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| Não se negocia o Tesouro |
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| Análises |
| Qui, 11 de Fevereiro de 2010 06:50 |
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Recentemente o ex-teólogo católico Hans Küng escreveu: “As missas oceânicas do Papa anterior (João Paulo II), por quanto bem organizadas e eficazes nos meios de comunicação, não conseguiram esconder o fato que as coisas não estão bem para a Igreja. Há um profundo abismo entre o que a hierarquia ordena e aquilo em que os membros da Igreja acreditam de verdade; um abismo que se reflete na maneira como esses vivem. A freqüência às igrejas está em declínio, como também os casamentos religiosos. A prática da confissão desapareceu na maior parte dos países ocidentais. As paróquias sem sacerdotes aumentam e faltam os substitutos”.
Que pensar da avaliação do Pe. Küng, eterno crítico do Vaticano e inconformado com a Igreja? É verdade que diminui o número de católicos praticantes na Europa e em partes do mundo cristão rico; é verdade também que o número de padres tem diminuído muito nos países europeus e que, de modo geral, o Velho Mundo vai se tornando pós-cristão... Segundo Küng, a culpa é da Igreja – de modo especial de João Paulo II e, agora, certamente, de Bento XVI. A Igreja não saberia compreender o mundo, insistindo no celibato dos padres, no matrimônio indissolúvel, na condenação ao aborto, na condenação às relações pré-metrimoniais, na não admissão de mulheres ao sacerdócio, na condenação das uniões homossexuais, na manutenção dos dogmas tradicionais... Küng é inteligente e culto. Mas, coitado, é um eterno iludido... Ele não compreende que a Europa volta as costas para a Igreja porque volta as costas para Cristo. O mundo ocidental, fundado hoje numa sociedade de mentalidade imanentista, adoradora do bem-estar e do prazer, não compreende nem deseja compreender a linguagem da cruz. É interessante que os protestantes do centro-norte da Europa têm posto em prática toda essa secularização pagã que Küng gostaria de ver na Igreja: têm pastoras, seus fiéis gays se casam nos templos, o divórcio impera, os contraceptivos são amplamente aprovados... e, no entanto, as igrejas protestantes estão entregues às moscas... Todo centro-norte europeu é praticamente sem religião... Mas Küng faz de conta que não vê isso... A Igreja precisa sempre se converter, sim. Mas, não ao mundo pagão. A conversão da Igreja deverá ser sempre mais a Cristo, com todas as suas exigências. Somente assim ela será sal e luz. Não são uma doutrina e uma moral feitas sob medida para o mundo que prestarão um serviço à humanidade! Uma Igreja sob medida não serveria para mais nada a não ser para ser jogada fora e pisada pelos homens! A verdade é Cristo – e é o homem quem deve converter-se a ele, não ele ao homem. Os primeiros cristãos encantaram o mundo não facilitando as coisas, mas crendo no Senhor e amando-o de todo o coração, até a morte quando preciso. Penso, sinceramente, que o caminho que a Igreja deve percorrer é exatamente o oposto daquilo que Hans Küng propõe. Sonho com uma Igreja cada vez mais fascinada por Cristo, que apresente o escândalo do seu Evangelho sem medo nem meias palavras. Sonho com uma Igreja de cristãos que não tenham medo de ser diferentes, de viver radicalmente na Palavra do Senhor e na fidelidade à sua Igreja. Seremos, certamente, minoria. .. aquele pequeno rebanho que servirá de luz, sal e referencial para o mundo. No nosso meio podemos ver isso claramente: o futuro da Igreja não está em multidões descomprometidas, mas naquelas comunidades pequenas mas fervorosas, dispostas à santa loucura por Cristo – a loucura dos santos, a loucura do amor. E só o amor encanta, só o amor faz os santos, só o amor merece fé! E os demais, que não aceitam um Evangelho assim? Entreguemo-los à misericórdia de Deus, que tem seus caminhos, como Jesus entregou o jovem rico, deixando-o ir embora livremente por não aceitar suas exigências. A nós, o Senhor dirá sempre: “Vós também quereis ir embora?” Uma coisa é certa: o Evangelho não está para negócio. Não se negocia o tesouro de grande valor. Artigos Relacionados: |
| Última atualização em Seg, 22 de Fevereiro de 2010 22:20 |
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