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| A Trindade Santa - IV |
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| Cursos |
| Qua, 06 de Maio de 2009 10:53 |
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Pe. Henrique Soares da Costa A Trindade: um caso de amor!Vimos, no tópico passado, que a Igreja foi reagindo contra as heresias que iam surgindo a respeito da Trindade Santa. À medida em que ia reagindo, ia explicando melhor sua fé na Trindade, ia também encontrando uma linguagem própria, palavras técnicas para exprimir este mistério tão grande de nossa fé. Neste tópico, vamos fazer um resumo da fé trinitária e, no próximo, apresentar um pequeno dicionário da fé trinitária da Igreja de Cristo. Eis a nossa fé trinitária, dita de um modo simples e saboroso! Nós cremos num só Deus-Pai; ele existe eternamente, nunca houve um tempo em que ele não existisse: sempre existiu: é eterno, sem princípio e sem fim! Esse Deus é Pai, eternamente! Não é pai como os seres humanos: para qualquer criatura, ser pai é facultativo, pois não é preciso ser pai ou mãe para ser gente. Primeiro se é gente e, depois, pode-se ou não (depende da vontade!) ser pai ou mãe! Com o nosso Deus não é assim: ele só existe porque é Pai: ele é Deus-Pai! Para ele, ser Pai e ser Deus são a mesma coisa, de modo que ele é eternamente Pai, totalmente Pai e somente Pai! Podemos dizer que ele é Pai Absoluto! Ele não é filho, não é irmão, não é primo, não é sobrinho, não é tio... ele é total e simplesmente Pai! Ora, dizer que o nosso Deus é Pai eterno leva-nos a perguntar: “Pai de quem?” Do Filho! “Pai desde quando?” Desde sempre! Então, eternamente, desde toda eternidade, o Pai é eternamente Pai do Filho eterno! Se o Pai existe eternamente, eternamente existe o Filho! Nunca houve o Pai sem o Filho; nunca houve o Filho sem o Pai! O Filho não é gerado pela vontade do Pai, mas é gerado pelo ser do Pai! Eternamente o Pai gera o Filho no Amor, ama o Filho com Amor eterno e, amando-o, gera! Esse Amor não é uma coisa, um sentimento: este Amor é Deus mesmo, que chamamos de Espírito de Amor ou Espírito Santo! Desde quando existe este Amor? Desde sempre, pois o Pai eterno só é Pai porque ama eternamente no Amor do Espírito e, amando, gera o Filho! Assim, o Pai eternamente gera o Filho no Espírito de Amor! Como o Pai é Pai absoluto, somente Pai e nada mais que Pai, também o Filho, é Filho absoluto, somente Filho e nada mais que Filho e o Espírito nada mais é que Amor que une o Pai e o Filho, Amor no qual o Pai gera o Filho eternamente e o Filho se deixa eternamente gerar pelo Pai. O Espírito, no Pai, é Espírito de paternidade, Amor que faz o Pai ser Pai porque gera e, no Filho, o Espírito é Espírito de filiação porque é nele que o Filho é gerado. Podemos até dizer, como São Tomás de Aquino, que o Espírito é o Amor do Pai amante que repousa, que habita, o Filho amado, gerando-o! Então, para usar a linguagem de Santo Agostinho, o Pai é o eterno Amante, o Filho é o eterno Amado e o Espírito é o eterno Amor; o Pai é o eterno Gerante, o Filho é o eterno Gerado e o Espírito é a eterna Geração! O Espírito habita no Pai e o faz gerar e habita no Filho e o faz ser gerado! Bom, vamos retomar um pouquinho o fôlego! Vamos ver tudo isso um pouco mais devagar! Comecemos com o Pai! Na Trindade ele é a fonte de tudo; tudo vem dele! Ele não é gerado por ninguém, não procede de ninguém: ele é o início de tudo! Ele é quem começa o jogo do Amor: ele é o eterno Amante! Somente ele é quem toma a iniciativa de amar e, amando, gera de suas entranhas, do mais profundo do seu ser, o Filho amado! Já expliquei que ele somente existe porque é Pai, porque gera no Amor. Então, vejamos que coisa linda: o Pai é todo amor, o Pai não pode não amar! Se ele não