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| Curso sobre a Igreja |
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| Qua, 06 de Maio de 2009 11:14 |
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Pe. Henrique Soares da Costa I - O mistério da Igreja O Cristo no qual acreditamos, adoramos e anunciamos ao mundo é aquele que resplandece na face da Igreja. De onde vem a Igreja? Do sonho eterno do Pai! Para isso, a Igreja foi prefigurada desde a origem do mundo. Por exemplo: a arca de Noé, a torre de Babel... Para realizar o seu plano de amor, o Pai enviou seu Filho: Ao terminar sua obra, enviou o Espírito Santo para santificar perenemente a Igreja e conservá-la unida a Cristo e vivendo nele e dele. Nas Escrituras a Igreja foi apresentada com várias imagens: Há uma imagem que é a mais bela e importante: a Igreja é o Corpo de Cristo! Esta é a Igreja de Cristo: É esta Igreja que professamos una, santa, católica e apostólica, II - O povo de DeusAprouve a Deus santificar e salvar os homens não individualmente, sem nenhuma ligação uns com os outros, mas constitui-los num povo, que o conhecesse na verdade e santamente o servisse. Assim, Deus, no Antigo Testamento, escolheu Israel - figura do povo que devia vir - e, no Novo Testamento, a Igreja, povo de Deus da nova aliança. Este povo, que é a Igreja, tem como cabeça Cristo, tem por condição a liberdade dos filhos de Deus, por lei o mandamento do amor e por meta o Reino de Deus. Este povo peregrino é para a humanidade sinal de unidade, esperança e salvação. Pelo Batismo, este é um povo sacerdotal, se bem haja no meio dele o sacerdócio ministerial. O povo de Deus participa da função profética de Cristo e da unção do seu Espírito, de modo que jamais pode enganar-se na sua fé... por isso a Igreja é infalível na sua fé católica e apostólica. Este povo é ainda sustentado pelo Espírito que nele reparte seus dons para a utilidade comum. O juízo último sobre a autenticidade e exercício de tais dons compete aos pastores da Igreja. Todos os homens são chamados a pertencer ao povo de Deus, para que Cristo seja cabeça de toda a humanidade. Este povo é, por isso, católico, chamado a penetrar em todas as culturas, assumi-las e purificá-las. Este povo não somente é formado por vários povos, e exprime-se como único povo nas chamadas Igrejas particulares que gozam de suas tradições. Em cada uma dessas Igrejas está presente a Igreja una, santa, católica e apostólica, pois aí os cristãos se reúnem na santa Eucaristia para escutar a Palavra sob a presidência do Bispo, sucessor dos apóstolos e do seu presbitério. A este povo são chamados todos os homens e a ele se ordenam de modos diversos, já que o único mediador entre Deus e os homens é Cristo, que se torna presente pelo seu Corpo, que é a Igreja. Assim, a Igreja é necessária para a salvação e não pode salvar-se aquele que sabendo que a Igreja católica foi fundada por Cristo não quiser nela entrar ou nela perseverar. É católico quem é batizado na Igreja católica, aceita a totalidade de sua fé e organização, bem como seus sacramentos. Contudo não se salva quem, permanecendo na Igreja, não persevera na caridade: permanece com o corpo e não com o coração. Alguns pontos de comunhão com os evangélicos: o batismo, a Escritura, a Trindade, a fé em Jesus salvador, alguns sacramentos, a unidade do Espírito Santo e, com os Orientais, o culto à Virgem Maria. Alguns pontos em comum com os judeus: a crença num único Deus, a mesma história de salvação, a mesma Escritura de Israel, os Patriarcas, a promessa, as alianças, a mesma esperança no messias. Alguns pontos em comum com os muçulmanos: a fé no único Deus, justo e misericordioso, a esperança no paraíso. Com todos os crentes: a abertura para o sobrenatural, a consciência que o homem sozinho não se basta. IV - A estrutura do Povo de DeusO povo de Deus é um povo de servidores, uma comunidade unida pelo Corpo eucarístico de Cristo, que vive na comunhão de fé e de amor, na diversidade dos ministérios e dos dons. Na Igreja todos são ministros (=servidores). Há, no entanto, alguns ministérios que são chamados ordenados, instituídos pelo próprio Senhor ou pelos apóstolos: são o episcopado, o presbiterato e o diaconato. Os Bispos são os legítimos sucessores dos Doze que o Senhor colocou à frente de sua Igreja. Como Pedro era o cabeça do grupo dos Doze, assim também o sucessor de Pedro na Igreja de Roma é o cabeça do colégio dos Bispos. Cada Bispo diocesano é verdadeiramente vigário de Cristo na sua Igreja e torna presente o Cristo pastor, profeta e sacerdote no meio do seu povo. No seu ministério o Bispo é auxiliado pelo presbitério e pela ordem dos diáconos. Jamais o Bispo pode exercer seu ministério isoladamente: deve estar em comunhão de fé e caridade com os outros membros do Colégio episcopal e com o seu cabeça, o Bispo da Igreja particular de Roma. No entanto o Bispo