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| Redes e pérolas, tesouro e sementes... |
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| Sáb, 27 de Dezembro de 2008 12:20 |
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Côn. Henrique Soares da Costa
Na Liturgia da Igreja, estamos, por esses três domingos, ouvindo na Missa o capítulo treze do Evangelho segundo São Mateus. É o Discurso das parábolas do Reino dos Céus. Em sete encantadoras estórias, o Senhor Jesus fala sobre alguns aspectos do que seja esse Reino dos Céus ou Reino de Deus que ele veio anunciar. Que o meu caro leitor tenha a paciência de ler este meu artigo e, depois, a curiosidade de ler o capítulo treze de Mateus! O Reino de Deus foi o centro da missão e da pregação de Jesus. Ele veio para anunciar e instaurar esse Reino. Mas, do que se trata realmente? A expressão correta, para dizer a verdade, não seria “Reino”, mas “Reinado”, Reinado de Deus. Jesus veio anunciar que o Deus grande e santo de Israel é, na verdade, um Pai cheio de misericórdia e ternura, de amor e compaixão – é o seu Pai, que ele chamava Abbá, Papai! Ao enviar seu Filho único, esse Pai do Céu abriu as mãos e o coração para a humanidade cansada e ferida, como que dizendo: “Acolhei o meu Filho e sua mensagem de amor! Ele é o meu sorriso para o mundo, no abraço dele eu mesmo estou abraçando a humanidade! Nele, no meu Filho amado, o compreendereis que eu ainda creio na humanidade, que eu sou amor e que, abrindo-se para mim, o mundo encontrará paz, vida e plenitude!” O Reinado de Deus acontece onde a pessoa e a mensagem de Jesus forem acolhidos. Aí Deus reinará de verdade! Cada um de nós é convidado a acolher em Jesus esse Reinado de Deus: o Reino está onde o homem permite que Deus reine na sua vida, nos seus projetos, em todos os âmbitos da sua existência! Assim, não somos nós que entraremos no Reino; é o Reino que entrará em nós. Isso mesmo: entrará no Reino quem deixar o Reino entrar em seu coração e em sua vida, começando já neste mundo uma tal comunhão com Deus em Jesus Cristo, que nem a morte poderá interromper! Mas, essa história de Reino de Deus presta-se a tantos mal-entendidos... Os judeus enganaram-se com o Reino. Pensavam que ele seria vistoso, glorioso; que aconteceria imediatamente, que seria imposto por Deus de maneira grandiosa. Enfim, um Reino em grande estilo... Muitos confundiam facilmente o Reino de Deus com o Reino do Povo de Deus, com o seu próprio Reino; confundiam a vontade de Deus com a própria vontade e a glória de Deus com a própria glória. São tão fáceis essas confusões... Nas sete parábolas que Jesus conta sobre o Reino dos Céus, ele deseja prevenir-nos para evitar esses e outros enganos... Vamos a elas! Você recorda, caro leitor, quais são essas parábolas? O Reino dos céus (1) é como um semeador que saiu a semear sua semente, (2) é como um homem que semeou trigo no seu campo, (3) é como um grãozinho de mostarda, (4) é como o fermento que uma mulher põe na massa, (5) é como um tesouro escondido (6) e como uma pérola preciosa, (7) é como uma rede jogada no mar... Nelas, o Senhor quer ensinar que o Reino não nasce da nossa iniciativa: Deus é quem o semeia, é quem o planta. O Reino não pode ser confundido com um simples projeto humano... Ninguém pode chegar a Deus se Deus mesmo não se der a nós. O homem não pode, sozinho, com suas forças, construir esse Reino. Toda vez que tentou, fracassou: mentiu e matou por um reino que não aconteceu... Basta que você recorde as promessas humanas, os projetos políticos e econômicos humanos... O Senhor ensina também que o Reino passa pela nossa decisão, pelo terreno do nosso coração: se meu coração for desatento, o Reino será devorado em mim, como as sementes pelos pássaros; se meu coração for envolvido por mil paixões e desejos, a semente do Reino será sufocada por esses espinhos; se meu coração for superficial e leviano, a semente morrerá seca por falta de profundidade humana... Jesus nos ensina que Deus é assim: aceita e deseja que seu projeto passe pela nossa liberdade, corra o risco de ser colocado a perder pelo nosso “não” aos seus apelos. Que coisa impressionante: eu posso colocar a perder o projeto de Deus; eu posso me fechar, eu posso dizer “não” – fazer da minha vida um grande “não” a Deus! Nosso Senhor é tão realista. Ele disse também nessas parábolas que o Reino dos Céus é frágil, é pobre, é pequeno como um grãozinho de mostarda, como um pouquinho de fermento que uma mulher colocou na massa... Ele não se manifesta na grandeza, na riqueza, no luxo, no poder, mas nas coisas pequenas e simples, como o amor desinteressado, o tempo dado aos outros, o sofrimento suportado com paciência e dignidade... Mas, esse Reino tão simples haverá de levedar o mundo todo como o fermento na massa e haverá de crescer como o grão da mostarda e a passarinhada dos céus, ou seja, toda a humanidade, haverá de nele fazer seus ninhos. Jesus afirmou também que, apesar de tantas vezes ter um destino inglório, como aquelas sementes do semeador, ao fim das contas, haverá terrenos bons, nos quais as sementes do Reino cairão e darão fruto: uns cem, outros sessenta, outros trinta por um... Não importa quanto cada um dê, importa que dê tudo quanto poderia ter dado... Ele disse ainda que esse Reino é o maior tesouro que alguém pode achar, que é como uma pérola de grande valor - a mais bela de todas - e quem a encontra está disposto da dar tudo por ela... Ele ensinou que o mundo no qual ele veio semear o Reino é como um campo... Aí, ele semeou o Reino que é vida e verdade, amor e paz, mas o Diabo semeou o joio. Nossa impaciência quer arrancar logo o joio e reclama de Deus pelo mal do mundo, como se Deus fosse o culpado. A nossa impaciência ameaça arrancar o trigo junto com o joio; mas a paciência de Deus sabe esperar e, um dia, trigo e joio serão separados, um dia o trigo será recolhido nos celeiros do coração do Pai do Céu e o joio será enfeixado e queimado! Finalmente, ele ensinou que o Reino do Céu é como uma rede jogada no mar, nesse mar que é o mundo... Essa rede recolhe todo tipo de peixe... vai recolhendo, vida após vida, geração após geração... Mas, um dia, a rede será puxada e os peixes serão separados: os bons serão recolhidos em cestos e os maus serão jogados para o fogo queimar... Leia essas parábolas, paciente leitor! São tão bonitas, tão verdadeiras... Queria terminar com as palavras com as quais Mateus termina esse Discurso do Senhor: “Entendestes todas essas coisas?” – Quem dera que você tenha compreendido... Artigos Relacionados: |
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