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| Aquele tesouro escondido... |
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| Editoriais do Semeador |
| Sex, 15 de Maio de 2009 23:53 |
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“O maior dentre os últimos acontecimentos – que Deus morreu, que a fé no Deus cristão fez-se incrível – já lançou suas primeiras sombras sobre a Europa...” Estas palavras são de Nietzsche, filósofo ateu alemão do século passado. Palavras terríveis e, no entanto, proféticas: o filósofo constatava a morte de Deus na vida do Ocidente, que o apagou de sua consciência coletiva sócio-cultural. Isto mesmo: os que fazem a cultura, os que ditam os valores e normas de comportamento de nossa sociedade, agem como se Deus não existisse! Para eles, efetivamente, Deus morreu! Está ausente das rodas dos manda-chuvas da economia e da política, da reflexão de grande parte dos intelectuais e dos astros e estrelas da mídia... Mesmo quando se fala em Deus, de que Deus se fala? De um deusinho vagabundo, que não passa de um ídolo reduzido miseravelmente a uma idéia vaga que diz “amém” a todas as loucuras e caprichos nossos... Deus – o verdadeiro! - está morrendo na consciência de nossa civilização. Nietzsche dizia que esta realidade (que ele considerava uma “boa-nova”!) já estava dando seus primeiros frutos na Europa... E deu: as duas grandes guerras mundiais, os sistemas totalitários e os genocídios! E continua dando frutos, não somente na Europa – velha em todos os sentidos! -, mas também nas Américas e demais países “ocidentais”. Nossa sociedade encontra-se atolada numa incrível crise de valores, num terrível vazio moral: falta uma reflexão ética - e uma ética inspirada nos valores cristãos - no âmbito da cultura, da economia, da sexualidade, da família, dos meios de comunicação, da política... As pessoas já não mais conseguem encontrar um sentido para sua existência: os jovens drogam-se com entorpecentes; os adultos, com a febre do consumismo, da busca desenfreada pelo prazer e pelo poder... Tudo isso porque as pessoas já não conseguem encontrar de modo claro um sentido para a vida: empurra-se a existência com a barriga! Três fenômenos de nossa cultura ocidental e de nossa época – fenômenos novinhos em folha! – mostram este vazio de sentido: (1) o consumismo desenfreado, muito bem representado pelas catedrais modernas, que são os shoppins centers. Consome-se e consome-se para ter-se a impressão de que se está preenchendo a existência e satisfazendo a saudade de infinito do nosso coração; (2) a profusão frenética de eventos esportivos e shows: vivemos de evento em evento, de show em show, de espetáculo em espetáculo... para fazer de conta que estamos nos preparando para algo, esperando algo, dando sentido e alegria aos nossos dias. Aí grita-se até à exaustão aqueles chavões tão duvidosos e de sentido tão ambíguo: “Esporte é vida! Esporte é saúde! O esporte confraterniza os povos e traz a paz aos homens!” No passado dir-se-ia que Cristo é Vida e paz (e só ele!), que Cristo dá saúde e alegria ao coração, que somente em Cristo o homem se descobre filho de Deus e, portanto, irmãos uns dos outros! Mas, numa sociedade sem Deus, é necessário encontrar outros tipos de religião... Observem-se as premiações dos jogos olímpicos: quanta pompa, quanta gravidade, quanta gente perfilada... parece uma coisa tão importante, tão séria... de vida ou morte! e (3) a explosão do mercado do turismo, explosão exagerada, sobretudo nos países ricos, mostrando o quanto as pessoas, com medo de entrarem em si mesmas, de viajarem para o interior de si, precisam escapar, conhecer sempre novas coisas e novos lugares, entretendo-se para não enfrentar a mesmice da existência que nos faz perguntar pelo sentido da vida! Que esperar de um sociedade assim? No Evangelho, Jesus fala do Reino: que é a presença de Deus no coração do homem e do mundo. Presença que ele veio trazer e que se torna uma realidade quando nos abrimos de verdade à sua palavra. Quem o encontra, encontra o sentido da vida – como ele mesmo, que sabia de onde vinha e para onde ia: “Saí do Pai e vim ao mundo; deixo o mundo e volto ao Pai” (Jo 16,28). Quem encontra Jesus, encontra o Reino; quem encontra o Reino, encontra o sentido da existência e já não mais precisa fugir, drogar-se com essas drogazinhas que o mundo atual oferece, empanturrar-se com as bugigangas que a sociedade atual nos coloca à disposição... Quem encontrou o sentido da existência encontrou o maior de todos os tesouros, aquele escondido que, uma vez nosso, ninguém nos poderá tirar! Artigos Relacionados: |
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