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| Os salmos graduais - XI |
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| Estudos Bíblicos |
| Sex, 08 de Maio de 2009 20:58 |
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Salmo 133(132) Eis como é bom, como é suave O início do salmo, cantado tão vizinho a Jerusalém, já faz entrever algo do mistério de Deus: Eis como é bom! “Ninguém é Bom, senão só Deus” (Mc 10,18). O salmo convida os irmãos na fé a sentarem-se no UM. O “sentarem-se unidos” é um dom do Senhor, é fruto da comunhão com ele. É loucura, é Babel (= confusão) pensar numa união, numa comunhão da humanidade, que não seja originada e centrada na comunhão com o UM! Somente em Jerusalém – e os cristãos sabem que a verdadeira Jerusalém é o Corpo de Cristo morto e ressuscitado -, o homem é recriado, na comunhão com Deus e com os irmãos: “Jerusalém, construída como uma cidade cuja força de união é: todos no UM!” (Sl 122,3). O “sentar-se” é possível não ao início do caminho, mas ao fim da peregrinação. Em Jerusalém, o dom da comunhão e da paz são concedidos ao fim da longa subida. O povo teve que passar por muitas provas, enfrentar desafios, para colocar toda a sua confiança em IHWH, o único Bom: “Ao vencedor concederei sentar-se comigo no meu trono, assim como eu também venci e estou sentado com meu Pai em seu trono” (Ap 3,21). Somente vivendo no UM é que os irmãos podem entrar realmente em comunhão: “Não rogo somente por eles, mas pelos que por meio de sua palavra crerão em mim: a fim de que todos sejam UM. Como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,20s). Um comentarista judeu da Idade Média escrevia: “Os irmãos são o povo libertado na unidade do Senhor. No coração do Santuário, a comunhão dos irmãos é uma descida majestosa do Espírito do Senhor”. Como não recordar das palavras do Senhor? “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, estou no meio deles” (Mt 18,20). O salmista prossegue: É igual ao bom óleo na cabeça É igual ao orvalho do Hermon Santo Agostinho comentava: “A unção desce sobre a Igreja... A roupa sacerdotal representa a Igreja. É a graça de Deus que faz os irmãos habitarem juntos. Não o podem, nem pelas próprias forças, nem pelos próprios méritos, mas apenas pela graça, que é como o orvalho do céu... Todos vós que quereis morar juntos, pedi esse orvalho; se não o pedirdes, não podereis guardar os votos da vossa profissão; não podereis ficar firmes. Se está ausente a perfeita caridade de Cristo, habitar juntos toma-se insuportável. Um atrapalha o outro, e todos espiam o que dizem os outros. São os irmãos que moram na unidade que louvam ao Senhor, pois na discórdia não se pode louvar a Deus”. Nos Atos dos Apóstolos, a comunhão aparece como fruto do Espírito em Pentecostes: “Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações” (At 2,42). Observe-se que a comunhão fraterna é dom de Deus, fruto do discernimento, da escutada Palavra do Senhor num clima de oração e renúncia de si próprio: comunhão não é acordo democrático! A comunhão acontece quando todos têm a mesma vontade de fazer a vontade do Pai. Não é a maioria que decide; é o Espírito Santo, que reúne os muitos no Corpo de Cristo - a Jerusalém celeste - para que o Pai seja tudo em todos: todos no UM! Duas imagens reforçam a idéia da comunhão como dom de Deus: o óleo e o orvalho. A vida fraterna dos irmãos sentados no UM é apresentada como uma participação na unção sacerdotal de Aarão: “Se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha Aliança... vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa” (Ex 19,5.6). Note-se que por três vezes repete-se que o óleo e o orvalho descem, significando a comunhão dos irmãos é o maior dos dons... que só pode ser alcançado pela constância na fé e na oração, mas não se pode conquistar pela violência nem pela dominação dos mais fortes ou dos mais inteligentes. Um detalhe ilustra muito bem tudo isso: a terra de Israel é constantemente ameaçada pela seca e as chuvas são sinal da bênção divina: “A terra em que estás entrando a fim de tomares posse dela não é como a de onde saíste, a terra do Egito: lá semeavas tua semente, e irrigavas com o pé, como uma horta! A terra para a qual vós ides, a fim de tomardes posse dela, é uma terra de montes e vales, que bebe água da chuva do céu! É uma terra da qual o Senhor IHWH teu Deus cuida. Os olhos do Senhor IHWH teu Deus estão sempre fixos nela, do início ao fim do ano. Portanto, se de fato obedecerdes aos mandamentos que hoje vos ordeno, amando o Senhor IHWH vosso Deus, e servindo-o com todo o vosso coração e com toda a vossa alma, darei a chuva à vossa terra no tempo certo; chuvas de outono e de primavera. Poderás assim recolher”... (Dt 11,10-14). Na Terra Santa, o povo levanta a cabeça para louvar a Deus... Assim como ele ordena às nuvens que derramem as águas do alto, assim também o Senhor manda a bênção sobre os filhos do seu povo reunidos em Jeru-Shalaim. A experiência dos “estar-sentados-juntos-em-Jerusalém” não somente é uma experiência da unidade proveniente da comunhão com Deus, mas da própria graça de Deus, de sua benigna benevolência que rega o chão da Terra Santa com a chuva e o orvalho e rega a vida do povo com o dom da piedade e da paz, o shalom, síntese de toda bem-aventurança. Com estes pensamentos, pode-se ver a loucura e o intento vazio da civilização atual, que deseja encontrar a realização e o sentido da existência fora dos muros de Jerusalém e da comunhão que provém do Único Necessário e Único Bom...Artigos Relacionados: |
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