amar não e Pai e, se não for Pai, não é Deus! Quando São João diz que Deus é amor, é isso que ele quer dizer: o Pai é amor! Seu amor não depende do de ninguém! O Pai é fonte, é nascente, é origem, é início de todo o amor! Bem que ele poderia dizer como São Beranardo: “Amo porque amo; amo para amar!” Pois bem, todo este Amor (que é o Santo Espírito!) o Pai dirige para o Filho. É nele, no Filho Amado, que o Pai repousa todo o seu Amor! Sem o Filho, o Pai não teria a quem amar, não seria Pai, não existiria! O Filho é o ninho, o repouso do Amor do Pai! Por isso o Pai diz a Jesus: ”Tu és o meu Filho amado em quem eu me comprazo!” Sim, o Filho é a alegria, o repouso, o paraíso, o céu do Pai! E o Filho? Ele é o eternamente Amado, amado antes da criação do mundo. É aquele gerado no Amor (quer dizer, no Espírito) do Pai. Ele depende totalmente do Pai, tudo ele acolhe do Pai, de modo que o seu ser mais profundo é deixar-se amar, deixar-se gerar: ele é o Filho, totalmente Filho, só e absolutamente Filho. Ele mesmo dizia: “O Filho por si só nada pode fazer.. eu faço como aprendi do Pai!” Se o Pai ama amando, o Filho ama deixando-se amar; se o Pai, amando, sai de si numa eterna pobreza de amor, o Filho, deixando-se amar, tudo acolhe, aconchega o Amor do Pai e, humilde e pobremente, deixa-se invadir, possuir, pelo Pai... Se o Pai exclama eternamente: “Tu és o meu Filho em quem eu me comprazo”, o Filho eternamente exclama: “Abbá! Papai!” Se dar amor é divino, receber amor também o é! O Filho deixa-se de tal modo amar, deixa que o Pai lhe dê tudo, que é completamente imagem do Pai: “Quem me vê, vê o Pai!” Ele é a cara do Pai, sua imagem, o resplendor de seu ser! No Amor, que é o Espírito que os une, ele pode exclamar: “Eu e o Pai somos um!” Quanto ao Espírito ele é o Amor no qual o Pai tudo dá ao Filho e no qual o Filho tudo recebe do Pai. O Pai não ama o Espírito; ele ama no Espírito; o Filho não se deixa amar pelo Espírito; ele é amado no Espírito. Este Espírito está todo no Pai (é Espírito de paternidade) e está todo no Filho (é Espírito de filiação); ele é o laço de Amor, o vínculo de Amor no qual o Pai e o Filho se abraçam. Ele procede do Pai e do Filho: procede do Pai porque o Pai é o Amante, aquele de quem procede o Amor; procede também do Filho já que o Pai somente ama porque o Filho acolhe este Amor, recebe-o e, recebendo-o, permite, consente que o Amor (Espírito) saia do Pai para ele, o Filho! Se o Filho não se deixasse amar, o Pai não poderia ser Amante, ser fonte de Amor , de quem procede o Espírito! Por isso dizemos no Credo que o Espírito é Amor que procede do Pai amante e do Filho amado! Na Trindade tudo inicia no Pai e se dirige para o Filho: o início é o Pai e o fim é o Filho. E o Espírito? Está todo no Início e todo no Fim, todo no Pai, do qual procede e todo no Filho no qual repousa! Contemplando a Trindade, vemos o quanto o Deus dos cristãos é amor, só amor e todo amor. A Trindade não é um teorema frio ou uma teoria impessoal. A Trindade é amor ardente: Deus é Amante eterno, eterno Amado e eterno Amor, é amor em circulação! Por isso mesmo Deus é eternamente pleno e feliz, eternamente realizado, eternamente superabundante, eternamente livre: ele se basta no amor e, se mendiga nosso amor, não é porque precisa dele, mas porque amá-lo é nossa felicidade e realização. É por tudo isso que Deus, numa explosão de amor, tudo criou: tudo sai do Pai, que amando o Filho, tudo cria através dele na potência do Espírito de Amor. No Amor com que ama o Filho o Pai ama e cria o mundo: amando cria e criando ama! Deus criou o mundo para amá-lo e, amando-o, dá-lhe vida e felicidade! Um Deus assim, não pode não amar, não pode ser causa de morte, de destruição ou infelicidade, mas é somente fonte de vida, de bênção