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| XXVI Domingo Comum – Ano B |
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| Ano B |
| Dom, 17 de Maio de 2009 00:06 |
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Nm 11,25-29 Homilia I “Quem não é contra nós é a nosso favor”. É preciso compreender bem a afirmação do Senhor. Certamente, ele é o Caminho e a Verdade da humanidade; certamente ele fundou a Igreja, comunidade de seus discípulos; dotou essa Igreja do seu Espírito, de pastores e de toda uma estrutura visível. Esta Igreja de Cristo, nós cremos que permanece de modo pleno na Igreja católica. Isto significa que os elementos essenciais da Igreja de Cristo permanecem, por graça e fidelidade do Senhor, naquela Comunidade que ele fundou desde o início, a Igreja una, santa, católica e apostólica. Quais são esses elementos essenciais? A Palavra de Deus, pregada e interpretada segundo a Tradição apostólica, a Eucaristia como banquete e sacrifício, os sete sacramentos, o ministério de Pedro, presente nos seus sucessores, os Papas de Roma, o ministério episcopal, no qual se concretiza a sucessão apostólica, a caridade fraterna, os vários dons e carismas da comunidade, o sentido da missão de anunciar Jesus ao mundo como Senhor e Salvador, o martírio como testemunho máximo de Cristo, a presença materna da Virgem Maria e dos Santos, amigos de Cristo. A Igreja católica é, portanto, Igreja de Cristo, pertence a Cristo e, por graça de Cristo, conserva e conservará sempre, sem poder perder, estes elementos. Mas, isso não significa que a Igreja seja proprietária de Cristo. Aqui é preciso dizer claramente: a Igreja pertence a Cristo, mas Cristo não é propriedade da Igreja! De fato, na força do seu Espírito Santo, ele manifesta sua ação também fora da estrutura visível da Igreja católica. Pensemos nos nossos irmãos separados, de tradição protestante. Eles têm tantos elementos da Igreja de Cristo: a Palavra de Deus, a confissão de Jesus como Senhor e Salvador, tantos dons e carismas, o amor sincero a Jesus, a caridade fraterna, o ela missionário. Tudo isso deve ser, para nós, católicos, causa de alegria. Ainda que não estejam em comunhão plena com a Igreja de Cristo e falte-lhe elementos essenciais da Igreja de Cristo, eles não estão fora do caminho da salvação! Hoje, Jesus nos convida à tolerância e ao amor a esses irmãos. Isto não significa de modo algum dizer que está tudo bem, que tanto faz ser católico como não ser, que o importante é a fé em Jesus e pronto. Não! É preciso recordar que a divisão na Igreja é um pecado grave e contraria o desejo de unidade que o Senhor deixou como testamento: “Pai, não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim: a fim de que sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,20s). É também absolutamente falso afirmar que as questões de doutrina não são importantes. O Novo Testamento está repleto de advertências contra os que ensinam doutrinas erradas e contrárias à fé dos apóstolos e são Paulo mesmo exorta a separar da Comunidade quem pregar um evangelho diferente do dele (cf. Gl 1,6-9). A busca de recompor a unidade visível da Igreja em torno de Cristo, com os mesmos pastores, os mesmos sacramentos e a mesma doutrina é dever de todos os cristãos! Mas, também é necessário deixar claro o dever que todos nós temos da tolerância respeitosa e amorosa para com os irmãos separados. Se nos entristece ouvi-los falar mal da Igreja – às vezes até caluniando-a e mentindo contra ela -, deve alegrar-nos ouvi-los falar bem de Cristo e pregar o Evangelho. Ainda mais: até para com os não-cristãos, como os espíritas, muçulmanos, budistas, adeptos da seicho-no-iê... temos o dever do respeito e da tolerância. Deles, o Senhor afirma no evangelho de hoje: “Quem vos der a beber um copo da água, porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa”. Então, que fique bem claro