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Editoriais do Semeador
Sáb, 16 de Maio de 2009 00:19

Novamente chegaram as eleições.

A propaganda eleitoral enche-nos os ouvidos, os olhos e a paciência. O TSE brinda-nos com uma série de propagandas educativas – aquelas da família Bandeira – totalmente bobas, contaminadas pelo vírus da idiotia. O horário eleitoral - gratuito porque não é pago e mais ainda porque ali se fala o que se quer e o que se entende, sem nenhuma responsabilidade nem compromisso real: fala-se gratuitamente! – agride-nos todos os dias, pelo rádio e a televisão, entrando em nossas casas e automóveis sem pedir licença, de modo insolente, para nos obrigar a escutar promessas mentirosas e demagógicas, arengas mesquinhas e disputas vergonhosas de pessoas que lutam por apresentar-se como honestas e interessadas pelo bem do povo... Eis, novamente estamos às voltas com as eleições!

Não se trata aqui de desprezar a política e a atividade do político, algo necessário e, em si mesmo, nobre. O problema é o modo como a política tem sido feita em nosso País!

Alguns aspectos chamam nossa atenção nesta folia toda. Primeiramente o mais óbvio: a sujeira e a poluição visual a que somos submetidos por toda a cidade: outdoors com “belíssimas” fotografias dos senhores candidatos; a passarela do CEAGB, coitada, foi invadida pela sujeira, sem que haja uma autoridade eleitoral que tome as devidas providências; os postes elétricos foram tomados pelos rostos sorridentes de nossos candidatos (por que será que os políticos gostam tanto de postes? e do que eles riem?).

Ainda no quesito poluição, a que nos submete a sujeira política, temos a poluição sonora dos carros de som a todo volume, obrigando-nos a ouvir temas musicais de um espantoso mal gosto. Isso quando esses benditos carros de som não atrapalham o trânsito na orla marítima ou em avenidas como a eternamente congestionada Fernandes Lima.

Continuando na área da propaganda, é revoltante ver jovens, debaixo do sol forte, agitando bandeirolas desses excelentíssimos políticos. Onde o desemprego e a miséria jogaram nosso povo! Aceitarem um serviço destes! Como sempre, os pequenos e pobres são usados e manipulados... Um aspecto não menos revoltante é o uso que se fazem, no programa eleitoral, das favelas e dos favelados, num despudor aberto, confesso, descarado...

Outro aspecto interessante é o número de candidatos: são tantos, querendo servir ao povo! Quanta gente boa nós temos! E gente que basta escutarmos uma vez para ter pena (ou raiva) pela leviandade com que fala, pelo semi-analfabetismo que exprime, pelo cinismo que revela.

Coisa interessante é que quase todos os candidatos falam mal dos políticos: “esses políticos que estão aí”, dizem eles, como se eles fossem exceções, anjos de candura e modelos de lisura caídos dos céus! Todos falam mal dos políticos e todos estão louquinhos para tornarem-se políticos. Bem diz o adágio: “Quem desfaz quer comprar”.

É significativo – e vergonhoso – também o uso que se faz de Deus e da fé para angariar votos. Usa-se o nome de Deus, citam-se salmos e trechos bíblicos, como se a eleição fosse uma gincana de conhecimentos escriturísticos e um concurso de decoreba de textos das Escrituras! O nome de Deus usado em benefício próprio! “Não tomarás em vão o nome do teu Deus! O Senhor não deixará impune quem toma o seu santo nome em vão!” Um eleitor consciente jamais votaria em que usa assim o nome de Deus. Preocupante e sintomático o número de líderes religiosos que se candidatam e fazem questão de aparecer como tais, até mesmo com a Bíblia debaixo do braço. A moda está pegando mesmo! Parece que falar em nome de Cristo tornou-se um ótimo meio de vida! Seria interessante saber o que o Senhor Jesus, que expulsou os vendilhões do templo de Jerusalém, diria deste circo armado em seu nome...

Eis aí os sinais das eleições que se aproximam. E nosso povo mais uma vez escolherá seus algozes e aqueles que irão depenar os cofres públicos!

O juízo que este editorial apresenta pode ser pessimista, negativo demais e até, para alguns, injusto. Mas uma coisa é certa: reflete bem o que o nosso povo pensa a respeito dos políticos, da campanha e do modo como ela é feita. Tudo isso aponta para a necessidade de uma profunda reforma política e partidária em nosso País, de um controle sério em relação à gerência da coisa pública e de uma sociedade que aprenda a punir com a derrota eleitoral aqueles que não honram a palavra e o mandato que lhes foi dado.

Em tudo isso todos somos responsáveis. É toda a sociedade que se educa e politiza; é toda a coletividade que participa e exerce a cidadania. Também a Igreja tem aqui sua missão e, graças a Deus, até que ela não tem ficado imóvel e desatenta.

Como cristãos, que votemos conscientemente e não nos deixemos manipular por nada nem ninguém. Quem sabe assim ser político ainda seja um dia uma coisa séria e pessoas honradas possam dela participar...

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