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Editoriais do Semeador
Sáb, 16 de Maio de 2009 00:08

Há algumas semanas os católicos temos nos sentido incomodados pelas notícias veiculadas pela imprensa dando conta de sacerdotes (e até um Bispo polonês) envolvidos em escândalos de pedofilia. Ao lado da notícia que a imprensa apresenta – e tem por dever apresentar – aparecem as análises e comentários mais estapafúrdios, alguns até levianos e cretinos sobre a situação. Dizem que o Vaticano escondeu esse problema da pedofilia ou até foi conivente, dizem também que isso é culpa do celibato, o comentarista Arnaldo Jabor - que pensa entender de tudo e saber tudo - afirmou que as comunidades religiosas são uma fábrica de neuróticos e frustrados sexualmente desajustados... Diante dessa situação, os católicos sofrem, primeiro pela dor imensa de ver seus pastores – que devem ser homens de confiança e integridade – metidos nesse tipo de problema e, sobretudo, porque é o nome da Igreja de Cristo que é denegrido.
Por tudo isso, este espaço editorial, apresenta algumas ponderações aos caros leitores dO SEMEADOR.

(1) É necessário que o povo cristão compreenda que seus padres, seus pastores são homens, sujeitos a fraquezas, incoerências e pecados. Não são anjos! É verdade que eles têm, como todo cristão e mais que todos os cristãos, o dever sagrado de viver de modo digno do Evangelho. Verdade também que o povo de Deus tem o direito de esperar de seus padres um exemplo de vida santa. Mas que ninguém vacile na fé, se um ou outro ministro sagrado é causa de escândalo para o rebanho. Fica de pé, aí, a palavra do Senhor Jesus: “Ai do mundo por causa dos escândalos! É necessário que haja escândalos, mas ai do homem pelo qual o escândalo vem!” (Mt 18,7)

(2) Os Bispos, pastores da Igreja, têm o dever sagrado de velar pela santidade de seus sacerdotes. A começar com um atento, maduro e tranqüilo acompanhamento da formação de seus seminaristas. É aí, nos seminários, que os problemas começam e podem ser resolvidos! Providenciar uma seleção séria e criteriosa dos candidatos ao sacerdócio evitaria muitíssimos problemas posteriormente, problemas não somente de ordem moral, mas também de ordem pastoral e humana. Em relação aos sacerdotes, é dever do Bispo acompanhá-los diretamente, de modo a poder ajudar-lhes seja humana seja espiritualmente. Quanto aos sacerdotes realmente problemáticos, que causem grave escândalo aos fiéis e à sociedade, os Bispos têm o dever inarredável de caridade para com o povo de Deus de tomar as providências cabíveis, chegando mesmo à suspensão de Ordem ou outras providências que se mostrem necessárias. Nunca devemos esquecer que os padres existem para servir ao bem do povo de Deus e não ad destructionem Ecclesiae (= para a destruição da Igreja)! É parte dolorosa da missão dos Bispos tomar medidas punitivas para o bem da Igreja. É inadmissível um sacerdote que dê sério contra testemunho continuar exercendo o ministério, escandalizando os fiéis, que sinceramente procuram dar no mundo um testemunho cristão. Aqui, sejamos sinceros, transferir padres problemáticos não resolve o problema, apenas o transfere!

(3) É preciso também levar em conta que a imprensa não é tão isenta quanto parece. Além do gosto pelo escândalo, mesmo às custas da sobriedade, do respeito pela fama dos outros e pela verdade, há uma profunda vontade de desmoralizar a instituição do celibato – verdadeiro escândalo para o mundo atual. Isso fica bem claro quando se comete a bobagem de ligar a pedofilia ao celibato... Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Há casados que são pedófilos e molestam até mesmo seus próprios filhos! A Igreja nunca irá rever a disciplina do celibato por causa de escândalos. Se tiver, um dia, que mudar sua disciplina, não será por esse motivo! Não se elimina a indissolubilidade do matrimônio porque há maridos infiéis, não se elimina o valor da honestidade porque há tantos desonestos, não se desacredita a imprensa porque há um bom número de jornalistas incompetentes!

(4) Os católicos tenham o cuidado para não perderem a confiança em seus padres. A grande maioria dos sacerdotes esforça-se sinceramente para levar uma vida reta e honesta, dedicando-se ao povo de Deus em nome do Cristo Jesus. Rezem pelos seus padres e os ajudem –nos a viver com alegria seu sacerdócio. E que tudo isso sirva para uma maior purificação e transparência da Igreja.

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