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| As Babilônias da vida |
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| Editoriais do Semeador |
| Sex, 15 de Maio de 2009 23:54 |
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Mais uma vez o pobre mundo encontra-se na iminência de uma guerra. Não se sabe bem aonde ela nos levará nem como terminará. No entanto, certamente, tudo será como das outras vezes: vidas serão destruídas, lares desfeitos, inocentes chorarão... Como sempre, o motivo é a insanidade humana, é a prepotência de alguns e a tirania de outros, é a ganância, que leva a querer mais poder, domínio, riqueza... Ninguém duvida que o Iraque tenha um governo ditatorial, ilegítimo, assassino e tirânico. O que impressiona muito mais é a atitude dos Estados Unidos. Seu presidente julga-se o senhor do bem e do mal, o supremo juiz do planeta, único capaz de decidir se um país e um governo podem ou não existir, são ou não legítimos: tudo que não concordar com os interesses e os planos estadunidenses, deve ser afastado, eliminado, destruído! Quanto poder! Para quem conhece a História, esta postura prepotente é a mesma de tantos e tantos impérios que se impuseram sobre o mundo: Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia, Roma, França napoleônica, Inglaterra, Império nipônico, Alemanha nazista, Rússia soviética... Todos eles se julgavam fortes, defensores da única verdade (a deles) e, naturalmente, indestrutíveis e eternos. E todos eles caíram de podre, fracassaram, findaram... Os estadunidenses julgam-se uma hiperpotência eterna: sua cultura (enlatada) domina nossos meios de comunicação, a cabeça dos nossos jovens e a imaginação de nossas crianças, sua tecnologia impõe-se com todo o vigor, seus tentáculos financeiros e comerciais esmagam quem quiser competir com a força ianque! O Estados Unidos (“Deus abençoe a América” – eles dizem”) imaginam que são eternos, são o prolongamento, a personificação do próprio Deus! Um cristão não se impressiona com isso! Ele sabe quanto a grandeza humana é pequena e a força dos homens é frágil. Na Escritura Sagrada há um símbolo de todo este grande poderio que se torna nada: Babilônia, a grande força dos séculos VII e VI antes de Cristo, o império tão forte, tão colossal e tão fugaz... de repente acabou-se. É interessante como o mesmo profeta Jeremias que fala sobre a força irresistível do Império, profetiza em tons irônicos e satíricos a sua queda: “Assim diz o Senhor dos Exércitos: aqui estou contra ti, arrogante! Chegou teu dia, a hora de prestares contas: tropeçará a arrogante, cairá, e ninguém a levantará! Cidade opulenta, que vive entre canais: chega teu fim e te cortam a trama. A grossa muralha de Babilônia será desmantelada, suas altas portas serão incendiadas, para nada trabalharam os povos, para o fogo se afadigaram as nações” (Jr 51,31s.13.58). Efetivamente, todo o esplendor de Babilônia está hoje enterrado nas areias do deserto do atual Iraque. Que ironia! O imperador César Augusto Bush deveria pensar nas lições da História e da Palavra de Deus. E nós também! Temos todos o péssimo hábito de nos embebedar com nossos feitos, com nossos projetos, com as coisas e idéias e pessoas às quais amamos; temos a mania de ver os grandes e fortes do mundo e nos submeter tranqüilamente a eles, pensando que são eternos: “Para eles não há dissabores, seu ventre está sadio e roliço; não passam pelas fadigas humanas, nem sofrem como os demais. Por isso seu colar é o orgulho e vestem traje de violência. Por isso meu povo se volta para eles e deles bebem copiosamente. E dizem eles: ‘Acaso Deus conhece alguma coisa? Existe conhecimento no Altíssimo?’ Eis que os ímpios são assim e, sempre tranqüilos, ajuntam riquezas” (Sl 73/72). A Palavra do Senhor ensina-nos que tudo passa, que tudo é fugaz, que neste mundo somente tem valor o que brota do amor, o que nos faz mais gente, mais humanos... porque somente isso nos leva a Deus verdadeiramente, Ele, que é o sentido último de nossa existência. É penoso constatar que o mundo dos impérios e dos corações – o mundo de cada um de nós, o mundo no qual vivemos -, não aprendeu a lição! Continuamos embriagados pelo poder, pela grandeza, pelas posses, pelo nosso orgulho. Por essas coisas, muitas vezes traímos nossa consciência, sufocamos o que de melhor há em nós... e vamos nos tornando alienados, vazios e infelizes... Pobres Estados Unidos, que passarão, apesar de suas muralhas tão altas! Pobre humanidade, que busca plenitude no consumo, na aparência, na satisfação dos sentidos e sentimentos e nas posses; pobres de mim e de você, caro leitor, que tantas vezes e de tantos modos nos deixamos fascinar e seduzir pelas coisas que passam tão rapidamente. O Senhor Jesus, o único Eterno, olha para nós, balança a cabeça negativamente e censura: “Estais contemplando estas coisas... Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra que não seja demolida!” (Lc 21,5). Artigos Relacionados: |
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