cristianismo, mas, na Suécia, condenou-se um pastor protestante à prisão e à multa porque ele disse que a Escritura não aprova a homossexualidade. Na Inglaterra, um professor foi censurado porque disse às crianças que Papai Noel não existe... Que pensar de uma sociedade como a nossa, ocidental: uma sociedade que renega seus valores, que inverte a ordem das coisas, que mata toda a tradição religiosa cristã que a plasmou? Poderá uma sociedade sobreviver quando renega sua matriz cultural? Poderão seus valores sobreviver, quando corta o contato com a fonte que os inspirou e os gerou? Perguntas inquietantes... (3) Vamos lá, caro e paciente Leitor! Responda ligeirinho: por que foi a sociedade ocidental, e não outra qualquer, que desenvolveu a tecnologia a ponto de dominar a natureza? Por que foi a sociedade ocidental que se impôs culturalmente (para o bem e para o mal) ao mundo todo? Por que foi a sociedade ocidental que desenvolveu o conceito de direitos humanos e de pessoa? Reposta: porque o Ocidente foi plasmado pelo cristianismo, foi gerado culturalmente pela Igreja. Foi da Igreja católica que o Ocidente aprendeu que a história não é um eterno retorno, mas tende a um futuro aberto, e o homem deve arregaçar as mangas e construir seu próprio destino em parceria com Deus; foi da Igreja que o homem ocidental aprendeu o conceito de pessoa. Esse conceito não existia entre os pagãos! Nas sociedades clássicas, hoje tão endeusadas, o homem, se não pertencesse à classe dominante, era apenas uma coisa. Foi do judeu-cristianismo que o Ocidente aprendeu as idéias de liberdade, igualdade e fraternidade. Agora, tudo isso é louvado, mas de modo desligado de sua fonte: a consciência de que o homem é aberto à Transcendência, um ser criado por Deus e para Deus em Cristo Jesus. Ora, com a perda dessa consciência, esses valores, cedo ou tarde, perecerão! (4) Assim, o Ocidente caminha para a ruína! Ou o Ocidente volta a Cristo ou se perderá. Por um lado, destruído pelos muçulmanos (a Europa está envelhecendo, pois, por puro egoísmo, ninguém mais quer ter filhos e os muçulmanos estão se multiplicando) e, por outro, destruído por dentro: quando já não mais há valores, quando o relativismo e o egoísmo prevalecem, cria-se o caldo propício às tiranias, às ditaduras e aos sistemas desumanos... Quem viver, verá. Qual o papel da Igreja nesse contexto? Ser luz; ser sal! Precisamos de uma Igreja que não tenha medo de viver profundamente sua identidade, uma Igreja que não tema professar integralmente sua fé, com todas as suas exigências, uma Igreja que tenha a coragem de, por Cristo, ir contra a corrente. Por outro lado, uma Igreja que saiba dialogar com o mundo. Dialogar não é ceder; dialogar é amar, é levar o outro a sério, mas consciente da própria identidade e da própria verdade. Só assim á Igreja será crível. Amor – eis o verdadeiro nome do diálogo. Verdade – eis o verdadeiro nome do respeito pelo outro! Pense nisso, caro internauta, e comece a praticar no meio onde você vive!
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| Última atualização em Qua, 10 de Fevereiro de 2010 07:50 |
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