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Escatologia - Sobre o fim do mundo! - III PDF Imprimir E-mail
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Qua, 06 de Maio de 2009 11:12

Pe. Henrique Soares da Costa

A Reencarnação: uma idéia cristã ou pagã? - I 

            Nos nossos tópicos sobre escatologia não deveríamos tratar de reencarnação... Mas, dada a divulgação que esta doutrina tem em nossos dias, faz-se necessária uma reflexão serena sobre o tema. É uma triste realidade que muitos cristãos nela acreditem e alguns pseudo-intelectuais ensinem, sem base histórica nenhuma, que até o século VI a reencarnação era aceita como fé cristã! Portanto, refletir sobre o problema é urgente.

            A doutrina da reencarnação, popularizada no Brasil pelo Espiritismo, é comum a várias religiões pagãs. Por exemplo: nas antigas religiões da Austrália e da África, na religião da cultura inca, dos esquimós do Alasca e dos indígenas da Malásia. Entre as religiões antigas, também o budismo, o maniqueísmo e o hinduísmo professam essa doutrina. O hinduísmo ensina que toda vida está sujeita à lei do karma: há uma de causa e efeito no que alguém faz: o mal que eu fizer, torna-se um karma, um débito, uma conta que eu tenho que pagar, que purificar pela provação e o sofrimento... o que se faz, se paga! Se não pagar nesta vida, paga-se numa outra existência aqui na terra, numa outra encarnação! Para os hindus, a reencarnação tem um sentido de castigo e purificação. Não é, portanto, um ideal! A existência encarnada é negativa e a salvação consiste em conseguir escapar do círculo das reencarnações pela ascese, pela devoção aos deuses (vestígios do único Absoluto) e pelas boas obras.

            Ora, essa doutrina pagã entrou também no mundo grego: para alguns filósofos gregos, o mais conhecido dos quais era Platão, a alma é o princípio divino do homem, é o homem, e se encarnou num corpo para se purificar de suas faltas. Notemos bem: para esses gregos o homem é somente espírito; o corpo é só uma casca e é negativo! Pelos sofrimentos e provações desta vida, a alma vai se purificando até separar-se do corpo. Aí volta a viver aqui em outro corpo e, assim, sucessivamente, até purificar-se totalmente e não precisar mais reencarnar-se!

            Uma tal doutrina influenciou vários intelectuais europeus, como Kant, Lessing, Goethe, Schopenhauer, Rudolf Steiner. Vinculou-se posteriormente ao evolucionismo de Darwin: se o mundo material está em constante evolução, por que não o espiritual? Finalmente, difundiu-se através do espiritismo moderno, sistematizado e codificado no século passado pelo francês Léon Hippolyte Denizard Rivail, que adotou o pseudônimo de Allan Kardec. Hoje, no espiritismo em todas as suas formas e na Nova Era tal doutrina continua presente e atual, sendo muito divulgada pelos meios de comunicação como, por exemplo o programa do Gugu, que é espírita, várias novelas da Globo, a revista Manchete, que é reencarnacionista e vários outros meios de comunicação, inclusive em nosso Estado. Basta prestar atenção como se fala em karma, em lei de causa e efeito, em desencarnar, etc!

            Mais ainda: hoje em dia querem dar à reencarnação uma autoridade científica, dizendo que há provas da sua verdade. Somente para que se tenha uma idéia: um enorme número de psicólogos aqui em Maceió não somente aceita a reencarnação, como também aplica técnicas de psicologia transpessoal que se fundamentam na reencarnação! Basta pensar nos psicólogos que fazem a famosa terapia de vidas passadas! Transforma-se o consultório num centro espírita... e chamam a isso de ciência!

            Mas, para que possamos compreender bem e avaliar corretamente a reencarnação, devemos responder a três questões: 

            Por que essa doutrina atrai tanto as pessoas?

            Ela é provada cientificamente?

            Ela é compatível ou incompatível com a Sagrada Escritura e a fé cristã? 

Por que a reencarnação atrai tanto as pessoas? 

