Home Artigos União civil entre homossexuais - II
União civil entre homossexuais - II PDF Imprimir E-mail
Artigos
Sáb, 27 de Dezembro de 2008 12:18

Côn. Henrique Soares da Costa

Num passado artigo expliquei por que a Igreja não pode aceitar que a homossexualidade tenha a mesma avaliação moral que a heterossexualidade. Expliquei que o projeto de Deus para a sexualidade humana, tal como revelado na Escritura Sagrada e conservado na perene Tradição da Igreja, é somente o caminho heterossexual. Isso é parte integrante da fé dos cristãos. Nunca é demais recordar que a Igreja não se faz a si própria nem norma de si mesma: aquilo em que ela crê e o seu modo de avaliar a realidade está sujeito à Palavra de Deus, contida na Escritura e na Tradição apostólica. Nem o Papa nem um concílio nem ninguém pode colocar-se acima do critério último de verdade salvífica. E esta verdade é Jesus, tal como apresentado na Escritura e na Tradição interpretadas com autoridade divina pelo Magistério.

Mas, por que a Igreja é contra o projeto de união civil entre homossexuais, já que este diz respeito também a não-cristãos e não-católicos? O que a Igreja tem a ver com não-católicos que desejem uma parceria reconhecida civilmente com os mesmos direitos de um matrimônio convencional? Trata-se de uma questão civil, cidadã, não religiosa... Não seria uma exorbitância da Igreja, velha bruxa sedenta de atanazar a felicidade alheia? Não!

O problema é que a questão em pauta diz respeito a toda a sociedade, pois que envolve o conceito de família; e de modo muito prático. Por mais que se queira negar, a família é decisiva para a constituição e para a personalidade de uma sociedade. Destrua-se uma e a outra perecerá. Na história, em todas as civilizações a sociedade como um todo sempre tutelou e normatizou a instituição familiar. Na família, os valores são transmitidos, a vida é gerada e tutelada, a própria identidade de uma comunidade humana é forjada e passada, geração após geração.. Admitir um “casamento gay” legalmente reconhecido, seria esvaziar e diluir totalmente o que seja família; ela seria somente, como defendem alguns desastrados, uma união afetiva de pessoas! Aceitar tranquilamente uma união civil entre homossexuais e, posteriormente, o direito à adoção de crianças, seria o mesmo que redefinir totalmente o que seja família para nós. Nosso conceito tradicional, plasmado pela nossa cultura e que, por sua vez, plasmou também muito da nossa sociedade, desapareceria totalmente. Nossas crianças e as gerações futuras teriam uma consciência totalmente deturpada do que seria uma família! A família não mais teria nada de sagrado, de perene, de estável, de específico, sendo reduzida a uma associação qualquer. Não se pode brincar com uma coisa tão séria! Infelizmente, tudo quanto essa nossa sociedade hedonista toca, transforma em lixo! É óbvio, portanto, que essa questão não diz respeito somente aos próprios homossexuais, mas a toda a sociedade; não é uma questão priva, como muitos querem enganosamente fazer pensar... A família já anda tão desacreditada, tão bombardeada, tão desmoralizada... Faz-se a apologia da separação, dos ex-maridos e ex-esposas, dos filhos de pais separados. Recentemente, no dia dos pais, um jornal do nosso Estado estampou na primeira página: “Pais separados e felizes”. Ou seja: exalta-se o que se deveria procurar evitar! Por mais que haja separação entre religião e estado, no Brasil – e isso é bom -, o povo brasileiro é, na sua formação cultural e na sua imensa maioria, religioso e de profissão de fé cristã. Não se pode, então, impor uma inovação tão grave e deturpadora do conceito de família a toda uma sociedade por vontade de uma minoria.

Certamente, um “casal” homossexual que deseje viver “maritalmente” tem esse direito, desde que não imponha a toda uma sociedade a sua escolha. A Igreja reconhece que as pessoas que formam esse par têm direito, perante a lei, a benefícios análogos aos casais: aposentadoria do parceiro, plano de saúde, etc. Certamente, pode-se e deve-se encontrar meios legais de preservar tais direitos. O que não se deve aceitar de modo algum é que isso exija que se crie um casamento legal e, ainda mais, com a possibilidade de adoção de crianças! Sinceramente, é ridículo ver a união civil entre pessoas do mesmo sexo transformada num arremedo de casamento com véu, grinalda, marcha nupcial e bolo de casamento! Uma sociedade decente tem o dever de tutelar a família e as crianças. A questão é que nossa sociedade já há muito deixou de ser decente... Nossa sociedade é doente; doente do orgulho cego de uma humanidade que pensa que é a norma de si própria, o critério do bem e do mal!

Procura-se passar a idéia que a Igreja milita contra os homossexuais. Não é verdade. A posição da Igreja e seus motivos são os acima elencados. Há espaço sim para o diálogo. Mas o rolo compressor da mentalidade neo-pagã não deseja diálogo. Com toda certeza, o projeto de união civil entre pessoas do mesmo sexo, da Marta Suplicy, do Partido dos Trabalhadores, será aprovada; a adoção por pares homossexuais será aprovada logo após e a questão da união homossexual continuará sendo tratada como algo que somente diz respeito aos dois interessados... A família, os valores e o cristianismo que se danem...

Artigos Relacionados:

relatedArticles
 

Fornecido por Joomla!. Designed by: Joomla 1.5 Template, database terminology. Valid XHTML and CSS.