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| “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!” (Lc 23,39) |
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| Artigos |
| Sáb, 27 de Dezembro de 2008 11:11 |
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Neste último Domingo do ano litúrgico, a Igreja celebra o Cristo Rei. Ele é Rei! Mas, como é difícil compreender o modo do reinado do Senhor Jesus! O grande engano é que pensamos no Cristo como um rei terreno, com os critérios terrenos: um rei pode tudo, um rei faz como quer, um rei é plenipotenciário! Ora, o modo do Cristo reinar é totalmente diverso. Para compreendermos bem o sentido desse título, seria bom recordar que a festa própria de Cristo Rei é o Domingo de Ramos: Cristo entra em Jerusalém montado num burrico, sinal de humildade e mansidão; entra para morrer e ressuscitar, entra para dar a vida. Assim, é na cruz que ele é reconhecido como rei: no titulus crucis, colocaram “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”! O reinado de Cristo é marcado pelo sinal da cruz: ele é um rei crucificado, é rei porque se deixa entregar, porque está disposto a entregar a vida por nós. O próprio evangelho da festa de Cristo Rei recorda isso! Então, seria um grave erro imaginar os reis humanos e, a partir deles, pensar no reinado de Cristo. Jesus rejeita claramente tal visão: “Sabeis que aqueles que vemos governar as nações as dominam, e os grandes as tiranizam. Entre vós não será assim: ao contrário, aquele que dentre vós quiser ser grande, seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dente vós, seja o servo de todos. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,42-45). Claramente, portanto, Cristo coloca-se como Rei numa outra dimensão, num outro sentido: ele dá a vida – este é o seu serviço. Daqui decorrem algumas considerações interessantes, oportunas para a nossa meditação: (1) Cristo exerce seu reinado no mundo, não como um trator que passa por cima, que impõe, triunfante, sua vontade sobre seus inimigos. Ainda hoje o Evangelho aparecerá como fraqueza e loucura de Deus, como um grãozinho de mostarda! Ainda hoje o Senhor proporá ao homem sua Palavra, mas respeitando a decisão humana de aceitar ou não! A fé, o Evangelho deverá sempre proposto, nunca imposto, nunca suposto! A Igreja, serva e discípula do Cristo Rei, deverá prestar sempre o humilde serviço do Evangelho, sem empáfia, sem impor, sem supor que o mundo já está evangelizado! É necessário “re-partir”, recomeçar, humildemente, como se fosse a primeira vez! (2) Deste modo de reinar de Cristo, podemos compreender também o modo de ver e avaliar o mal e o pecado do mundo. Por que o Senhor permite? Por que não destrói os ímpios e elimina o mal? Ele não é Rei? Ele não pode tudo? Por que parece que seu Reino é um reinado de nada? O que reina hoje? A corrupção, a prepotência, o capitalismo cego, as bolsas de valores, a imoralidade, as drogas, o ateísmo! Ora, Cristo é Rei precisamente porque deixou-se crucificar para não ferir nossa liberdade. Cristo é Senhor de tudo, mas seu senhorio é onipotente, não prepotente! Ele respeitará sempre nossa liberdade, nossa decisão de acolher ou não sua Palavra, seu apelo. Amar é correr o risco de receber o “não” da pessoa amada; amar é respeitar o outro no seu “sim” e no seu “não”. É assim que o Senhor nos respeita! Um dia, a glória de Cristo brilhará de modo claro e cristalino, mas num modo que nossa liberdade jamais será ultrajada ou negada! O Senhor, que nos criou livres, respeitará sempre nossa liberdade... e aí está a grandeza de sua glória! (3) Uma outra conseqüência de proclamar o Cristo Rei é pensar no sentido da autoridade, sobretudo na Igreja: “Entre vós, não será assim!” – A advertência é seríssima! Jesus alerta àqueles que vão exercer um papel de liderança na Igreja a não procederem com os critérios da autoridade mundana. Nada é tão demoníaco quanto a autoridade exercida como poder de mandar e não como dever de dar a vida! Isso vale para o Papa, para o Bispo, para o pároco, para os coordenadores dos vários grupos e pastorais: “Aquele que dentre vós quiser ser grande, seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dente vós, seja o servo de todos. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos!” Quantas vezes, com a “autoridade de Cristo” oprimiu-se, reprimiu-se... quantos jogos de poder nos vários âmbitos da Igreja. Isso é tão humano, tão nosso, tão diabólico, tão contrário ao Evangelho. E o triste é que se faz tudo isso em nome do Evangelho, com a miserável capa de piedade! Celebrar Cristo Rei nos impõe uma profunda conversão no modo de exercer a autoridade em nome de Cristo, que morreu, que serviu, que deu a vida! Numa sacristia de paróquia de nossa Igreja de Maceió havia um interessante aviso no mural do grupo dos acólitos: “Avisamos a todos que fulano de tal está suspenso por tempo indeterminado por seu mau procedimento. Está proibido de entrar na sacristia e de ter contato com os outros acólitos até que o coordenador mande o contrário!” – Era mais ou menos isso que estava escrito! Terrível! O poder exercido em nome de Cristo, mas não no Espírito de Cristo que veio procurar e salvar o que estava perdido! E assim, tantos usaram a autoridade de Cristo: papas, bispos, padres, funcionários de cúrias (romana e diocesanas), leigos... mas não com a atitude de Cristo... Que celebrando Cristo Rei nos coloquemos todos no caminho da conversão, aprendendo com o coração que, entre os discípulos de Cristo, reinar é servir, é saber escutar, é procurar compreender e construir a paz e a unidade, para que todos se sintam irmãos na Casa de Deus, que é a Igreja, coluna e sustentáculo da verdade. O que passa disso, vem do Maligno! Artigos Relacionados: |
| Última atualização em Sex, 09 de Abril de 2010 07:13 |
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