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Editoriais do Semeador
Sex, 15 de Maio de 2009 20:42

            O futebol do Brasil está para recomeçar suas atividades de 2003. Os clubes estão em plena preparação: novos técnicos, novos jogadores, revelação de talentos. O Brasil de Pelotas, time do Rio Grande  do Sul, teve uma idéia original para começar bem o ano: chamou um “obreiro” pentecostal, um grupo de mães-de-santo da umbanda e um padre católico para fazerem uma reza, uma munganga, um pequeno ato de superstição, um singelo rito mágico com o objetivo de garantir sucesso nos jogos de 2003...

            A superstição e o sincretismo são tão antigos quanto a humanidade e estarão presentes enquanto o mundo for mundo... Fazem parte da sede de Infinito que invade o coração humano e da situação de pecado e cegueira na qual estamos atolados. O que é novo mesmo e difícil de aceitar é a gente ver, com muita tristeza, padres católicos (nossos padres!) prestando-se a este tipo de coisa! E tudo isso sob o pretexto enganoso de “ecumenismo” e tolerância religiosa. Isto é tudo, menos ecumenismo! Vivemos tempos difíceis, de apostasia generalizada da sociedade ocidental em relação à fé cristã: triunfam o relativismo em relação à verdade da fé, em relação à moral; imperam o comodismo e a falta de piedade e de um compromisso sério com o Evangelho... e com o próprio Cristo. Recentemente o Roberto Carlo disse que não aceita tudo quanto Cristo ensinou – ele julgou o Cristo e, em alguns pontos, o reprovou: de cristão passou a adepto da nova era! No Brasil, uma enorme parte dos católicos pensa que pode misturar catolicismo com espiritismo, culto afro, seitas esotéricas e outras coisas mais... Ora, a Igreja e seus ministros têm a obrigação de anunciar a verdade de Cristo, da qual ela é depositária e guardiã, sem medo, sem ambigüidades, sem meios termos, bem ao contrário deste tipo de atitude do padre que foi fazer munganga para o Brasil de Pelotas!

O ecumenismo que a Igreja defende e promove é o trabalho e a oração pela unidade plena dos cristãos, não a mistura sincretista ou a idéia torta que todas a religiões são iguais. O objetivo do ecumenismo é que os cristãos cheguem à unidade plena e visível da Igreja. A Igreja católica ensina que ela é necessária para a salvação, porque Cristo, o único Salvador, a quis, a fundou e deu-lhe a missão de continuar sua missão (Concílio Vaticano II - LG 8). A Igreja não é facultativa ou sem importância: aderir a Cristo exige a pertença à sua Igreja, pela qual Cristo fala e na qual Cristo dá a salvação, sobretudo nos sacramentos da fé. Mais ainda: esta Igreja de Cristo é única e permanece de modo pleno somente na Igreja católica, fundada por Cristo: “Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste (= permanece inteira, continua íntegra na sua essência) na Igreja católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele” (Concílio Vaticano II - LG 8).

            Quando um padre vai fazer uma “benzedura” com outras religiões, ele está simplesmente partindo da idéia que todas as religiões são iguais! E isto é totalmente contrário à fé católica! Mais ainda: aquele ato não foi um ato de fé, mas um ato de superstição, para dar sorte, para livrar das influências negativas. Um torcedor, presente ao ato mágico e pagão afirmou candidamente: “O Brasil de Pelotas, param mim, é uma religião”, e um outro ensinou: “A fé nos títulos (não em Cristo!) faz a gente pedir a proteção de todos os santos”. O Papa, quando convocou todas as religiões para rezarem em Assis, teve o cuidado de distinguir primeiramente entre cristãos e não-cristãos: os cristãos rezaram juntos, os não-cristãos rezaram, cada grupo no seu lugar separado. Quanto a uma oração ecumênica cristã, somente tem sentido quando preparada em comum e segundo a orientações de um sadio ecumenismo.

            Quando será que nós, cristãos católicos - a começar pelos nossos pastores! – vamos claramente retomar a consciência da novidade e da unicidade e preciosidade do Cristo e do seu Evangelho? Quando vamos voltar a tratar com santidade as coisas santas e não mais jogar pedras aos porcos? Quando vamos recobrar a consciência da santidade e unicidade da Igreja e do tesouro que temos para conservar e difundir? Atitudes como estas, do padre, com razão escandalizam, confundem e decepcionam o povo de Deus, que espera de seus pastores posições claras e firmes, num mundo confuso e incrédulo. O católico deve ter respeito por todas as religiões e dialogar com todas, deve promover um sadio ecumenismo com os irmãos cristãos das várias denominações, mas manter firme a consciência da unicidade e santidade da Igreja católica, evitando tudo aquilo que dê margem a equívocos e confusões.

            Que Deus ilumine o povo de Deus e dê juízo a seus pastores!

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