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| A caixa preta, quem vai abri-la? |
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| Editoriais do Semeador |
| Sáb, 16 de Maio de 2009 00:11 |
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Do empreguismo despudorado, que inchou a máquina funcional, impedindo o pagamento de salários dignos: quem entra pela janela, não tem direito de reclamar salário digno, quem entra por pistolão deve contentar-se com pouco! Se se entope o Estado de funcionários, não há dinheiro para pagar dignamente a todos! Agora, consertar tudo isso não é fácil nem rápido! Mas, já é extremamente salutar que o Governador e a Prefeita tenham tido a coragem de publicar sem reservas as contas funcionais do Executivo. Mas, daqui nasce uma séria questão: e os Legislativos estadual e municipal (Assembléia Legislativa e Câmara de Vereadores)? E o Poder Judiciário (o Tribunal de Contas)? Quando farão o mesmo? Diante da atitude do Executivo, torna-se moralmente obrigatório para os dois outros poderes públicos exibirem suas folhas de pagamento funcional. Caso se neguem, a conclusão da sociedade será uma só, inevitável: as folhas funcionais dos dois outros poderes envolvem casos espúrios de corrupção e ilegalidade! O Legislativo e o Judiciário não devem e não podem, não têm o direito, como poderes públicos, de deixar dúvidas sobre sua lisura! Desconfia-se – toda a sociedade alagoana – que há graves irregularidades e disparidades nas folhas funcionais da Assembléia Legislativa, do Tribunal de Justiça e da Câmara de Vereadores de Maceió. Pois bem, só há um modo de provar o contrário: a transparência! A sociedade já cansou de escutar figurões da vida pública, de rosto grave, voz impostada e ternos bem talhados, fazendo juras de amor ao povo e de respeito pela coisa pública... quando todos sabem que a realidade é bem distante desta hipócrita aparência! Apesar da descrença de muitos, nosso País tem melhorado: está passando por um profundo processo de tomada de consciência cívica, maior cobrança no trato da coisa pública, de maior fiscalização de seus dirigentes e de uma maior transparência na máquina estatal. Este processo não é obra do governo somente: é ação de muitos e por muito tempo! A imprensa, a escola, as igrejas, as organizações não governamentais, as associações civis... todos estes sujeitos da vida social têm dado, de um modo ou de outro, sua contribuição para o amadurecimento de nosso povo! Deve-se reconhecer que o próprio Governo Federal e o Congresso Nacional têm dado passos significativos neste sentido. Muitos governos estaduais caminham – uns mais, outros menos – na mesma direção. Pois bem: como aceitar, então, que a folha funcional dos poderes acima elencados seja escondida do povo - esse mesmo povo que paga os impostos e do qual estes poderes estão a serviço? Que moral terão os Legislativos estadual e municipal e o Judiciário, caso se neguem a expor sua situação funcional? Que moral para reivindicar duodécimos e repasses do Executivo? O povo não é bobo! Já se foi o tempo! A esta altura, o leitor poderia perguntar: e o que tem a Igreja a ver com isso? E o que tem um jornal religioso a dizer sobre isso? Que a Igreja cuide dos santos, rezas e procissões... e os políticos da política! Nada disso! A Igreja, sem entrar na política partidária, tem o dever sagrado – dever de todo e qualquer cristão! – de defender os valores do Evangelho, valores tão humanos: a verdade, a honestidade, a justiça, a paz! Aqui não se trata de acusar ninguém, mas somente de pedir seriedade aos nossos governantes, exatamente tendo em vista o bem comum e a construção de uma sociedade mais conforme aos valores do Evangelho. Como é triste quando vemos no nosso Estado realizarem-se aquelas palavras de Jesus: “Sabeis que aqueles que vemos governar as nações as dominam, e os seus grandes as tiranizam” (Mc 10,42). Estejamos atentos à norma de Jesus: “Entre vós não será assim!” (Mc 10,43). Então, que abram a caixa preta; que tornem públicas as folhas de pagamento! Artigos Relacionados: |
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