e de felicidade. É este o Deus dos cristãos, o Deus que Jesus revelou e a quem chamava de Pai e no qual exultou no Espírito! No próximo tópico continuaremos! A Trindade é o Deus unoNo último tópico desta série sobre a Santa Trindade vimos o quanto as três pessoas divinas são relativas umas às outras, quer dizer, uma não pode existir sem a outra e falar em uma delas exige falar sobre as outras duas: falar no Pai, eterno Amante, exige falar no Filho, eterno Amado e no Espírito, eterno Amor no qual Amante e Amado se amam. Falar no Pai que gera eternamente exige falar no Filho eternamente gerado e no Espírito, que é eterna Geração! Assim, na nossa meditação víamos o quanto o nosso Deus é amor que circula infinitamente do Pai para o Filho no Espírito. Mas, tudo isto não poderia dar a impressão que estamos falando de três deuses? De modo nenhum! A Trindade divina é um só Deus. É disto que trataremos neste tópico de agora. Nós cremos firmemente que há “um só Deus Pai todo-poderoso”. O Pai é Deus por antonomásia, é Deus por excelência. É por isso mesmo que Jesus, o Filho feito homem, afirmou certa vez ao moço rico, que o chamava “bom Mestre”: “Por que me chamas Bom? Ninguém é bom senão só Deus!”(Mc 10,18). Isto mesmo! Somente Deus, o Pai é o Bom por excelência. Toda bondade vem do Pai, brota dele! É ele quem dá ao Filho ser Bom: o Filho é Bom porque recebeu do Pai o ser Bom: “Tudo o que o Pai tem é meu!” (Jo 16,15). É neste sentido que Jesus, o Filho, afirma também: “O Pai é maior que eu (Jo 14,28). Ele é tão Deus quanto o Pai: “Eu e o Pai somos uma só coisa! (Jo 10,30). É este o sentido desta frase de Jesus! “Eu estou no Pai e o Pai está em mim (Jo 14,9). Quando Jesus afirma que o Pai é maior que ele, deseja expressar que o Pai – e somente o Pai – é a fonte de tudo quanto ele tem: tudo ele recebeu do Pai, até o ser divino... mas ele e o Pai são uma só coisa, de modo que, quem o ver, vê o Pai! Pis bem: quando dizemos simplesmente “Deus”, pensamos primeiramente no Pai! Ele não é maior que o Filho e o Santo Espírito, mas, como vimos no tópico passado, ele é o Princípio, é o Amante, o Gerante. Na Trindade, ele é a fonte e a origem da divindade: tudo começa nele. Há um só Deus porque toda a divindade brota de um só Princípio, brota das entranhas amorosas do Pai. Um grande e santo teólogo do início do cristianismo, São Gregório, bispo de Nazianzo, chegava mesmo a dizer: “A unidade é o Pai, do qual e mediante o qual se contam as outras pessoas divinas!” Há um só Deus porque há uma única fonte da vida divina: o Pai onipotente, que dá toda a divindade ao Filho e ao Espírito; há um só princípio da divindade – o Pai – e, por isso a Trindade é una, essencialmente! Façamos uma comparação bem mal feita: imaginemos uma nescente, que gera um riachinho que, por sua vez, se transforma num rio: são as mesmas águas, é o mesmo percurso, o mesmo leito... Assim, o Pai comunica toda a sua divindade, todo o seu ser ao Filho e, através do Filho, tudo ele entrega ao Espírito! O Pai só não pode dar ao Filho e ao Espírito uma coisa: sua paternidade. Então, há um só Deus porque há uma só substância divina, um só ser divino, eterno, santo, onipotente, que é o a substância do Pai, totalmente dada ao Filho e ao Espírito. Vamos insistir mais, para que fique bem claro: o Pai comunica toda sua sabedoria, todo seu amor, toda sua vontade, toda sua eternidade – tudo quanto ele é! – ao Filho e ao Espírito! Assim sendo, não há três eternos, mas um só Eterno, nem três infinitos, mas um só Infinito, nem três absolutos, mas um só Absoluto, nem três santos, mas um só Santo, nem três senhores, mas um só Senhor! Mais ainda: já que tudo quanto o Pai é dá ao Filho e, pelo Filho, ao Santo Espírito, na Trindade também não há três vontades, mas uma