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V Domingo da Quaresma – Ano C PDF Imprimir E-mail
Ano C
Dom, 24 de Maio de 2009 01:09


Is 43,16-21
Sl 125
Fl 3,8-14
Jo 8,1-11

Homilia I

Vai se intensificando a preparação para o Tríduo Sacro que nos faz celebrar a Santa Páscoa. Desde a segunda-feira passada, as leituras do Evangelho de João apresentam-nos Cristo em tensão com os judeus, tensão que culminará com sua morte. Hoje, a liturgia permite que cubramos as imagens de roxo ou branco, exprimindo o jejum dos nossos olhos: a necessidade de purificar o olhar de nosso coração, para irmos direto ao essencial: “a caridade, que levou o Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo” (Oração da Coleta). A partir de amanhã, segunda-feira, este clima de preparação para o mistério pascal intensifica-se ainda mais com o Prefácio da Paixão, rezado em cada Missa.
Por tudo isso, o profeta Isaías, em nome do Senhor, nos convida a olhar para frente, para o mistério que é maior que qualquer outra ação de Deus: o mistério do Filho em sua paixão, morte e ressurreição: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis”. Mais que a criação, mais que a travessia do Mar Vermelho, mais que a água jorrada da rocha... o Senhor fará algo definitivo! Ele abrirá uma estrada no deserto, fará correr rios em terra seca!
Pensemos estas imagens à luz da Páscoa: o Senhor Jesus nos abrirá no deserto da morte – e das mortes da vida – uma estrada de vida, um caminho para o Pai: “Vós me ensinareis o caminho da vida!” O Senhor Jesus fará brotar de seu lado aberto o rio da graça, o rio dos sacramentos, do Batismo (água) e da Eucaristia (sangue) que regam e fertilizam a nossa pobre existência! “Eis que eu farei coisas novas!”
Nunca esqueçamos que a Páscoa do Senhor – Passagem deste mundo para o Pai, atravessando o tenebroso vale da morte – é também a nossa Páscoa: Passagem pela vida neste mundo, que terminará com Cristo na plenitude do Pai; mas também, já agora, Passagem sempre renovada do pecado para a graça, dos vícios para a virtude, de uma vida centrada em nós mesmos, para uma vida centrada com Cristo em Deus. É este, precisamente, o sentido do Evangelho deste Domingo: a mulher pecadora, renovada pelo perdão do único que poderia condená-la, porque o único Inocente: “Eu não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. Diante do Cristo, o Inocente que por nós será entregue e por nós livremente entregar-se-á, como não nos reconhecermos culpados? Como não termos vergonha de julgar e condenar os demais? Como não nos sentirmos amados, acolhidos e perdoados por Aquele que nos lavou com o seu sangue, nos aliviou com suas dores e nos revivificou com a sua Ressurreição? Afinal, quem é essa mulher adúltera? Não é Israel, que se prostituiu? Não é a Igreja, quando nos seus filhos pecadores, trai o Evangelho? Não somos nós, cada um de nós, com nossas infidelidades, covardias e incoerências? Todos pecadores, todos necessitados do perdão, todos perdoados e acolhidos por Aquele que não tem pecado!
Pensemos no Senhor Jesus, naquela sua caridade, naquele seu amor, que o levou a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo! Pensemos com o comovente pensamento de São Paulo. É um testemunho comovente de um amor apaixonado: “Considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor”. Conhecer a Cristo significa unir-se a ele, participar de sua experiência, de seu caminho, de seu destino... “Por ele eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele... experimentar a força da sua ressurreição, ficar em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos” São palavras estupendas! Perder tudo por Cristo, perder-se em Cristo, tudo relativizar por Cristo e em relação a Cristo, ter na vida e fazer da vida uma única paixão: estar unido a Cristo no seu sofrimento e na sua ressurreição, completando em mim o que falta de suas dores e experimentando já agora - e um dia, de modo pleno -, o poder vitorioso da sua Ressurreição. O que São Paulo deseja? Viver na sua vida, na sua carne, nos seus dias, a Páscoa do Senhor. Deseja que seus sofrimentos e desafios estejam unidos aos de Cristo e sejam vividos em Cristo e no amor de Cristo para também experimentar na carne e na vida – na carne da vida! – a vitória de Cristo. Isto é conhecer Jesus Cristo! Não um conhecimento teórico, exterior, mas um conhecimento coração a coração, vida a vida, lágrima a lágrima, vitória a vitória! Este deve – deveria – ser o caminho normal de todo o cristão! Esta é a verdadeira ciência, que transcende qualquer outra ciência; esta, a verdadeira teologia, o verdadeiro conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo!
Está próxima a Páscoa, a Festa dos cristãos! Nestes dias santíssimos, unamo-nos intimamente ao Senhor Jesus Cristo, deixemos que o Santo Espírito reproduza em nós os seus sentimentos de total confiança no Pai e total entrega amorosa aos irmãos, à humanidade. Sigamos o exemplo do Apóstolo: “Uma coisa eu faço: esquecendo o que ficou para trás, eu me lanço para o que está à frente. Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus”. Cristo Jesus! Que nome tão doce, que consolo tão grande, que esperança tão certa, que prêmio tão imperecível. A ele – e só a ele – toda a glória e toda a honra!
“Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa santa cruz remistes o mundo!”