            Primeiramente porque parece dar uma resposta para a questão do sofrimento humano. Como explicar que Deus seja bom e justo quando existe tanto sofrimento no mundo? Por que uns nascem de bem com a vida e outros vivem na miséria? Como explicar uma criancinha inocente que nasce doente ou aleijada? Que pecado ela cometeu: Que Deus é esse, que permite isso? Por que uns são pobres, doentes, infelizes e outros não? A reencarnação responde: esses que sofrem estão purificando o seu karma, a sua conta de pecado: eles foram maus numa outra encarnação e estão se purificando nessa e vão se reencarnar ainda, até que paguem tudo! Assim, Deus é justo e não tem nada a ver com o sofrimento humano: cada um é responsável pelo seu sofrimento: aqui se faz, aqui se paga! Essa lei não tem exceção: é a lei da causa e do efeito... e nem Deus pode cancelá-la! Notem que essa é a cabeça de muita gente... inclusive de gente que pensa que é cristã! Pense bem: quantas vezes você já ouviu ou já disse essa frase cretina: aqui se faz, aqui se paga?... Ela é ótima porque satisfaz a nossa sede mesquinha de vingança e de uma justiça meio doentia, que se alegra com o sofrimento e a pena dos outros...

            Só que essa explicação para o sofrimento é furada. Vejamos: 

·       Como eu posso pagar por uma coisa da qual não me recordo? Até o pai mais estúpido quando castiga o filho explica porque vai castigá-lo! Que Deus é esse, que me castiga sem me dizer o motivo? Como posso pagar por uma coisa da qual não tenho consciência e pelos pecados de uma vida da qual nem sequer me recordo? Esse Deus é maluco, então! Vejam que a reencarnação não livra Deus da questão do mal! 

·       Além do mais, se cada vez que a gente se reencarna vai progredindo, melhorando, purificando o karma, a humanidade deveria ir melhorando cada vez mais, ficando moralmente mais elevada. Não é isso que a gente vê na história! Pelo contrário: antes se matava com uma espada... agora basta uma bombinha atômica! Basta pensar na imoralidade e no paganismo dos meios de comunicação, na dissolução das famílias, na desagregação social! Belo progresso da humanidade! Será que quanto mais nos reencarnamos ficamos pior? 

·       Ainda mais: se estamos sempre nos reencarnado e, depois de purificar nosso karma não precisaremos mais nos reencarnar, como se explica o contínuo aumento da população da terra? A população deveria diminuir, não crescer. Os reencarnacionistas dizem que é porque espíritos que antes estavam encarnados em outros planetas ou moravam lá desencarnados vêm encarnar-se aqui! Bom, se para explicar a reencarnação vale esse tipo de idéia, então a gente pode também acreditar na Cuca e no Saci Pererê e dizer que o Ulysses Guimarães foi seqüestrado por um disco voador! Estamos na Ilha da Fantasia! 

·       Um outro erro grave dessa explicação para o sofrimento humano é alimentar um certo conformismo: você sofre porque está pagando pela sua vida passada: tem que aceitar, tem que ter paciência, é assim mesmo! Ora, não é a toa que a Índia, que é reencarnacionista na sua religião primitiva, desenvolveu um sistema de castas: os pobres, os pequenos são impuros, pecadores de encarnações passadas! 

            Por enquanto, basta! No próximo tópico continuaremos e vamos responder à segunda questão: a reencarnação é provada cientificamente? E os espíritos que baixam? E os mortos que aparecem? E os fantasmas e as casas mal-assombradas? Tudo isso não seria prova da reencarnação? Vamos ver isso no próximo tópico! 

A Reencarnação: uma idéia cristã ou pagã? - II 

            Começamos, no tópico passado, a tratar da reencarnação. Vimos que ela é uma crença pagã e que não explica o problema do mal no mundo nem o escândalo do sofrimento dos inocentes... Aliás, a reencarnação não explica nada! No tópico presente vamos responder outra questão: 

A reencarnação é provada cientificamente? 

