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Editoriais do Semeador
Sex, 15 de Maio de 2009 23:56

A Igreja, desde sempre, preocupou-se com a educação. É parte do mandato que ela recebeu do Cristo Jesus: “Ide! Ensinai! Fazei discípulos meus”. Basta que pensemos em São Pacômio, no século IV, que desenvolveu um trabalho alfabetizador, em São Bento e nos beneditinos, que, a partir do V século, foram evangelizadores e educadores dos povos bárbaros que chegavam à Europa; pensemos ainda nas congregações da época moderna, que se dedicaram à educação da infância e da juventude, fundando creches, escolas e colégios. As grandes universidades da Europa nasceram sob os auspícios da Igreja e, ainda hoje, entre nós, temos tantos e tantos colégios católicos (colégios mantidos pelas diversas ordens e congregações religiosas e colégios mantidos pelas diversas dioceses) e universidades (tanto universidades mantidas por ordens e congregações, quanto as PUCs, as universidades pontifícias, sob os cuidados da Santa Sé).

Hoje temos, no nosso País, a educação pública mais democratizada e um sem números de escolas particulares e cursinhos oferecendo ensino eficiente, seguindo os mais diversos métodos pedagógicos e toda uma parafernália de acessórios em atividades extraclasse. No entanto, a educação católica é, ainda nos nossos dias, uma opção excelente, e isso por vários motivos.

(1) Educar não é simplesmente transmitir conteúdos acadêmicos que possibilitem sucesso profissional e um bom lugar no mercado de trabalho. Educar é transmitir uma concepção de vida, uma mundivisão, isto é, um modo de ver e sentir o mundo, a existência e o próprio Deus. Ora, que visão da vida a infinidade de escolas hoje oferece? As escolas católicas têm uma proposta precisa: um modo cristão, evangélico de abordar a complexidade da existência. Precisamente agora, que os pais não têm o tempo nem (muitas vezes) a competência necessárias para estar com seus filhos, para passar-lhes os valores cristãos, faz-se mais urgente que nunca que a escola cumpra uma parte substancial dessa tarefa. Tristes das crianças e dos jovens que na escola encontram somente um banco de dados acadêmicos e propostas esportivas.

(2) Aqui entra, precisamente, um segundo motivo para a valorização das escolas católicas: a possibilidade de que os filhos tenham acesso a uma catequese mais específica. Eis alguns exemplos: as aulas de educação religiosa segundo a fé católica, a iniciação cristã (crisma, primeira comunhão) oferecida e acompanhada pela escola, encontros e cursos especificamente voltados para o desenvolvimento da vida espiritual cristã. Isso não é pouco, sobretudo num mundo onde tudo é relativo e a religião virou supermercado de crendices deixadas ao bel-prazer de cada um, como se não existisse a Verdade, mas somente “verdades”, feitas sob medida para cada um...

(3) Nas escolas católicas há um ambiente para uma convivência sadia e o objetivo do processo educacional tem um forte cunho humanizador. Num mundo que se desumaniza, numa sociedade que valoriza a competição pela competição e só privilegia os resultados e objetivos imediatos, é indispensável educar para a solidariedade e a fraternidade.

Poderíamos citar ainda outros motivos para a valia ainda agora atual das escolas católicas. Seria muito bom – é até mesmo urgente! – que os pais católicos redescobrissem esta riqueza de uma educação segundo a fé da Igreja. Seria bom também que as escolas retomassem cada vez mais essa consciência e não tivessem medo de mostrar sua cara, isto é, assumir sua identidade sem complexos. Eis alguns elementos que não podem faltar numa educação genuinamente católica: (1) a centralidade da Pessoa de Jesus Cristo, único Salvador da humanidade e sentido da vida, do mundo e da história, (2) a fidelidade à doutrina católica, sem medo nem restrições, oferecendo uma catequese doutrinalmente consistente, (3) a prática religiosa, oferecendo a possibilidade da vivência efetiva da fé católica por parte dos alunos, (4) uma saudável disciplina, que fortalece o caráter e cria homens e mulheres responsáveis, (5) a coragem de abordar de frente os problemas e desafios do mundo atual, sobretudo aqueles que mais afetam os jovens, com uma postura ao mesmo tempo firme e aberta.

Queira Deus que nos tempos novos em que vivemos, antigos valores não sejam perdidos ou jogados fora! Sejamos como o escriba sábio que do seu tesouro tira coisas novas e velhas!

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