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Editoriais do Semeador
Sáb, 16 de Maio de 2009 00:20


            Estamos em pleno Ano Santo, o Ano do Jubileu. No dia 25 de Natal o Papa João Paulo II abriu a Porta Santa na Basílica de São Pedro. O gesto é profundamente simbólico, pois não há senão uma porta: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo”(Jo 10,9). Ao atravessar a Porta Santa, o Papa quis proclamar exatamente isso: Cristo é a porta da vida, Cristo é o caminho para a humanidade, Cristo é a esperança do mundo!

            O ano 2000 é o ano do Milênio precisamente porque fecha, completa o segundo milênio cristão, abrindo-nos já a mente e o coração para o novo milênio. Teremos mais mil anos pela frente para proclamar e testemunhar o Evangelho do Cristo Jesus. É uma responsabilidade tremenda! o mundo, mais que nunca, é pluralista e secularizado nas idéias e na experiência religiosa. O capitalismo globalizado tem influenciado profundamente a religião. Muitas vezes parece que esta tornou-se produto de consumo: escolhe-se aquela que mais nos serve, como se escolhe uma marca de sabão em pó nas prateleiras de supermercado! Já não há mais aquele sentido da fidelidade à tradição recebida dos antepassados, nem um compromisso com a verdade: interessa o que estou sentindo agora, interessam as minhas preocupações imediatas e a maneira mais prática de resolver meus problemas... religião boa é a que me faz sentir bem; já não conta se tal religião é verdadeira ou não. É a religião do capitalismo! Mas a experiência religiosa atual é globalizada: o mundo tronou-se pequeno com os meios de comunicação e vemos a diversidade de religiões existentes no mundo: tanto aquelas antigas e veneráveis, como aquelas outras, “made in USA” (fabricadas nos Estados Unidos) e exportadas para o Terceiro Mundo para nos dominar até a consciência! E, com tantas religiões, a tendência é o relativismo: é tudo a mesma coisa; tudo vale porque nada vale; tudo serve porque é tudo igual... relativo, meramente humano...

            Esta situação sem dúvida marcará o terceiro milênio: capitalismo, globalização e secularização! E, no entanto, os cristãos têm o dever sagrado de testemunhar Jesus e seu Evangelho, sempre e em toda parte. Sejam quais forem os desafios, a Igreja deverá sempre gritar com entusiasmo renovado que Cristo é o único caminho da humanidade, que ele é a porta. Mesmo conscientes do pluralismo religioso e da necessidade do diálogo ecumênico, os cristãos sabem que não podem abrir mão de afirmar a unicidade de Cristo, Caminho que leva ao Pai: “Eu sou o Caminho; ninguém vai ao Pai senão por mim!” (Jo 14,6). Cristo Jesus não é apenas um dos caminhos possíveis, uma das portas entre tantas! Nada nem ninguém pode ser colocado no lugar de Cristo: “Quando ao fundamento, ninguém pode colocar outro diverso do que foi posto: Jesus Cristo” (1Cor 3,11). O diálogo e o respeito pelos outros, pelas tantas idéias religiosas e seculares, sim; mas a Igreja sabe quais são o seu caminho e o seu fundamento: Cristo Jesus! Esquecer isto é não mais ser cristão! Se formos fiéis a ele, não há o que temer nos novos tempos que se aproximam e nós, cristãos, caminharemos, passos firmes, rumo ao futuro!

            Atravessemos todos a Porta Santa, que é Cristo, nele andemos, por ele caminhemos, por ele passemos. No ano 3000 certamente haverá outro Ano Santo do Jubileu do Milênio. O mundo estará totalmente mudado e a Igreja terá uma face bem diversa da atual... mas estaremos lá, como cristãos, mais uma vez abrindo a Porta ao mundo – a Porta que é Cristo, o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade!

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