            Atualmente os defensores da idéia da reencarnação esforçam-se para dar-lhe uma cara de ciência... Mas, inutilmente. Não há nenhuma prova científica a favor dessa idéia! Por mais que o Fantástico, o Gugu, o Globo Repórter e os outros meios de comunicação queiram mostrar o contrário!

            É verdade que há fenômenos que parecem confirmar a reencarnação. Por exemplo: a pessoa ter a sensação de já ter estado em determinado lugar quando, na verdade nunca tinha estado lá antes. Não seria uma prova que esteve lá na outra vida? E a terapia de vidas passadas: quando se hipinotiza uma pessoa e faz sua memória regredir até uma vida anterior... e a pessoa se recorda do que foi numa outra vida? Tudo isso não seria prova da reencarnação?

            Nada de reencarnação! A ciência pode explicar tranqüilamente todos esses fenômenos, boa parte deles provocada pelo nosso inconsciente. A psicologia e a parapsicologia científica hoje estão em condições de responder a tudo isso. E, mesmo que não estivessem, isso não provaria a verdade da reencarnação. Simplesmente a ciência não teria ainda chegado às causas verdadeiras.... mas um dia chegaria, como, de fato, chegou!

            A famosa “terapia de vidas passadas”, a pessoa não volta a uma outra existência, mas o que acontece é que seu inconsciente cria, inventa uma realidade fantasiosa; isso pode acontecer por vários motivos. Por exemplo: a pessoa hipnotizada aceita e dramatiza tranqüilamente as sugestões do hipnotizador já que a sua criatividade está exaltada pelo estado alterado de consciência; além do mais, quem se submete à terapia de vidas passadas, acredita na reencarnação, acha que já viveu outras vidas: é, portanto, um prato cheio para ser sugestionada! Já chegam ao hipnotizador com a tendência inconsciente de criar fatos.

            Como exemplo, cito a interessante experiência de um parapsicólogo, Wellington Zangari. Ele submeteu 10 pessoas à hipnose e sugeriu que elas fossem até à vida futura (não à vida passada!). Todas foram até o ano 2500. Todas estavam na mesma cidade no ano de 2500... o hipnotizador pediu que cada uma delas descrevesse como era o mundo ao seu redor. Digo somente o que duas viram: uma viu aeronaves nos céus, pois as pessoas não usavam mais carros; não havia mais viadutos, mas somente estações de pouso aéreas; não havia mais doenças; a pessoa hipnotizada disse que tinha 213 anos de idade e vivia com os pais, cada uma deles com 250 anos... e por aí a fora! A outra pessoa hipnotizada também foi para o ano 2500... mesma data, mesma cidade! E o que ela vivenciou? Tudo era escuridão: ela era uma das poucas sobreviventes da IV  Guerra Mundial, cega de um olho, morando nas ruínas em que a cidade se tinha transformado; não há médicos, há muita fome, não há água sadia para beber... uma grande nuvem atômica cobre a terra e já não se pode ver o sol!

            O que concluir? Cada uma das pessoas hipnotizadas criou uma fantasia de acordo com o seu inconsciente ou com a sugestão do hipnotizador. Ambas as narrações são puras fantasia, como são puríssimas fantasias as narrativas que as pessoas fazem sobre suas vidas passadas! Pode-se objetar: ah, mas muitas vezes as narrações descrevem fatos e lugares do passado que são comprovadamente reais e a pessoa que fez a regressão não tinha conhecimento deles! Como explicar. É muito simples: quem tem noção de psicologia do profundo, quem conhece o significado do inconsciente individual e do inconsciente coletivo e quem conhece o fenômeno extranormal de conhecimento chamado HIP ou os fenômenos paranormais chamados telepatia e clarividência, além da retrocognição, não se impressiona com esses argumentos!

