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Editoriais do Semeador
Dom, 10 de Maio de 2009 21:12

            O Santo Padre tornou pública a sua Exortação Apostólica, Sacramentum Caritatis, fruto do último Sínodo dos Bispos, que teve como tema a Eucaristia. 

            É um belo texto, que trata com grande amplidão de horizontes a admirável profundidade teológica do Sacramento por excelência, o Sacramento do Amor, Sacramento da Caridade, do Ágape de Deus por nós em Cristo Jesus que se entrega no Espírito Santo como Cordeiro eternamente imolado e ressuscitado. 

No texto, o Papa aborda a relação da Eucaristia com a Igreja e com cada um dos sacramentos, fala da relação profunda entre a Eucaristia e a missão, insiste sobre a celebração eucarística, que deve ser bela da beleza de tornar presente a Páscoa de Cristo na nossa vida, recomenda, novamente, com humilde veemência que não se brinque com os santos mistérios, mas se respeite de verdade as normas litúrgicas, suplica que os sacerdotes deixem que seja Cristo o protagonista de Celebração e fala com paixão da incidência que o mistério eucarístico deve ter na vida do cristão em todos os seus âmbitos e níveis. Um grande documento, portanto... 

Mas, a imprensa nem ligou para tudo isso, nem deu bola para o essencial. Foi direto às futricas, às passagens mais periféricas, que somente podem ser compreendidas se alguém compreender o essencial: o amor de Cristo que se entrega ao Pai e a nós numa eterna e amorosa imolação pascal, convidando-nos a que nos unamos a ele com toda a nossa vida. Do que tratou a senhora imprensa? O que noticiou: que este pontificado é conservador porque no documento o Santo Padre manteve a disciplina do celibato sacerdotal, sustentou que os divorciados que vivem numa nova união não devem comungar e que a união homossexual não corresponde ao projeto de Deus para o amor humano... Interessante! Pensam, os dos meios de comunicação, que um Papa é um fazedor de novidades, que o Sucessor de Pedro, primeiro que tem o dever de escutar o Senhor, de obedecer à sua Palavra expressa na Escritura e na Tradição da Igreja, primeiro a dever guardar a integridade da fé, vá inventar modas e modificar a fé da Igreja de Cristo! Bento XVI não fez mais o que se espera de um Papa! 

Infelizmente, o que interessa aos meios de comunicação não é a verdade de Cristo e sim as novidades que, no interior da Igreja, possam gerar tensão ou virar manchete... O amor de Deus manifestado na cruz do Senhor, a revolução que o Evangelho causa na nossa vida, os novos valores que o Senhor Jesus descortina na vida dos que o descobrem e aceitam segui-lo... essas coisas, realmente, não interessam ao mundão que corre por sua própria conta... 

Isto nos deve prevenir: as opiniões da moda, o parecer dos meios de comunicação, os cânones do politicamente correto, não devem nos impressionar nem nos pressionar. Nosso critério é um outro: é o Cristo e sua beleza – a beleza da verdade que se apresenta como amor que dá vida dando a própria vida! 

Agora, neste tempo quaresmal, é este amor que devemos redescobrir, é a esta verdade que devemos aderir sempre de novo. E esse amor tem nome: Jesus; essa verdade é uma pessoa: o Cristo de Deus! Compreenderá o cristianismo, compreenderá as posições da Igreja quem realmente aderiu ao Senhor Jesus, pondo-se no seu seguimento ou, ao menos, que, com boa vontade, colocar-se na escuta do Cristo de Deus. A questão é que isso exige uma atitude de constante conversão, um deixar-se a si mesmo do seu próprio modo para encontrar-se a si próprio no modo de Cristo. Eis a verdadeira vida, a verdadeira libertação, a verdadeira felicidade que o Evangelho de Cristo nos propõe e a Igreja nos repropõe sempre. Mas, cuidado: aqui não se tratam de teorias teológicas, de grandes estudos, seminários, eventos e congressos... Aqui se trata da aventura de seguir o Senhor a cada dia, na vida miúda e pobre, na oração humilde e perseverante, na piedosa prática sacramental, no esforço de amar de verdade em casa, no trabalho, na comunidade, no grupo de Igreja e nas nossas relações interpessoais. Não existe mágicas nem piruetas que gerem cristãos. Existe somente o caminho da conversão do coração num amor sincero e desapegado ao Senhor! 

Que o Cristo-Deus nos conceda esta graça para que, assim, possamos saborear a beleza da nossa fé e descobrir o essencial do nosso ser cristão.

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