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Editoriais do Semeador
Sáb, 16 de Maio de 2009 00:16

Basta abrir os jornais, ligar a televisão, andar pelas periferias das grandes cidades; a realidade é de meter medo: violência juvenil, drogas, gravidez de adolescentes, estupros, solidão... É de pasmar! Tivemos notícia, estupefatos, da chacina de quinze estudantes em Denver, nos Estados Unidos. Os assassinos não eram profissionais, mas rapazes normais, aparentemente equilibrados e de famílias de classe média: tinham o que comer, o que vestir, o que gastar, esbanjar, na sociedade mais consumista do mundo! Vimos, nos meios de comunicação, muitos perguntarem: por quê? Interessantes, os meios de comunicação! Engraçado, o mundo cão que, atônito, pergunta anchamente como explicar tanta violência, tanto desencontro e tanta irresponsabilidade!

Para encontrar as respostas, bastaria que o mundo atual se perguntasse com coragem que tipo de existência tem construído: nossa geração matou Deus, eliminando-o das decisões importantes pertinentes à vida social e privada, nossos meios de comunicação, na amplitude de sua potencialidade tecnológica, promovem a crise e o descrédito de instituições fundamentais, elementares mesmo, como a família, a fraternidade, a moralidade, o senso ético, o sentido do sacrifício e do dever... Nosso mundo apresenta-se anêmico de ideais, pobre de valores... e espanta-se candidamente quando os jovens se desorientam, se drogam, se prostituem e se matam!

Que esperar de uma civilização que se calca unicamente no prazer, no consumo, no imediato, na satisfação de interesses mesquinhos, sem nenhum ideal que realmente engaje a existência como um todo? Estamos fabricando um mundo de imaturos, de superficiais... E isto não somente em Dever: basta olhar ao nosso redor, nas classes altas e baixas!

A cultura ocidental matou Deus. Lembram de Nietzsche, o filósofo ateu? “Deus morreu: nós o matamos!” – constatava ele, triunfante! Não se trata tanto de um ateísmo teórico, racional, sistemático, mas daquele outro, prático, que simplesmente vai esquecendo Deus e deixando-o à margem de nossa vida, de nossas preocupações e decisões. Exemplos? Xuxa, Sílvia Popovic, Raintho, Gabriel, o Pensador, É o Tchan, Carla Perez... e tantos outros luminares da “subcultura de consumo do mundo atual! Mais exemplos? As infalíveis leis do mercado, a idolatria do ter e do poder, o culto do corpo pelo corpo, a irresponsabilidade na vivência da sexualidade... Não! Neste mundo não há lugar para Deus!

Mas, sem ele, sem os valores que a fé nele desperta, o homem perde o rumo, torna-se oprimido por uma existência sem encanto, um pobre solitário num mundo cão e, por fim, acaba lobo de si mesmo. Agostinho era mais esperto que Nietzsche, conhecia melhor que ele o coração humano: “Tu nos fizeste para ti, Senhor; inquieto andará o nosso coração até que não repouse em ti!

Que fique claro: enquanto o homem insistir em caminhar sem Deus, fechado sobre si mesmo, não há muito o que esperar para a humanidade. O ser humano pode crescer em progresso científico e tecnológico... mas não é isso que o humaniza: sem Deus, ele se destrói. Há um poema de um outro filósofo, profundamente humano, Miguel de Unamuno (ateu angustiado, buscador de Deus), que exprime bem esta necessidade inapelável que o homem tem de Deus, para continuar a ser homem. É oportuno transcrever um trecho desta poesia:

Ouve meu rogo, tu, Deus que não existes
E em teu nada recolhes minhas queixas...
Sofro eu às tuas custas, Deus não existente,
Pois se tu existisses,
Eu também existiria de verdade!...

Aqui, precisamente, está o drama do nosso mundo: sem Deus o ser humano não existe de verdade; sua vida não passa de ilusão e, ao fim das contas, ele torna-se somente e tão somente, como dizia Sartre (este, ateu cínico) uma paixão inútil! Sim! Pobre homem: sem Deus, não passa de uma paixão inútil!

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