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Sáb, 27 de Dezembro de 2008 11:52

Cônego Henrique Soares da Costa

Estamos acompanhando a polêmica criada pelos muçulmanos radicais em torno das palavras do Santo Padre na Alemanha. Muitos falaram; pouquíssimos leram o discurso do Papa. Foi esplêndido, perfeito, coisa de gênio! Particularmente, fiquei emocionado com suas palavras. O que ele disse? Que a razão humana fechada para Deus é desumana, que a religião desligada da razão é indigna do ser humano, que a violência religiosa é irracional e, portanto, indigna de Deus, que no mundo atual é urgente o diálogo entre fé e razão e entre as diversas culturas e tradições religiosas. Três dias antes tinha dito que o Ocidente racionalista deve reaprender a crer com os asiáticos e africanos (na maioria muçulmanos e budistas).

E por que toda a confusão com o Papa? Porque ele começou sua conferência citando um texto do Imperador Manuel II Paleólogo, do século XIV, que critica Maomé e o Islã por defenderem a propagação da fé pela guerra. E por que o Papa citou logo esse imperador? Pela frase dele, perfeita: “Não agir segundo a razão, é contrário à natureza de Deus. A fé é fruto da alma, não do corpo. Portanto, quem deseja conduzir alguém à fé tem necessidade da capacidade de falar bem e de raciocinar corretamente e não da violência e da ameaça...” O Papa não agrediu ninguém. Por isso também não pediu nem vai pedir desculpas. Apenas disse que sente muito ter sido mal interpretado. Pedir desculpas seria reconhecer que errou; e ele não errou. Não é questão de orgulho bobo, mas de princípio: nunca se pede desculpas pela verdade dita, mesmo quando esta não é a que se quer ouvir. Depois, a exigência de desculpas dos radicais muçulmanos não é pelo diálogo, mas por intransigência e para humilhar o Papa.

O que está em jogo são coisas muito sérias: Vamos viver com medo dos radicais islâmicos? Vamos renunciar aos valores do Ocidente: a liberdade, o uso da reta razão, a liberdade de expressão? Vamos renegar nossos valores cristãos dentro de nossa própria cultura?

Triste, isto sim, o papel de alguns jornais do Ocidente, a começar pelo anti-clerical New York Times que, primeiro, disse que o Papa ofendeu os muçulmanos (mentira) e depois, que o Papa pediu desculpas (falso). Esse é o pessoal politicamente correto, para quem a verdade não interessa, simplesmente porque não existe; interessa somente a conveniência. Entre essa gente e o atual Papa não há a mínima possibilidade de acordo. O Papa tem uma Verdade para testemunhar: Cristo e tudo quanto lhe diga respeito.

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