            O mesmo vale para as aparições dos mortos, de fantasmas, de casa mal-assombradas e esses fenômenos todos. A ciência os explica! Certamente são fenômenos impressionantes e, quem não tem a mínima noção de parapsicologia atribui ou ao diabo, ou aos espíritos, ou aos exus... é tudo superstição! Os cristãos que atribuem isso ao diabo são tão supersticiosos quanto os espíritas, que os atribuem aos espíritos dos mortos ou quanto os adeptos do candomblé, que os atribui aos orixás! É triste que em pleno final de século XX ainda vejamos tanta superstição... e muitas vezes com capa de ciência e seriedade!

            Concluindo: 

·       Não há nenhuma prova científica que fundamente a reencarnação: ela é uma crença, fundada simplesmente nas convicções de fé de cada um e não na ciência. Veremos no próximo tópico que ela é incompatível com a fé cristã. 

·       Os fenômenos que aparentemente seriam causados por espíritos desencarnados são simplesmente causados por elementos deste mundo, sobretudo pelo nosso inconsciente ou, outros, por uma energia que temos e se chama telergia, que provoca fenômenos estranhos e impressionantes, tais como movimento de objetos, barulhos estranhos, incêndios fora do normal, vozes, etc. 

            No próximo tópico vamos responder a questão: a reencarnação é compatível com a fé cristã? Pode-se ser cristão reencarnacionista? 

A Reencarnação: uma idéia cristã ou pagã? - III 

Já há três tópicos estamos tratando da reencarnação. Como já expliquei, este tema não pertence à teologia nem à fé cristã. Trato dele aqui por motivos práticos, para deixar claro que a reencarnação não faz parte da fé cristã, não tem fundamento científico e contraria nossa esperança na ressurreição que Cristo nos prometeu.

Nos dois tópicos precedentes procuramos, resumidamente, responder à duas questões: 1) por que a reencarnação atrai tanto as pessoas e 2) a reencarnação é provada cientificamente. Vamos, no presente tópico, responder à última questão a que nos propomos: 

A reencarnação é compatível com a Escritura e com a fé cristã? 

            Se olharmos a Sagrada Escritura, veremos que aí não existe, nem por longe, a idéia de reencarnação. Para o povo judeu, bem como para todos os povos semitas, o homem é um todo inseparável: corpo e alma. A Bíblia jamais imagina o homem como sendo um espírito que vive preso num corpo! Na Bíblia a idéia é outra: eu sou meu corpo; eu sou minha alma! No Antigo Testamento, quando ainda se aguardava o Salvador, os judeus acreditavam que todos os mortos iam para o sheol, a morada dos mortos, até o dia da ressurreição, quando o messias viesse. Ressurreição, como já explicamos, do homem todo, corpo e alma! No Novo Testamento, com a Ressurreição do Senhor Jesus, já não há mais o sheol do Antigo Testamento: todos os que morremos no Senhor, ressuscitaremos no Senhor e como o Senhor - em corpo e alma! Jesus ressuscitado não é um fantasma: come, bebe, pode ser tocado! Ele é o modelo e o princípio da nossa ressurreição. É claro, portanto, que a Escritura nem sonha com esta idéia de reencarnação; nem mesmo se dá ao trabalho de combatê-la condená-la, pois os judeus nem a conheciam! É interessante, no entanto, citar um texto da Epístola aos Hebreus que, de passagem, fecha qualquer porta para a reencarnação: “Para os homens está estabelecido morrerem uma só vez e logo em seguida virá o juízo” (9,27). Como se vê, a Escritura é clara: morrer uma só vez e depois comparecer diante do Cristo juiz. Nada de voltar, nada de karma, nada de reencarnação! Peço que você releia os tópicos nos quais falávamos da ressurreição; aí aparece claro qual é a fé da Bíblia e dos cristãos.

