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Missionário: enviado para testemunhar Alguém PDF Imprimir E-mail
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Dom, 10 de Maio de 2009 21:13

  Estamos terminando outubro, consagrado às missões. É bom que nos perguntemos mais uma vez: quem é o missionário? Seria um propagandista da fé? Seria, para usar uma palavra atual, um marketeiro de Jesus? Seria, ainda, um vendedor de esperança? 

Não. Nada disso. O missionário é, fundamentalmente, uma testemunha. É alguém que encontrou Jesus na estrada da vida, alguém que se sentiu olhado com amor pelo Senhor, escutou o Cristo pronunciando seu nome e dizendo “Segue-me”. E o seguiu nos incertos caminhos da vida. E foi sendo cativado por Jesus, foi-se encantando mais e mais por ele, a ele foi-se unindo na escuta amorosa da Palavra, na vivência piedosa e íntima dos sacramentos, a ponto de dizer: “Eu vivo, mas já não sou eu. É Cristo quem vive em mim!” De tal modo este alguém esteve unido a Cristo, de tal modo contemplou-o e encantou-se com ele que, agora, sua vida é uma manifestação do próprio Senhor. O seu “eu” vai se tornando transparência do “eu” de Cristo: “Eu vivo, mas já não eu: é Cristo!” Talvez o leitor esteja pensando que isso é a experiência de todo cristão verdadeiro, de todo autêntico discípulo de Cristo. É verdade! E é isso exatamente um missionário: um cristão, um discípulo, de tal modo apaixonado pelo seu Senhor que já não consegue deixar de falar daquele que mudou sua vida, que deu novo rumo à sua existência, que encheu de sentido os seus dias neste mundo. Assim, o verdadeiro missionário não é uma propagandista, não é um marketeiro, não é um vendedor: é uma testemunha! Missionário somente pode ser quem experimentou pessoalmente o senhorio amoroso de Cristo. Somente este pode ir ao mundo com uma convicção que não vem do mundo. Ir ao mundo como quem viu e ouviu, como quem experimentou – eis o que é o missionário. Um dos grandes problemas de missão hoje é que estamos num período de baixa intensidade de vida espiritual. E quando isso acontece, o missionário, sem experiência viva de Cristo, ao invés de testemunhar o Senhor vai anunciar idéias e projetos de promoção humana e assistência social. Isso não é missão nem gera Igreja. O projeto Rondon, as ONGs e os partidos políticos por aí a fora já propagam idéias e sustentam obras de promoção humana... Ou se é testemunha viva de uma experiência viva de um Cristo vivo ou a missão vai por água abaixo! Aqui está o cerne da questão! 

Mas, há mais uma coisa. A palavra “missão” vem do latim “missio”, “envio” e de “missus” que quer dizer “ser enviado”. Sendo assim, ninguém pode ser missionário por conta própria. O missionário é um enviado pelo Senhor. E este envio somente pode se dar pela mediação da Igreja; nunca fora dela, nunca contra ela! Um exemplo luminoso é aquele de São Paulo: apesar de chamado diretamente pelo Senhor, fez questão de ir conferir e ajustar sua pregação com aqueles que eram apóstolos antes dele e, já antes mesmo, não ousou partir em missão até que o Espírito Santo, no decorrer de uma Eucaristia, estando a Igreja reunida, determinasse: “Separai-me Barnabé e Paulo para a missão!” O missionário, portanto, testemunha o Cristo vivo, experimentado por ele de um modo vivo. Mas, não um Cristo qualquer, não um Cristo fruto dos delírios interiores de cada um ou da imaginação de cada visionário. Desses sempre existiram e existem muitos na história do cristianismo. Todos se separaram da Igreja, todos caíram na heresia, todos fundaram sua própria igrejinha... O autêntico missionário, ao invés, testemunha e anuncia o Cristo crido, adorado e proclamado pela sua Igreja católica. Então, o testemunho missionário é algo profundamente pessoal, pois que nasce de uma experiência pessoal de Cristo e, por outro lado, uma realidade profundamente comunitária, eclesial, pois um cristozinho provado, fruto de idéias mirabolantes de um visionário qualquer, não passaria de uma ilusão. 

Então, pensando bem, missionários devem ser todos os que foram de tal modo abrasados de amor pelo Senhor, que já não podem não falar dele, já não podem deixar de anunciá-lo... Missionário deve ser cada um de nós, sobretudo na nossa atual situação de profunda e veloz descristianização. Nossa família, nossa cidade, nosso país esperam testemunhas de Jesus Cristo, que revelem ao mundo a beleza, a alegria, a esperança e a paz de ser cristão...

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