só vontade, nem três amores, mas um só amor, nem três desígnios, mas um só desígnio! Aqui é necessário compreender que quando dizemos que em Deus há três pessoas, esta palavra “pessoa” não tem o significado que tem para nós, na nossa língua portuguesa. Para o português, “pessoa” é um centro de consciência, de vontade, de liberdade. Ora, em Deus Uno e Trino não há três consciências, nem três vontades, nem três liberdade! Uma Pessoa divina não pode querer uma coisa e a outra, outra coisa! Uma só consciência, uma só vontade, uma só liberdade em Deus! O que já foi dito antes, em outros tópicos, é preciso repetir agora: o Pai tudo entrega ao Filho no Espírito de Amor e, pelo Filho, tudo entrega ao Espírito, menos a paternidade; por isso mesmo só a primeira Pessoa é Pai! O Filho, no Espírito, recebe tudo do Pai, menos a filiação e, por isso, só a segunda Pessoa é Filho! O Espírito tudo recebe do Pai pelo Filho, menos a paternidade e a filiação: por isso ele não é o Pai, porque não é o Gerante, o Amante; também não é o Filho, porque não é o Gerado, o Amado: ele é o Amor, a Geração – só a terceira Pessoa é Amor dado pelo Pai e recebido pelo Filho! Então, que idéia surge destas afirmações? Há uma só divindade, há uma só onipotência, há um só ser divino, há um só Deus! No entanto, um é o Pai, outro, o Filho e outro, o Espírito! Santo é o Pai, Santo, o Filho, Santo, o Espírito; Eterno é o Pai, Eterno é o Filho, Eterno é o Espírito; Infinito é o Pai, Infinito é o Filho, Infinito é o Espírito! Um amor eterno envolve as três pessoas e as faz inseparáveis uma das outras. São João Damasceno, no século IX, usava uma imagem interessante: “Os três são como três sóis que se compenetram mutuamente numa única luz!” Cada uma das pessoas é Deus, totalmente, perfeitamente Deus porque as três são consubstanciais, quer dizer, da mesma natureza divina, da mesma substância, da mesma essência! Assim, as três pessoas são um só ser, um só amor, uma só bondade, uma só verdade, uma só comunhão, um só absoluto, um só infinito! O Pai é totalmente Deus, de modo que toda a divindade está nele; o Filho é totalmente Deus, de modo que toda a divindade está nele; o Santo Espírito é totalmente Deus, de modo que toda a divindade está nele! E, no entanto, o Pai é o único Deus, o Filho é o único Deus e o Santo Espírito é o único Deus. Esta comunhão é tão absoluta, tão perfeita, que o número três quando, dito em relação à Trindade, não tem o mesmo significado que tem na nossa matemática: na Trindade 1+1+1=1! São Basílio Magno, bispo e teólogo do século IV, dizia: “Nós não contamos indo do um ao múltiplo, aumentando e dizendo um, dois, três, ou o primeiro, o segundo e o terceiro. Confessando as três Pessoas sem dividir a natureza divina em muitas naturezas, nós permanecemos na unidade que provém do Pai!” Na Trindade o número três não significa uma quantidade – como neste mundo -, mas simplesmente uma riqueza indizível que existe na única vida divina! Que fique, então, bem claro: Pai e Filho e Santo Espírito, são um e mesmo Deus: os três têm uma única essência divina, um único ser divino! Depois de ter lido estas linhas, pode ser que você pense: que confusão! Não, não é confuso: é que quando a realidade é muito grande, a gente tem dificuldade de falar dela. Se isso acontece com as realidades nossas, da terra, imagine quando se trata de balbuciar alguma coisa a respeito do mistério íntimo do próprio Deus! Sugiro que, após a leitura deste tópico, você retome o tópico passado: os dois tópicos devem ser lidos de modo que um complemente o outro; assim a Trindade não parecerá um teorema matemático, árido e sem graça, mas a mais bela história de amor! Até o próximo tópico! Artigos Relacionados: |
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