            Mas, há ainda mais. Caso houvesse reencarnação, Cristo não teria utilidade nenhuma e o Novo Testamento estaria completamente enganado. Vejamos bem: a mensagem central do cristianismo é que Cristo morreu pelos nossos pecados: fomos salvos gratuitamente, sem merecimento nosso, graças ao Cristo que por nós morreu e ressuscitou. Paulo diz claramente, para citar só uma passagem: “Nós éramos, como os outros, por natureza destinados à ira. Deus, porém, rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, e estando nós mortos por nossos pecados, deu-nos vida por Cristo –de graça fostes salvos! –e nos ressuscitou com ele e nos sentou nos céus em Cristo Jesus” (Ef 2,3-6). São inúmeras as passagens do Novo Testamento que nos ensinam isso: o homem, por si mesmo, não pode se purificar nem merecer a salvação: é somente pela graça que nos é dada em Cristo que podemos ser salvos! Então, como falar ainda em karma, em purificar meu karma, em pagar meu débito? Pensemos na parábola do filho pródigo: se fosse para falar em reencarnação o pai diria ao filho: “Volta e paga até o fim tudo quanto fizeste de errado!” Mas não: o pai - que é imagem do Pai do Céu - perdoa, acolhe e, no seu amor, perdoa o filho completamente! É esta a idéia que a Bíblia tem de Deus e do perdão!

            Enquanto isso, os espíritas, que são reencarnacionistas, vejam o que dizem - exatamente por causa da reencarnação: “Não, a missão de Cristo não era resgatar com o seu sangue os crimes da humanidade. O sangue, mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve resgatar-se a si mesmo, resgatar-se da ignorância e do mal” (Leão Denis). “A salvação não se obtém por graça nem pelo sangue derramado por Jesus no madeiro, mas é ponto de esforço individual que cada um emprega, na medida de suas forças” (O Reformador - jornal espírita, outubro de 1955). “Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se não for em uma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes” (Allan Kardec). No livro espírita “Roma e o Evangelho”, o pretenso “espírito da Virgem Maria” (que horror!) diz assim: “Jesus Cristo não podia, nem quis assumir todas as responsabilidades individuais... e muito menos podia, pelo sacrifício de sua vida, remir a humanidade... A redenção da humanidade não se firma, pois, nos méritos e sacrifícios de Jesus, e sim nas boas obras dos homens!” Pensamentos assim são completamente contrários ao Novo Testamento. São Paulo teria um ataque cardíaco! Cito somente duas frases do próprio Cristo, que desmascara toda essa heresia reencarnacionista: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45), “Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado em favor de vós” (Lc 22,20) “... derramado por muitos para a remissão dos pecados” (Mt 26,28). 

            Quem tem razão: Cristo ou Allan Kardec? O Novo Testamento ou os espíritas?

Não se pode ficar com os dois! É preciso escolher! Aqui é ou ou! Não se pode crer, ao mesmo tempo, na reencarnação e na ressurreição; não se pode dizer que Cristo nos salvou na cruz e dizer que eu me salvo me reencarnando! Repito: um reencarnacionista elimina a cruz de Cristo e a sua ressurreição. Quem crê na reencarnação não é cristão nem pode ser! Dá pena a ignorância de quem coloca no retrovisor do carro um terço da Virgem Maria e, no vidro traseiro, a frase: Espiritismo: ciência, filosofia, religião! Que doidice! Que contradição! Que falta de raciocínio e coerência! Ou o terço cristão... ou o reencarnacionismo pagão!

            No próximo tópico falaremos de algumas passagens da Bíblia que os reencarnacionistas querem interpretar em favor da doutrina deles e mostraremos o que a Igreja sempre pensou da reencarnação. E aí terminaremos esta parte.

            Se você quiser aprofundar o que escrevi, leia o excelente livro de Frei Boaventura Kloppenburg: Espiritismo. Orientação para os católicos, Ed. Loyola. 

A Reencarnação: uma idéia cristã ou pagã? - IV 

            Já é hora de terminarmos nossa apresentação sobre a reencarnação e voltar ao que nos interessa realmente: apresentar, como temos feito, a escatologia cristã, a nossa esperança em Cristo Jesus! Com este tópico, portanto, concluiremos nossa apresentação da doutrina da reencarnação... tão querida ao Gugu Liberato, ao Fautão, à Rede Globo e à imprensa sensacionalista em geral!

