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Editoriais do Semeador
Sáb, 16 de Maio de 2009 00:07

Gravem bem este nome: Marcelo Barros. Trata-se de um monge beneditino que não pertence à Congregação Beneditina do Brasil e há algum tempo faz declarações polêmicas no seio da Igreja em terras brasileiras. Há dois anos, criticou dura e amargamente a Declaração Dominus Iesus, aprovada pelo Papa João Paulo II. Esta declaração afirma a fé católica: que Cristo é o único Salvador e a Igreja de Cristo subsiste na Igreja católica. Esta sempre foi e será a doutrina da Igreja. Mas, incomoda hoje a muita gente que gostaria de dizer que tanto faz ser cristão como seguir outra religião e tanto faz ser católico como não ser...

Agora, o monge Marcelo Barros escreveu uma carta aberta ao Papa João Paulo, criticando-o acidamente pela sua última encíclica sobre a Eucaristia. Primeiro faz à Encíclica algumas acusações descabidas e destorcidas, com o verniz de quem quer fazer-se passar por grande teólogo... Depois, mostra candidamente que o seu modo de compreender a missa, o ecumenismo e o ministério de Pedro já não é o mesmo de um fiel católico. Marcelo Barros, hoje, é mais sincretista que católico: confunde ecumenismo e diálogo inter-religioso com relativismo, irenismo e sincretismo.

Só para que o leitor compreenda o que se está afirmando aqui, vale a pena citar o final da carta aberta que o monge encrenqueiro manda ao Papa: “Formado na teologia e espiritualidade do Concílio Vaticano II, reconheço o senhor como bispo de Roma e primaz da unidade entre as Igrejas mas não como um super-bispo ou definidor da fé das pessoas. Aceito o primado do papa como ministério querido por Deus, mas isso não inclui a nomeação dos bispos, nem a definição de um direito universal, ou um catecismo de doutrinas que todos os católicos do mundo devam crer. Por que impor a todas as Igrejas um modelo único de ministérios e uma única liturgia: a romana? Não estaria mais de acordo com a verdade da eucaristia promover a vida e a liberdade de todos? Seria o testemunho: cremos que, assim como as muitas espigas formam um só pão, Deus faz da diversidade das Igrejas e da variedade das celebrações, a unidade de uma só comunhão. Deixo ao senhor e aos irmãos que lerem estas linhas estas perguntas e fico orando por nossa Igreja para que seja como afirmaram, um dia, os bispos da América Latina: "uma Igreja autenticamente pobre, missionária e pascal, desligada de todo o poder temporal e corajosamente comprometida na libertação de todo o ser humano e de toda a humanidade (Medellin. 5, 15 a). O irmão Marcelo Barros”.

Apesar de chamar o Papa de “irmão João Paulo II” – que já não é muito apropriado para um católico sério: como recordava o grande teólogo do ecumenismo Jean-Marie Tillard, os apelativos de “Papa” e “Santo Padre” têm um sentido tão belo! – o tom da carta ao “Irmão Papa” é debochado e desrespeitoso, próprio de quem quer aparecer, fazendo sucesso e sendo estrela às custas da unidade da Igreja! Para gerar polêmica, ele mete no mesmo saco, em tom irônico e debochado o problema do celibato dos padres, da ordenação de mulheres, do sentido teológico da missa e da comunhão, do catecismo da Igreja... Ele deveria cantar com os pagodeiros do “Só pra contrariar”...

A missão do teólogo é refletir sistematicamente sobre a fé, fazendo-a compreensível ao homem de cada época e, por outro lado, interpelar a fé, fazendo-a ouvir e compreender as questões dos homens de cada tempo e lugar, de cada realidade concreta. Esta tarefa é árdua e muitas vezes conduz a tensões entre teólogos e pastores da Igreja. Até aí, nenhum problema... Mas um teólogo verdadeiramente católico faz este trabalho sem debochar do Papa e do Magistério, sem querer dá uma de Grande Mestre, a quem o Papa e a Igreja devem prestar contas. Marcelo Barros, pelo que parece, está querendo polêmica para fazer nome. Quer ser o Sucessor de Boff, em guerra contra o Sucessor de Pedro! Dá audiência, vende livro, faz sucesso, rende convites para conferências, atrai holofotes. Mas, cuidado! Os tempos são outros! Os católicos da América Latina e a grande maioria do clero não estão dispostos a seguir um profeta de si mesmo! Não mais! Já sofremos muito com divisões internas e inúteis na Igreja.
Gravem bem esse nome: Marcelo Barros. Quando ouvirem que a Santa Sé reclamou do que ele anda falando e o chamou para conversar, e os jornais - que adoram dividir a Igreja e fazer sensacionalismo às custas dos católicos – começarem a dizer que ele é perseguido e injustiçado, que ninguém vá na onda: ele estará somente colhendo o que plantou e recebendo o que merece. Foi ele mesmo quem, há dois anos, vangloriou-se de ter como ministra da comunhão no seu mosteiro uma mãe-de-santo; E achava isso a coisa mais linda e natural... e explicava o motivo: lá e cá é o mesmo Deus, lá e cá ela faz a mesma experiência religiosa... os seus dois “ministérios” se completam! Que lindo! E uma cabecinha dessas quer que o Papa engula e aceite tais aberrações!

A Igreja é a Casa da liberdade em Cristo, mas não é Casa da Noca. É espaço de diálogo, mas não de aventuras individuais. A comunhão leal e efetiva na mesma fé, na proclamação do Senhorio de Cristo como único Salvador, um respeito leal e criterioso ao magistério e aos legítimos pastores, a adesão sincera e convicta à fé católica, segundo a qual o Papa é Sucessor de Pedro e, como tal, Pastor supremo da Igreja, são pressupostos indispensáveis para um católico... ainda mais se se trata de um padre e de alguém que pretende ser teólogo católico.

Gravem bem: Marcelo Barros. Ainda vai dar bolo!

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