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Sáb, 16 de Maio de 2009 00:22

            No mês de junho o afeto do povo de Deus cultua de modo especial o Coração do Cristo Jesus. é uma belíssima devoção, bíblica, profunda, de forte sentido para a vida cristã. Para não ficarmos numa devoção magra, anêmica, meramente individualista e sentimental, vejamos alguns aspectos mais teológicos desta invocação.

            Na antropologia bíblica “coração” indica o interior do homem, a sede de seu caráter, de sua personalidade, ali onde nascem os pensamentos e sentimentos mais profundos. O coração é a sede das decisões do homem. Dizer “coração” é referir-se ao homem como ser que reflete e toma decisões com conhecimento de causa. Em outras palavras: enquanto nas línguas modernas o coração é sobretudo o órgão dos afetos, na linguagem bíblica, o coração é, principalmente, o órgão do pensamento: dizer que alguém não tem coração é dizer que não tem juízo, que não conhece os próprios pensamentos! No salmo 66,11 o autor sagrado suplica: 

Senhor, mostra-me teu caminho
e eu me conduzirei segundo a tua vontade.
Unifica meu coração
para que ele tema o teu Nome! (Sl 86,11) 

Sendo o coração órgão da decisão e da vontade, o salmista pede que ele seja unificado para Deus. O sentido seria mais ou menos este: ”unifica-me a mim para ti: que meus pensamentos estejam em ti”.

            Se assim é o coração humano, como se manifesta o Coração de Cristo? Seu coração humano - ele amou com um coração humano! - é imagem do coração do Pai, de modo que podemos afirmar que o coração de Deus se manifesta no Coração de Cristo: “Como o Pai me amou, eu também vos amei!” Ora, em toda a sua existência humana – no seu ministério, nas suas palavras, nos seus milagres, nos seus encontros com tantas pessoas diversas, nas suas caminhadas pela Terra Santa -, Jesus revela o coração do Pai... basta pensar na parábola do filho pródigo, na qual Jesus procura explicar aos seus inimigos que age com amor e misericórdia porque o Pai faz o mesmo... Portanto, no coração compassivo, manso e sereno do Senhor Jesus, podemos entrever o quanto Deus é para nós ternura e carinho, acolhimento e perdão! A Igreja compreendeu isto tão bem que coloca a seguinte antífona de entrada para a Missa do Coração de Jesus: 

Eis os pensamentos do seu coração,
que permanecem ao longo das gerações:
libertar da morte todos os homens
e conservar-lhes a vida em tempo de penúria (Sl 32,11.19) 

            É este o pensamento, o projeto do Coração de Deus, manifestado no Coração de Jesus: libertar e dar a vida! Contemplar o Coração de Cristo, manso e humilde, aberto na cruz para que recebamos a água que nos vivifica e o sangue que nos lava, significa experimentar, crer e anunciar que Deus, o Pai de Jesus, é amor e fonte de amor. Este anúncio é tanto mais urgente e necessário quanto mais vemos um mundo, o nosso, ferido de coração. Ou não é um mundo machucado pela incredulidade, pela solidão, pela violência, a fome e a pobreza, este mundo nosso? Por mais que os psicólogos tentem, não são eles quem salvarão a humanidade: somente o amor dá sentido a todas as coisas! E é precisamente isto que o Coração de Jesus revela: que Deus é amor, que sua paternidade cheia de compaixão e misericórdia abraça todas as criaturas. Do seu amor ninguém é excluído, do seu carinho ninguém é esquecido!

            Quem dera que este mundo que corre o risco de se tornar sem coração, mundo cão, encontre no Coração de Cristo o descanso, a inspiração e a paz! Quem dera que aceitasse o convite sempre atual e dasafiante:

Vinde a mim, vós todos os que estais cansados
sob o peso o vosso farto e eu vos darei descanso.
Tomai sobre vós o meu jugo a aprendei de mim,
porque sou manso e humilde de coração...
e encontrareis descanso... (Mt 11,28ss)

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