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| Ainda a Crise |
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| Editoriais do Semeador |
| Sex, 15 de Maio de 2009 18:49 |
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O Brasil acompanha, confuso, triste e decepcionando, o montão de CPIs em evolução no Congresso Nacional. Não sabemos se tudo isso terminará com a revelação de toda a máquina de corrupção que foi montada em profundo desrespeito ao Povo brasileiro e a devida punição dos culpados ou se, como é realmente possível, tudo isso acabe em pizza, como se diz. Alguns pontos, no entanto, já aparecem claramente e é preciso admitir com franqueza: (1) Toda essa lama mostra o quanto o País precisa de uma reforma política urgente. Nosso sistema político é doente, é podre e incentiva e propicia a corrupção. Não é mais possível continuar assim! A questão da fidelidade partidária, do número de partidos, da coerência programática, da proibição de mudança de partido e dos gastos exorbitantes e do financiamento das campanhas eleitorais precisão ser repensadas com urgência. (2) O Partido dos Trabalhadores degenerou-se na sua própria estrutura. Há petistas honestos, decentes, há gente que foi metida nisso sem nunca ter idéia da lama que havia na estrutura partidária. Mas, não há mais como negar que toda aquela bandeira ética do PT simplesmente foi pisada, enlameada, rasgada e queimada. O PT, como se apresentava, defensor dos grandes programas sociais e da pureza ética, simplesmente acabou. Sua política econômica e social foi um estelionato eleitoral, enquanto seguiu no governo o programa que condenara durante a campanha. Quanto à ética petista, é de arrepiar; ela simplesmente, inexiste! (3) O Presidente Lula não é inocente. Ninguém com um grama de inteligência pensa que Lula não sabia de nada. Admitir isso, seria chamá-lo de demente, de pouco inteligente, e ele não o é. O que entristece é a forma extremamente demagógica e pouco responsável como o Presidente se comporta, com um discurso totalmente vazio e apelativo. Seria necessário admitir francamente ante o Povo brasileiro sua responsabilidade em toda essa sujeira. É necessário investigar e ir até às últimas conseqüências no que tange à responsabilidade do Presidente. Por mais que doa, por mais que estraçalhe os sonhos e esperanças dos brasileiros, não pode haver dois pesos e duas medidas! (4) É preciso ter cuidado para não cairmos em simplificações injustas. Por exemplo: há muitos políticos não petistas posando de éticos quando, na verdade têm uma história política absolutamente podre; como há petistas que foram vítimas de todo esse esquema. É preciso ter muito cuidado para punir os culpados e não crucificar injustamente os políticos que foram envolvidos de modo alheio à sua vontade. Um exemplo: nossa Assembléia Legislativa tem mesmo moral para abrir uma CPI investigando o Deputado Paulão? Quando o regime militar terminou, pensamos: agora estamos em plena democracia. Aos poucos, vemos aprendendo que a democracia não é construída de uma hora para outra nem consiste simplesmente em poder eleger presidente e governador. A democracia acontece, de fato, quando a sociedade cria instituições fortes para representar e defender os interesses dos cidadãos, quando aqueles que são eleitos para governar têm consciência que devem contas ao povo que os elegeu, quando o sistema como um todo tende a ser o mais inclusivo possível, superando as grandes disparidades e os grandes abismos entre mais ricos e mais pobres, quando a justiça é exercida para todos e em benefício de todos. A Igreja tem responsabilidade nesse processo. Deve ajudar os seus filhos e a toda a sociedade a elaborarem critérios éticos na construção desse processo. Isso sem cair na tentação de partidarismos ideologicamente motivados, na imaturidade da lógica dos dois pesos e duas medidas e na confusão entre busca do bem comum e envolvimento político partidário dos seus ministros.Artigos Relacionados: |
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