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| União civil entre homossexuais - I |
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| Artigos |
| Sáb, 27 de Dezembro de 2008 12:19 |
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Cônego Henrique Soares da Costa[1]
Não tardará muito e o Congresso Nacional irá votar a lei que aprova a união civil entre homossexuais. A Igreja é contra. E vai levar peia de muita gente. Vão chamá-la de homófoba, repressora, retrógrada, obscurantista, reacionária e hipócrita. Os católicos, aos poucos, vão se acostumando a apanhar e vão se habituando com o vocabulário que a sociedade bem pensante nos reserva. Mas, demagogia à parte, gostaria de explicar neste espaço o porquê do posicionamento da Igreja. Depois, o meu prezado leitor tire a conclusão que achar conveniente. Vou dividir meu arrazoado em duas partes: uma, neste artigo, voltada para os que acreditam em Cristo e no seu Evangelho, principalmente os católicos; a outra, na próxima semana, voltada para todos, sejam ateus sejam não cristãos. Para os cristãos, é claro que a Igreja não pode aprovar a união civil de pessoas do mesmo sexo, sobretudo entre os seus filhos. A norma do cristianismo é a Sagrada Escritura e a Tradição que vem dos Apóstolos. Aí está conservada, geração após geração, a regra de vida dos discípulos de Jesus. Nós, cristãos, não podemos fazer o que queremos, não podemos instituir para nós mesmos um critério de bem e de mal, de certo ou de errado de modo independente e até mesmo contrário à norma do Evangelho. Para nós, Jesus é a Verdade, não uma verdade teórica, abstrata: ele é a Verdade em Pessoa; nele, o homem descobre sua própria verdade, descobre o que é bom para o ser humano, como ele deve ser para que se realize plenamente e qual o sentido dos seus sofrimentos e alegrias, dos conflitos e das realizações da humanidade. Jesus é o homem perfeito; nele o mistério do ser humano se revela; é Jesus quem revela o homem ao próprio homem! Esta é a fé dos cristãos. Ora, as Escrituras, que dão testemunho de Jesus, nossa Verdade, afirmam que o caminho para a sexualidade humana é o caminho heterossexual: "Homem e mulher ele os criou; à sua imagem ele os criou!" Para nós, cristãos, a questão do gênero não é somente cultural: o masculino e o feminino são dois modos de realização do humano, dois modos reais e complementares. A variante homossexual não faz parte do desígnio original de Deus para a humanidade. A Escritura e a Tradição da Igreja condenam explicitamente a prática homossexual. Certamente muito do modo de exprimir-se da Bíblia neste particular é condicionado pela cultura semita. Mesmo assim, para além da linguagem e do modo de exprimir-se, existe uma condenação clara por motivos teológicos: homem e mulher ele os criou, um para o outro, um complementando o outro! Mas, então, por que há pessoas homossexuais? Que culpa têm elas ante Deus? A fé cristã também ensina que a humanidade, tal como se encontra hoje, é ferida pelo pecado, é uma humanidade doente. Todos nós, sem exceção, somos feridos; nenhum de nós é mais expressão daquela humanidade como Deus sonhou desde o princípio. Somente Jesus é o humano perfeito, a expressão plena da humanidade. Somente caminhando para ele, parecendo com ele, tornamo-nos plenamente humanos, tornamo-nos aquilo que devemos ser! Ora, essa ferida da humanidade manifesta-se de tantos modos: problemas de temperamento, problemas morais, problemas afetivos, problemas na área da sexualidade, problemas nas nossas relações sejam em nível pessoal sejam em nível social, problemas com nossos instintos e impulsos. Todos temos de dizer como o Salmista: "Minha mãe já concebeu-me pecador!" Aqui não é o caso de pensar que alguém é assim ou assado porque está pagando seus pecados. Nada disso: trata-se de uma situação geral de desarrumação na qual a humanidade se encontra. Ora, para nós, cristãos, a homossexualidade é uma das manifestações dessa desarrumação que fere e nossa humana condição. Nenhum homossexual tem culpa por ser homossexual, mas a homossexualidade não faz parte do plano de Deus para ninguém; é uma desordem moral. Nós cremos também que, por ser pecadora, a humanidade sozinha não pode se encontrar e, por isso, o Pai enviou o seu Filho que por nós morreu e ressuscitou. Cremos que ele assumiu nossas dores, nossas angústias, nossos conflitos. Nós, cristãos, sabemos que somos chamados a completar na nossa carne o que faltou da paixão do Cristo Jesus. Então, um homossexual que seja cristão é chamado a procurar viver a castidade, isto é, a viver sua sexualidade conforme ao que Cristo propõe: a vida sexual na dimensão de sua expressão genital, erótica, isto é, do ato sexual, somente é lícita dentro do sacramento do matrimônio. E isso vale para todos, sem exceção! Que o leitor não faça cara de assustado! Essa sempre foi e sempre será a fé da Igreja, porque foi isso que ela recebeu de Cristo! Certamente, tal proposta não é fácil para um homossexual! A Igreja sabe disso. Por isso mesmo, deve acompanhar seus filhos homossexuais com caridade materna, compreendendo-os, ajudando-os a viver o mais que puderem de acordo com o Evangelho. Os homossexuais, como os héteros, são capazes de uma vida virtuosa também no campo da sexualidade. E quando não puderem chegar a esse ideal? E quando decidirem assumir uma relação estável com alguém do mesmo sexo? A Igreja não deve nem pode desprezar tais filhos. Não dirá que eles estão corretos, mas vai sempre dizer que o Senhor os ama, que eles têm um lugar na Comunidade dos cristãos e que eles devem sempre esforçar-se ao máximo para ter uma vida digna, alicerçada em valores humanos e cristãos, como a sinceridade, a fidelidade, a doação, a decência... A Igreja não pode abandonar à própria sorte um filho seu pelo fato de ter uma vida homossexual ativa. Não dirá que eles estão corretos, mas também não os renegará nunca! Certamente, um cristão homossexual que tenha prática sexual, não deve confessar-se (a não ser que estivesse disposto a mudar de atitude) nem receber a comunhão eucarística. Mas, pode e deve, certamente, rezar, participar da Missa, participar de movimentos e atividades da Igreja, buscar conselho e orientação junto a um sacerdote. Pastoralmente, é uma situação análoga à dos casais em segunda união. Um homossexual que seja um bom cristão – e há muitos! – não dirá: "Eu tenho direito de comungar, eu tenho direito disso ou daquilo!" Diante de Deus ninguém tem direito; tudo é graça! Amar o homossexual, compreendê-lo, acompanhá-lo, respeitar sua dignidade, sim; fazer a apologia da prática homossexual, nunca! A Igreja seria infiel ao seu Senhor. Assim, um homossexual cristão, que deseje manter-se em comunhão com Cristo e sua Igreja, jamais poderá dizer que a homossexualidade é tão válida moralmente quanto à heterossexualidade. A fé nos impede tal afirmação. E, quem não crê? Faça como quiser, já que seu critério não é o Cristo e sua Palavra. Se é assim, por que, então, a Igreja é contra uma lei que una civilmente os homossexuais, mesmo que eles sejam não-católicos? O que ela tem a ver com isso? É o que tentarei mostrar num próximo artigo... [1] Reitor da Igreja do Livramento e Professor de Teologia Artigos Relacionados: |
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