            No presente tópico vamos responder a duas questões:

·          Que pensar de alguns textos da Escritura que os reencarnacionistas citam como prova de que a Bíblia aceita a reencarnação?

·            A Igreja em alguma época ensinou a reencarnção? 

            Comecemos por deixar claro que, em relação à fé cristã, deve-se afirmar com firmeza que o cristianismo nunca aceitou a reencarnação como uma explicação do que ocorre após a morte. J. HEAD e S.L. CRASTON, reencarnacionistas, afirmam que a Bíblia teria falado na reencarnação e que a Igreja teria alterado a Escritura para retirar daí a idéia de reencarnação. Pura loucura! Basta comparar a Bíblia cristã com a Bíblia dos judeus - não há diferença. Mais ainda: se a Escritura ensinasse tal idéia, a Igreja não teria nenhum problema em aceitá-la; se a Igreja rejeita decididamente a reencarnação é exatamente por ela ser contra a Escritura! Estes mesmos senhores, com pose de intelectuais, afirmam que a reencarnação era doutrina dos primeiros cristãos -como Orígenes, o grande teólogo de Alexandria do século III-, e isto até o século VI, quando a Igreja mudou a doutrina no III Concílio Constantinopolitano, em 563. Tal opinião não tem nenhum fundamento histórico, sendo fruto da ignorância ou da má fé.

A doutrina da reencarnação jamais poderia entrar na doutrina judeu-cristã, simplesmente porque, dados os pressupostos antropológicos e teológicos dessa doutrina, não existe a possibilidade de uma crença semelhante. Se não fosse a brevidade deste tópico, eu poderia citar numerosos textos anteriores ao século VI nos quais aparece claro que a Igreja jamais, em tempo algum e de modo algum, foi reencarnacionista. Repito: somente ignorância ou má fé podem afirmar o contrário.

Os reencarnacionistas dizem que Jesus aceitou a reencarnação ao afirmar que João Batista é o Elias que devia vir (cf. Mt 11,14; 17,12). Estão errados! Esquecem alguns detalhes importantes:

1.    Segundo a tradição popular dos judeus, Elias não tinha morrera (ou desencarnado, no modo de falar dos reencarnacionistas!). Se não desencarnou, se não morreu, não poderia se reencarnar! Leia-se, sobre isto, 2Rs 2,1-13, que narra o arrebatamento de Elias com corpo e tudo!

2.    O próprio João Batista afirmou claramente que não era Elias: basta dar uma olhadinha em Jo 1,21: “Quem és, então? És tu Elias?” - Ele disse: “Não o sou!” 

Por que, então, a Escritura diz que Elias voltará (cf. Ml 3,23-24)? Primeiro, o profeta Malaquias não diz que Elias vai se reencarnar... o texto diz assim: “Eis que vou enviar-vos Elias, o profeta, antes que chegue o dia do Senhor, grande e terrível. Ele fará voltar o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais, para que eu não venha ferir o país com extermínio”. O profeta Elias tinha vivido num tempo em que os filhos de Israel haviam abandonado a fé de seus pais no único Deus verdadeiro e tinham adorado a Baal. Elias, com sua pregação forte, fez o coração dos filhos voltar à fé dos pais! Para preparar a vinda do Messias, Deus enviaria um profeta com a mesma missão e a mesma força de Elias: o profeta João Batista que, com sua pregação forte exortou os filhos de Israel a abrirem o coração para as promessas que Deus fizera aos pais, promessa que mandaria o Messias. Só isso! Não adianta pegar frases soltas da Escritura para querer defender a idéia de reencarnação! É furado!

E na transfiguração, quando Moisés e Elias aparecem ao lado de Jesus? Não são espíritos desencarnados? Nada disso! Repito pela milésima vez: não existe na Bíblia esta idéia. Aqui, trata-se de uma aparição, do mesmo tipo das aparições de Nossa Senhora. Seria muito longo explicar aqui como acontecem essas aparições... basta dizer tranqüilamente que nem Moisés nem Elias desceram do céu para vir sobre o Monte Tabor!