não é o representante do Papa na sua Igreja, mas o vigário do próprio Cristo! Quanto ao Bispo de Roma, ele é o sinal visível da unidade da Igreja católica, que é uma comunhão de Igrejas particulares. Por ser o pastor supremo da Igreja o Papa é infalível quando ensina ex cathedra sobre fé em costumes. Além do mais ele tem poder sobre toda a Igreja e sobre cada uma das Igrejas particulares, se for preciso utilizar sua autoridade. Os membros do povo de Deus que foram consagrados pelo Batismo e pela Confirmação e nutrem-se do Corpo do Senhor na Eucaristia são chamados de leigos (= membros do povo de Deus). Atenção: leigo = estar por dentro! Assim, leigo é todo membro do povo de Deus, exceto aqueles que receberam as ordens sagradas. Também os leigos participam das funções sacerdotal, real e profética de Cristo. Seu serviço deve ser realizado dentro da comunidade eclesial e em relação ao mundo, nas áreas onde atuam. Os leigos têm uma tarefa toda especial em relação ao mundo a ser evangelizado, sendo sal e luz no ambiente onde vivem e trabalham. Sua missão de anunciar o Evangelho não decorre da autorização da hierarquia, mas dos sacramentos do Batismo e da Confirmação. Há ainda aqueles, ordenados ou leigos, que se consagram a Deus pelos votos de pobreza, castidade e obediência: são os religiosos. A vida religiosa é um carisma entre tantos outros na Igreja. Um carisma que a Igreja acolhe e cerca de um cuidado todo especial. Eles são um sinal da radicalidade do Evangelho e têm a missão de recordar a toda a Igreja que somos peregrinos: não temos aqui na terra cidade permanente. Assim, a Igreja, povo de Deus, é uma comunhão de ministérios e carismas: todos são ministros, todos recebem carismas para o crescimento do corpo de Cristo! V - Toda a Igreja é chamada à santidade enquanto peregrina para a PátriaA Igreja é indefectivelmente santa, porque Cristo, Filho de Deus, que com o Pi e o Espírito Santo é proclamado único Santo amou a Igreja como sua esposa e se entregou por ela para purificá-la (cf. Ef, 5,25s). Uniu-a a si como seu corpo e a vivificou com o seu Espírito. Isto somente pode ser percebido na fé. Por isso, todos os membros da Igreja participam já agora da sua santidade, devem testemunhá-la com sua vida e crescer cada vez mais nesta santidade: somos santos e chamados a ser santos (cf. 1Ts 4,3; Ef 1,14). No entanto, é necessário também reconhecer que a Igreja é santa e pecadora: indefectivelmente santa pelo Espírito do Cristo que nela habita; pecadora, pela fraqueza de todos os seus membro. Instrumentos de santificação: a vida sacramental, Este povo santo e pecador é peregrino: seu destino é a Pátria eterna, a Glória de Deus, na comunhão com o Pai pelo Filho no Espírito, quando, então, Cristo levará sua Igreja à plenitude e haverá de purificá-la completamente. Já agora Cristo vai conduzindo e atraindo sua Igreja na potência do Espírito, de modo que podemos dizer que o final dos tempos já chegou. Esta consciência empenha os cristãos a viverem na expectativa do Dia do Senhor, desejando-o ardentemente. Saber que caminha para a Pátria faz a Igreja: auto-relativizar-se: ela não é fim em si mesma, mas humilde instrumento; não é senhora, mas serva; relativizar o mundo com suas grandezas: tudo é provisório quando comparado às promessas do Senhor; nada é perfeito, completo, eterno; tudo é sujeito à crítica e ao aperfeiçoamento; encher-se de esperança já agora, na certeza que Deus cumprirá as promessas. Assim, a Igreja colabora na construção de um mundo melhor esperando o mundo que há de vir. Até que o Senhor venha, alguns de seus discípulos peregrinam ainda na terra, outros, terminada esta vida, são purificados, enquanto outros ainda, já glorificados em Deus uno e trino, esperam somente a ressurreição final, quando nossos corpos serão glorificados no Corpo de Cristo, que é a Jerusalém celeste, a Igreja da Glória. Todos estes irmãos, seja em que estado se encontrem, estão unidos na mesma caridade do Pai, que é o Espírito Santo, difundido no Corpo de Cristo. A comunhão entre nós e os irmãos que já partiram de modo nenhum se interrompe, antes, é aprofundada e purificada... até que, no Último Dia, o Dia da ressurreição, estejamos todos com Cristo, na Igreja da glória, na Jerusalém celeste, num novo céu e nova terra. Esta Igreja peregrina contempla a Virgem Maria como sua prefiguração e a certeza do triunfo final da graça. Maria, membro supereminente da Igreja, perfeita redimida, é modelo da comunidade eclesial, virgem e mãe: como ela, a Igreja, crendo e obedecendo deve gerar, na potência do Espírito, pelo Batismo, os irmãos de Jesus neste mundo; como Maria a Igreja é virgem, pois guarda íntegra e pura a palavra dada ao Esposo; como Maria, a Igreja peregrina na fé e na esperança vai cantando seu magnificat, na esperança da Glória eterna. Artigos Relacionados: |
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