o dever da tolerância que nós, discípulos de Cristo, temos para com os demais. Mas, a Palavra de Deus também fala hoje de radicalidade. Tolerância para com os outros; radicalidade para conosco, no nosso ser cristãos! Vejamos: (1) Radicalidade no respeito pela debilidade dos pequeninos e fracos na fé: “Se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço”. Deus nos livre de escandalizar, Deus nos livre de, por nossas atitudes, ser causa de tropeço para os irmãos mais fracos na fé! (2) Radicalidade para cortar o que em nós é escândalo, isto é, o que em nós leva ao pecado e ao afastamento de Cristo: “Se tua mão te leva a pecar, corta-a... Se teu pé te leva a pecar, corta-o... Se teu olho te leva a pecar, arranca-o!” Hoje, a tendência é arrancar o Evangelho para não termos que arrancar nada em nós, para não termos que nos incomodar nem mudar de vida! Jesus é claro: não entrará na vida quem sinceramente não combater aquilo que o faz tropeçar no caminho cristão. (3) Finalmente, a radicalidade de apoiar-se somente no Senhor e não nas nossas posses espirituais e materiais: espiritualmente, nunca pensar que somos proprietários do Senhor e da salvação e, materialmente, recordar que nossas riquezas apodrecem e nosso outro enferruja. São Tiago nos adverte duramente na segunda leitura de hoje: triste de quem é rico para si, desprezando os outros, mas não é rico para Deus! Que o Senhor, pela sua graça, nos dê toda tolerância e toda intolerância. Toda tolerância com os irmãos e toda intolerância com o nosso pecado e as nossas manhas,! Que o Senhor nos converta, ele que é bendito para sempre. Amém.
Tomemos o Evangelho deste hoje. Três coisas nos diz, três exortações nos faz. A primeira delas é uma exortação à tolerância, a não querermos manipular Deus ou cair na ilusão de que o temos como uma propriedade, um monopólio. Eis: “João disse a Jesus: ‘Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue’. Jesus disse: ‘Não o proibais. Quem não é contra nós é a nosso favor’”. Vede, caríssimos, o Senhor nos convida a uma atitude de abertura, nos exorta a reconhecer o bem naqueles que não são dos nossos, que não estão na plena comunhão com a sua Igreja católica. Não se trata de relativismo, não se trata de afirmar que todas as religiões são iguais. Nada disso! Trata-se de reconhecer o que de bom, pela graça de Deus, há nos outros. Por exemplo: como não reconhecer que nossos irmãos protestantes, ainda que não estejam na plena comunhão com a Igreja de Cristo e tenham erros sérios de doutrina, amam sinceramente a Jesus? Como não nos alegrar pelo bem que fazem, pela proclamação de Jesus que testemunham, pelos dons e carismas que têm entre eles? Ainda que fora da comunhão plena com a Igreja que o Senhor Jesus fundou e entregou a Pedro e aos Doze, eles são nossos irmãos verdadeiramente pela fé e o batismo. Outro exemplo: Como não nos alegrar porque tantos judeus procuram ser sinceramente fiéis ao Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó e, de todo o coração, procuram viver os preceitos da Lei e esperam o Messias? Ou ainda, como não reconhecer que é um bem que os muçulmanos adorem um só Deus e respeitem o nome de Jesus como de um profeta? Ou então, como não admirar sinceramente a idéia de compaixão que existe entre os budistas? E assim por diante... Também aí, em todas essas religiões, há elementos de verdade, mesmo que misturados a tantos erros de doutrina ou de prática... Mas, pelos acertos, pelo bem, pelos elementos de verdade, bendito seja Deus! E, precisamente aqui, o Senhor nos convida ao respeito pelos outros, pelos que pensam e vivem e crêem de maneira diferente da nossa... Também entre esses há bons sentimentos, há retidão de consciência, há bondade. Não reconhecer isso seria pecado de nossa parte! “E quem vos der a beber um copo de água porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa”. Vede, também o bem que