Aliás, vários textos da Escritura afirmam claramente que não há retorno a este mundo depois da morte. Por exemplo: “Davi respondeu: ‘É verdade, enquanto o menino estava com vida, jejuei e chorei. É que pensava: Quem sabe, o Senhor terá piedade de mim, deixando com vida o menino.  Mas agora ele está morto: por que então eu ainda jejuaria? Acaso posso trazê-lo de volta? Um dia irei para junto dele, mas ele não pode mais voltar a mim’” (2Sm 12,22-23). “Ele contudo, misericordioso, perdoava a culpa e não os destruía; muitas vezes reprimiu a cólera e não acendeu todo o furor, recordando-se de que eram carne, um alento fugaz que não retorna” (Sl 78,38s). “Sabemos, com efeito, que ao se desfazer a tenda que habitamos – nossa casa terrestre – teremos nos céus uma casa preparada por Deus e não por mãos de homens, uma casa eterna. Pois gememos em nossa tenda, desejando revestir-nos de nossa morada celeste... Realmente, enquanto moramos nesta tenda, suspiramos oprimidos porquanto não queremos ser despidos mas sim revestidos de uma veste nova sobre a outra, para o mortal ser absorvido pela vida. Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos do corpo para morar junto do Senhor” (2Cor 5, 1s.4.8). “Estou como que na alternativa. Pois de um lado desejo partir para estar com Cristo, o que é muito melhor” (Fl 1,23). 

Quanto a Orígenes, o teólogo cristão do século III, deve-se esclarecer que ele não foi condenado por sustentar a doutrina da reencarnação, mas a doutrina da pré-existência das almas (as almas existiriam lá no céu antes de entrarem no corpo... depois da morte voltariam para lá com o corpo ressuscitado... para sempre!) e a doutrina da apocatástase (no final dos tempos tudo seria restaurado... e até Satanás se converteria!). O próprio Orígenes refutou decididamente a doutrina da reencarnação como sendo contrária às Escrituras e à fé da Igreja, justamente ao comentar Mt 11, acerca de João Batista e Elias! Orígenes, como todo cristão, acreditava e esperava na ressurreição! E, mesmo que Orígenes tivesse ensinado a reencarnação, ele não é a Igreja: seria apenas a opinião de um teólogo!

A crença na reencarnação é incompatível com a mentalidade judeu-cristã; é muito condizente, ao invés, com a mentalidade burguesa moderna, baseada nos princípios de eficácia e rendimento e na idéia de progresso autônomo do homem. A reencarnação é condizente com a visão do homem que se faz sozinho. Esta crença acaba por negar a esperança cristã: não há nada mais que esperar, somente um perdurar desfrutando os bens deste mundo uma e outra vez, mas sem nenhum “ser mais”. Para os cristãos, ao contrário, nosso destino é fruto do amor misericordioso de Deus Pai, que nos transformará para sempre à imagem do Cristo Jesus ressuscitado, numa vida tão plena que não dá nem para imaginar! 

Bom, terminamos por aqui nosso tema da reencarnação. A conclusão é a seguinte: trata-se de uma idéia de origem pagã, completamente estranha à mentalidade bíblica e à fé cristã. Crer na reencarnação elimina a fé na ressurreição, que é o centro da fé cristã. Assim, de modo algum é cristão quem afirma a reencarnação, já que não aceita que Cristo é Deus, não aceita nem pode aceitar que Cristo nos salvou (a pessoa se salva somente se reencarnando!) e não acredita na ressurreição! Por isso mesmo a Igreja não reconhece como seu filho nem como católico quem professa a reencarnação, quem invoca os espíritos ou quem participa de sessões espíritas. Estes colocam-se fora da comunhão com a Igreja católica... se auto-excomungam!

Até que enfim... terminamos. No próximo tópico voltaremos à escatologia, falando sobre o céu, a Vida eterna. Isto sim, é assunto de teologia, é assunto para cristão!

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Última atualização em Qua, 06 de Maio de 2009 11:17
 

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