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| X Domingo Comum – Ano A |
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| Ano A |
| Seg, 29 de Dezembro de 2008 18:39 |
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Os 6,3-6 Caríssimos, de certo modo, a Palavra de Deus a nós dirigida hoje prossegue a meditação do Domingo passado. Vimos, naquele então, que crer de verdade exige que nos abramos para o Senhor, que façamos dele o tudo da nossa vida. Ah, que isso não é fácil! Como diz hoje o profeta Oséias, “é preciso saber segui-lo para reconhecer o Senhor”. Ele é fidelíssimo, vem sempre: “certa como a aurora é a sua vinda” – e, no entanto, vem quase sempre de modo inesperado, não nos nossos momentos e prazos, mas quando julga conveniente: “ele virá até nós como as primeiras chuvas”, mas pode vir também “como as chuvas tardias que regam o solo”. Abraão experimentou essas demoras de Deus, essa sua imprevisibilidade: esperando o filho Isaac, teve de esperar contra toda a esperança, apesar da fragilidade da velhice, apesar da esterilidade de Sara, incapaz de conceber. Mas, nosso pai na fé fixou-se em Deus somente, no Deus que é fiel e, então, apoiado na fé, seguindo o Senhor, aprendeu a apoiar-se somente em Deus, a reconhecê-lo em sua vida, aprendeu a experimentar sua presença! Infelizmente, quantas vezes não somos assim abertos, assim disponíveis, assim capazes de uma entrega tão radical quanto a de nosso pai Abraão! Para nós, vale bem mais a reprimenda de Deus pela boca do profeta: “Como vou tratar-te? O vosso amor é como nuvem pela manhã, como orvalho que cedo se desfaz! Eu vos feri por meio dos profetas, arrasei-vos com as palavras de minha boca!” Bem merecida, para nós, a reprimenda de Deus! Somos inconstantes; a fé proclamada com força nas facilidades entra em crise nas dificuldades; a confiança e o amor que juramos nos momento de luz, balançam perigosamente nos momentos de treva! Amor como nuvem matutina, fé como orvalho fugaz! Pobres de nós! E, no entanto, não adiante: o Senhor nos corrige pelas intempéries da vida, julga-nos com seu juízo luminoso que revela até o íntimo o que nós gostaríamos de esconder, de não ter que reconhecer e, assim, nos faz amadurecer com a luminosidade dos seus juízos, que nos desmascaram. O Senhor não aceita uma fé que não seja de total entrega, não suporta uma religião falsa, meramente ritualística ou sentimentalista, mas, no fundo, desconfiada e interesseira. Sua sentença é clara; seu apelo é sem negociação: “Quero amor a mim e não sacrifícios rituais; reconhecimento de Deus, mais do que holocaustos!” Também o Evangelho apresenta-nos um belo exemplo de fé, de entrega e confiança no Senhor: esse tal Levi, pecador publicano, que, ao chamado do Senhor, “levantou-se e segui Jesus” sem perguntar, sem pedir garantias, sem colocar condições. Como Abraão, tornou-se amigo de Cristo pela sua fé incondicional. Mas, pensemos bem: quem é realmente capaz de uma atitude assim, de uma entrega dessas? Somente o pobre interiormente, aquele que sabe que tudo recebeu do Senhor, aquele que compreende que o Senhor é bom, é fiel, é fonte de todo bem e de toda graça. Esta é a experiência central do cristão: tudo foi-lhe dado pelo Pai no filho Jesus, sem nenhum merecimento prévio nosso! Ora, esta também é experiência mais estranha ao mundo atual. Com nossa tecnologia, nosso progresso científico, nossas discussões críticas sobre tudo, nossa mania democratista, nosso grito neurótico por uma liberdade a qualquer preço e de qualquer modo, nossa fixação numa autonomia de adolescente que transgride tudo, a humanidade de agora tem louca dificuldade em experimentar e compreender a existência como dom, a vida como uma madura e libertadora dependência em relação a Deus. Notemos bem: isso não é uma teoria! Quantas vezes no pegamos julgando Deus: como ele deveria fazer com o mundo, com os outros, com a vida e conosco mesmos! Esse não faz como queremos, dele desconfiamos! Em geral, nossa fé está longe de ser como a da criança em relação ao seu pai: fé de peito aberto, de coração todo! Crescemos e nos tornamos desconfiados! Crescemos mal e nos tornamos menos felizes, menos humanos, menos sábios, apesar de mais sabidos! Pois bem: é preciso ser pobre, é preciso fazer-se criança para acolher o Deus que nos vem em Jesus! Levi viveu isso; abriu-se sem reservas para o Senhor que passava. Também nós, hoje somos convidados a nos abrir, crendo no Deus que é fidelíssimo, tão fiel, tão vivificador, tão nosso amigo, que “ressuscitou dos mortos Jesus, nosso Senhor”. Façamos, aqui, uma pausa. Pensemos em Jesus todo derrotado, todo ensangüentado, todo quebrado na cruz, abandonado por todos e aparentemente esquecido por Deus... Ele é imagem viva e trágica das quebraduras nossas e do mundo. Ele é as nossas perguntas sem respostas, ele é a nossa ferida sem curativo, nossa dor sem consolo, nosso pecado sem remissão... Tudo isso é Jesus naquela cruz trágica! E, no entanto, escutem, como se fosse a primeira vez: Deus, o Pai, ressuscitou dos mortos Jesus, nosso Senhor! Ele é Deus confiável, Deus da vida, Deus de amor! Tudo isso manifesta-se em Cristo, que morreu dizendo “sim” para redimir o nosso “não” teimoso: Ele, Jesus, foi entregue por causa de nossos pecados e foi ressuscitado para nossa justificação”. Caríssimos, como Abraão, como Mateus, acreditemos no Deus revelado e manifestado por nosso Senhor Jesus Cristo. Caminhemos com ele incondicionalmente! Mergulhemos de cabeça e de fé total no coração desse Deus e aprenderemos a reconhecê-lo; nele seremos felizes, nele teremos a vida, nele encontraremos a paz, por Cristo, nosso Senhor. Amém. Artigos Relacionados: |
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