fizerem, ainda que não sejam dos nossos, será recompensado pelo Senhor! Meus caros, nossa primeira tendência é refutar quem não pensa como nós, é rechaçar o diferente, procurar logo os defeitos e condenar; nossa tentação é a dureza, a intransigência, a rejeição. Recordai a mesma atitude fechada de Josué, na primeira leitura. É zelo, mas zelo desorientado; é amor, mas amor que precisa ser evangelizado! Vede que o Senhor claramente nos convida a uma outra atitude. Repito: nada de relativismo, nada de nivelar as religiões com a fé católica, recebida dos apóstolos. Mas também nada de prepotência, orgulho ou intransigência mesquinha. Acolhamos a todos, a todos respeitemos, com todos procuremos a paz na verdade, sobretudo com aqueles que, sem ser dos nossos, adoram conosco o nosso Cristo Jesus como Deus e Salvador. Uma segunda exortação do Senhor: o cuidado com os pequenos, os fracos na fé, os imaturos que estão na nossa comunidade: “Se alguém escandalizar um desses pequeninos que crêem , melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço”. Não basta ser tolerante com os de fora; é necessário mais ainda ser cuidadoso com os de nossa comunidade, de nossa paróquia, os nossos irmãos, filhos da mesma mãe católica. Quantas vezes uma palavra dura, um mau exemplo, uma atitude de fechamento, podem fazer esfriar a fé do irmão que é fraco. É o escândalo, isto é, é se tornar causa de tropeço e de queda para os outros. Deus nos livre, caríssimos, de servir a Deus passando por cima dos outros! Deus nos defenda de uma santidade que não cuide do bem e da fé dos irmãos! Deus nos guarde de um cristianismo sem amor! Eis aqui: com os de fora, tolerância e respeito; com os de dentro, amor e cuidado fraterno! É impressionante o quanto Jesus nos faz responsáveis uns pelos outros, o quanto pedirá contas da fé e da perseverança do nosso irmão! Ai de nós se escandalizarmos, ai de nós se desprezarmos, ai de nós se formos motivo de queda para os outros! – Senhor, tem piedade de nós, que somos fracos! Tem compaixão de nós, pois tantas vezes, sem querer, escandalizamos, sem perceber, fazemos os outros sofrerem! – Recordai, caríssimos da súplica do Salmo de hoje: “Quem pode perceber suas faltas? Perdoai as que não vejo! E preservai o vosso servo do orgulho: não domine sobre mim!” Não aconteça que fiquemos sem ter o que responder quando o Senhor, no Dia final, nos perguntar como a Caim: “Onde está o teu irmão?” Cuidemos, caríssimos, uns dos outros e, na medida de nossa humana limitação, sejamos solícitos pelo bem de nossos irmãos! Por último, uma gravíssima exortação do nosso Salvador: tudo quanto nos escandalizar, isto é, tudo quanto nos atrapalhar na vida cristã, tudo quanto nos fizer tropeçar, devemos ter a coragem de arrancar de nossa vida: “Corta-o! Arranca-o!” Caro meu, o que te faz tropeçar no caminho do Senhor? Tens combatido, tens afastado, tens lutado contra esses empecilhos? Se combatermos nossos pedaços ruins, nossas más tendências, nossos vícios, saibamos que o Senhor não nos abandonará e estaremos caminhando para ele. Mas, ao contrário, se descansarmos preguiçosamente no mal, então nosso coração irá sendo endurecido e afastado do Senhor, iremos nos enchendo de nós mesmos e nos esvaziando de Deus, ao ponto de termos de escutar a reprimenda duríssima de São Tiago, na segunda leitura: “Agora, ricos, chorai e gemei, por causa das desgraças que estão para cair sobre vós!” O Apóstolo convida-nos à retidão, à justiça, à uma vida segundo a verdade de Cristo! Ricos de pecados, ricos de uma vida soberba, ricos para si mesmos e não para Deus – se assim formos, morreremos para Cristo!Eis, pois! Guardemos no coração estas advertências do nosso Salvador e vivamos uma vida nova, segunda a sua santa vontade. Amém! Artigos Relacionados: |
| Última atualização em Qui, 15 de Outubro de 2009 09:23 |
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