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| João Paulo II Magno |
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| Artigos |
| Sáb, 02 de Maio de 2009 21:26 |
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Côn. Henrique Soares da Costa
Partiu João Paulo II, agora chamado o Magno, o Grande. Não partiu para um além desconhecido; não viajou para o “outro lado”, para um “plano superior” nebuloso e incerto... Partiu para um destino bem definido, bem certo, bem seguro, prometido pelo Único que podia prometer, o Único que pode dizer “Eu sou a Ressurreição! Eu sou a Vida!” O Papa partiu para estar com Cristo, o Salvador da humanidade. Agora, o Santo Padre contempla Aquele que foi a paixão, o anelo, o compromisso e a razão única da sua peregrinação neste mundo. Nunca mais veremos este Papa nesta terra de peregrinação. Ficarão somente – e já é tanto! – a sua história, a sua palavra, o seu exemplo luminoso, a sua coerência retilínea, a sua vida e a sua morte vividas com uma responsabilidade, com uma maturidade, com uma profundidade que nos deixaram fascinados, confusos, edificados. Partiu João Paulo, mas ficou na História e ficará como Magno – o terceiro papa nos dois mil anos de cristianismo a ser honrado com este título... Mas, donde vem a grandeza de João Paulo Magno? Vem de uma fonte só: Jesus Cristo. Não estou fazendo uma afirmação arrumadinha, devota, engomada e óbvia. Estou fazendo uma análise séria e realista. João Paulo II Magno, cristão, professor de ética e doutor em teologia, era um homem profundamente sensível às questões ligadas ao sentido da vida, à busca da razão profunda das coisas. Era visceralmente, por natureza, um convicto humanista. E em Jesus Cristo ele encontrou o eixo que deu sentido e direção à sua existência e à sua busca e marcou todas as suas opções na vida e toda sua interpretação da realidade. Recordo somente duas palavras do Papa que demonstram tal coisa. Primeiro, sua palavra na Missa de início do seu pontificado: “Não tenhais medo de abrir as portas para Jesus Cristo. Abri, escancarai as portas para Jesus! Só Jesus sabe o que há no coração do homem!” Que frase, que percepção: só Jesus sabe o que há no coração do homem! Só em Jesus as verdadeiras sedes, os verdadeiros desideratos do homem são saciados e a humanidade encontrará paz duradoura! Daí brotou sempre a postura do Papa: a defesa intransigente dos valores do Evangelho, sem temer ser incompreendido pelo mundo: porque não são o pensamento da moda, a coqueluche do momento que satisfazem realmente o vazio e a sede do coração humano! Só Jesus pode saciá-lo porque só Jesus o conhece! O mistério do homem somente se clarifica à luz do mistério do Cristo! Daí também sua paixão pelo homem, por sua dignidade! Esse homem a quem o Filho de Deus assumiu fazendo-se ele mesmo humano, esse homem amado pelo Pai, a ponto de enviar-lhe o seu Filho bendito, esse homem tantas vezes agredido e agressor, soberbo e humilhado... Nascia daqui, dessa percepção profunda, a defesa louca, apaixonada, absoluta pela vida humana: os pobres, os marginalizados, os perseguidos, os embriões humanos agredidos pela prática abortiva e pelos procedimentos “científicos” de uma Ciência desprovida de princípios éticos. Nascia dessa fonte o seu grito pela paz e contra todas as guerras e opressões. Daqui brotava o respeito profundo por qualquer ser humano, fosse qual fosse sua religião, sua ideologia. Respeitava a todos e a todos amou, não pelo que as pessoas faziam, mas pelo que as pessoas eram: imagem de Deus em Cristo Jesus, destinadas à eternidade. A segunda frase do Papa: aquela primeira, da sua primeira Encíclica: “O Redentor do Homem, Jesus Cristo, é o centro do cosmo e da história”. Como verdadeiro cristão, o Papa tudo interpretou a partir de Cristo. Sua visão da História humana não era simplesmente pragmática ou filosófica. Ele tinha uma perspectiva histórica fundada na fé em Cristo morto e ressuscitado. Por isso nunca perdeu a esperança: denunciando as maldades do nosso tempo, nunca perdeu de vista que o tempo caminha para a Eternidade de Cristo e, por isso, esperou contra toda esperança e a muitos encheu de esperança. Por isso também não teve medo de mandar publicar a Declaração Dominus Iesus que deixou tanto cristão de segunda categoria com dor de cotovelo. Sem medo, sem preocupação em ser politicamente correto, mas desejando ser evangelicamente fiel e verdadeiro, ele proclamou a nossa fé de sempre: só Jesus, nosso Deus, é o Salvador; só na Igreja católica subsiste a Igreja de Cristo. E esta convicção nunca o impediu de a todos acolher, a todos respeitar e em todos apreciar aquilo que era autenticamente humano. Foi esse apego absoluto e inegociável a Jesus Cristo que fez com que o Santo Padre corresse o mundo para anunciá-lo, para falar dele a todos os que encontrou na estrada de sua vida. Foi essa união com Jesus, união simples, direta, verdadeira, que o fez compreender não somente a História humana como um caminho para Cristo, mas também a sua própria história pessoal. Por isso ele jamais renunciaria (somente quem não compreendeu seu pensamento e sua mística poderia pensar numa bobagem dessas...) O Papa sabia que deveria completar em sua carne – na carne de sua vida – o mistério da cruz do Senhor. Não se pode ser cristão, não se pode ser padre ou bispo, não se pode ser Papa sem participar à sorte do seu Senhor, sem celebrar na carne da própria vida a morte e ressurreição celebrada sobre o Altar da Eucaristia! Tudo e só isso foi João Paulo. E foi tudo isso de um modo sincero, leal, reto, sem máscaras nem covardias. Eis! Terminou de modo emocionante o ducentésimo sexagésimo quarto pontificado da Igreja de Cristo. Quando do anúncio de sua morte, o povo aplaudiu na Praça de São Pedro. Como não aplaudir uma vida tão fecunda, culminada com uma morte que foi total entrega nas mãos do Redentor, dAquele que venceu a Morte e é o Senhor da Vida? O tempo vai passar, as gerações vão suceder-se, a distância no tempo fará ainda maior a obra desse Papa. Quanto a nós, poderemos, comovidos, contar, vaidosos, aos nossos descendentes, que tivemos a graça de viver nos dias de pontificado de São João Paulo, o Grande... Artigos Relacionados: |
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