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| Um Bispo para a Igreja |
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| Dom, 28 de Dezembro de 2008 14:54 |
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Cônego Henrique Soares da Costa
Neste hoje, 7 de outubro, será consagrado Bispo o Dom Frei Severino Batista de França, frade capuchinho conhecido dos maceioenses. Uma ordenação episcopal é sempre um imenso dom de Deus para a sua Igreja. Os Bispos são os sucessores daqueles primeiros auxiliares dos Apóstolos, aqueles aos quais os Doze primeiros confiaram a missão de apascentar o rebanho de Cristo, pregar-lhe o Evangelho e santificá-lo pelos sacramentos. Já no Novo Testamento vê-se claramente esta sucessão acontecendo: ao lado daqueles Doze primeiros e de Paulo, aparecem Barnabé, Silas, Timóteo, Tito, Clemente, Lucas, João Marcos e outros... Pela imposição das mãos e a oração, os Apóstolos transmitiram sua missão aos seus auxiliares e sucessores. Esta cadeia de testemunhas com a autoridade apostólica não se esfacelou nem desapareceu na Igreja; não se desgastou com o tempo; ela perdura, íntegra pela graça de Cristo, na sucessão ininterrupta dos Bispos. Já no século II, Santo Irineu, discípulo de São Policarpo, que foi discípulo de São João Evangelista, diante de tantos que se diziam cristãos e apresentavam doutrinas a seu modo, a seu bel prazer, em desacordo com a Tradição apostólica, recordava a necessidade absoluta para um cristão de estar em comunhão com os Bispos legitimamente ordenados, verdadeiros herdeiros da fé e da tradição dos apóstolos. Ele se exprimia assim, na sua obra Contra as Heresias: “A Tradição dos apóstolos, que foi manifestada no mundo inteiro, pode ser descoberta em toda Igreja por todos os que queiram ver a verdade. Poderíamos enumerar aqui os bispos que foram estabelecidos nas Igrejas pelos apóstolos e os seus sucessores até nós; e eles nunca ensinaram nem conheceram nada que se parecesse com o que essa gente vai delirando”. Que se veja bem: este princípio é importantíssimo para os cristãos: a fé apostólica é transmitida na Igreja de modo particular pela sucessão apostólica dos Bispos, a quem o Senhor, desde o princípio, constituiu pastores e mestres na Igreja, dando-lhes a assistência do Espírito Santo. A fé cristã não é um delírio a gosto do freguês, mas a continuidade viva da fé e da prática que vêm dos Apóstolos. Ora, os Bispos, em comunhão com o Bispo de Roma, são os primeiros guardiães deste tesouro. Ainda o mesmo Santo Irineu fez questão de mostrar como a sucessão era real, concreta e ininterrupta, desde os Apóstolos até à sua época. Escutemo-lo mais uma vez: “Visto que seria coisa bastante longa elencar, numa obra como esta, as sucessões de todas as Igrejas (dioceses), limitar-nos-emos à maior e mais antiga e conhecida por todos, à Igreja fundada e constituída em Roma, pelos gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo e, indicando a sua Tradição recebida dos Apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelas sucessões dos Bispos, refutaremos todos os que de alguma forma... se reúnem prescindindo de qualquer legitimidade. Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela (com a Igreja de Roma), por causa da sua origem mais excelente, toda a Igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos”. Que o(a) leitor(a) compreenda, portanto, o quanto é importante para os cristãos a sucessão apostólica e, especificamente, o ministério episcopal. Na sua Igreja local – quer dizer, na sua diocese -, o Bispo é vigário do próprio Cristo, é aquele que, auxiliado pelos presbíteros (os padres) e os diáconos, reúne em torno de si o rebanho para escutar a Palavra de Deus, pregada segundo a Tradição apostólica e para celebrar a Santa Eucaristia. O Bispo deve ser o primeiro a procurar testemunhar com a própria vida o Evangelho de Cristo, ajudando seu rebanho a testemunhá-lo também. Ao consagrar um novo Bispo, a Igreja recorda-lhe que “o Episcopado é um serviço e não uma honra, e o Bispo deve distinguir-se mais pelo serviço prestado que pelas honrarias recebidas. Conforme o preceito do Senhor, aquele que é maior seja como o menor, e aquele que preside, como o que serve”. Por tudo isso, somos gratos a Deus por mais um Bispo. Apresentado ao Senhor pela Igreja, Dom Frei Severino foi consagrado no Sacramento da Ordem com o Espírito Santo do Cristo Jesus e colocado para sempre na sucessão que vem dos Apóstolos. Num mundo de tantos caminhos, de tantas verdadezinhas, onde tudo tem cidadania e tudo parece ter o mesmo valor de nada, uma Ordenação episcopal, como a que ontem ocorreu, renova nos cristãos a certeza de que Cristo não abandona jamais a sua Igreja. Ele estará sempre conosco, nos bons e nos maus momentos, até a consumação dos séculos. Aqui, não se trata de considerações humanas, de esperteza humana, de eficiência organizacional humana, mas unicamente da fidelidade do Senhor, que prometeu permanecer para sempre conosco, de modo invisível pela potência do seu Espírito, que age sempre na Palavra e nos Sacramentos e, visivelmente, pelos pastores de sua Igreja, de modo especial os Bispos ordenados legitimamente e que, pela graça de Deus, permanecem em comunhão com o Bispo de Roma e Sucessor de Pedro. Que Deus guie os passos do caro Dom Frei Severino, que irá desempenhar seu novo ministério nas longínquas terras de Santarém, no Pará. O Senhor, que o guiou pelas terras nordestinas, esteja com ele também no distante Norte do Brasil. Artigos Relacionados: |
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