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Homilia II

Caríssimos Irmãos no Senhor, estamos nos encaminhando para o final da Quaresma; estamos próximos do início da Grande Semana que desemboca no Tríduo Pascal! Hoje, a Palavra que escutamos nos convida a esquecer o velho pecado, esquecer o que ficou para trás, e prosseguir, renovados, para adiante, para frente, onde Cristo nos espera! Certamente, esse “esquecer o que fica para trás” não pode ser uma negação irresponsável do nosso passado! Esquecer o pecado que passou somente é possível quando o assumimos diante de Deus e o confessamos de coração sincero. Para isto Cristo nosso Deus nos deixou o Sacramento da Penitência! Assumanos, pois, que somos pecadores, confessemos nossos pecados e caminhemos, passos apressados e decididos, ao encontro do Cristo que nos salva e purifica!
É a tal atitude que as leituras de hoje nos convidam, caríssimos. O Senhor, na primeira leitura, nos exorta pela boca de Isaías Profetas: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. “Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as conheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca”. O mesmo Deus que abriu o tremendo Mar Vermelho e arrancou Israel da morte, dando-lhe um futuro, agora nos promete algo maior, uma coisa nova. Que coisa? Que promessa? Ei-la: em Cristo Jesus nos será aberta uma estrada no meio do mar da morte, e nós com Cristo e em Cristo, ressuscitaremos, viveremos. Mais ainda: já agora, atravessando as águas do santo Batismo, seremos lavados, regenerados, purificados e, como novo povo de Deus, como sua Igreja, atravessaremos o deserto deste mundo rumo à Terra Prometida da glória celeste.
Também São Paul, na segunda leitura, convida-nos a deixar o que ficou para trás e correr para adiante, para o Cristo. Suas palavras são claras e nos devem contagiar de entusiasmo: “Não que já tenha recebido tudo isso ou que já seja perfeito. Mas corro para alcançá-lo, visto que já fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, eu não julgo já tê-lo alcançado. Uma coisa, porém, eu faço: esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente. Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus”. Isto mesmo: não somos perfeitos, experimentamos em nós ainda as marcas da concupiscência deixada pelo pecado original, mas Cristo nos atrai, seu amor nos impele porque ele nos alcançou, nos conquistou, nos resgatou com sua preciosa cruz e ressurreição! Então, esqueçamos a vida de pecado, caríssimos! Deixemos para trás a velhice dos velhos vícios, que nos prendem, nos deformam, nos desumanizam! Lancemo-nos para adiante, para o Futuro, a Meta, o Objetivo! - O Futuro é Cristo, a Meta é Cristo, o Objetivo é ainda Cristo! Nele receberemos a salvação! Olhai bem, caríssimos, que vale a pena tudo deixar por Cristo, tudo perder por Cristo, por Cristo tudo deixar para trás! Basta pensar no santo Apóstolo, que ainda nesta segunda leitura nos dá um testemunho comovente: “Considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele”. Que palavras, que experiência, que vida, a de Paulo Apóstolo! Perder tudo por Cristo e tudo ganhar em Cristo; deixar tudo por Cristo e tudo encontrar em Cristo! Como há dois mil anos atrás, ainda hoje somente quem se perde em Cristo pode experimentar a ternura amorosa de Cristo; somente quem se deixa por ele pode encontrar-se nele, encontrar-se de verdade! É isto, caríssimos, conhecer a Cristo, é isto experimentá-lo e, então, saber, de verdade, que ele está vivo, que ele é o nosso Salvador, que ele é nossa doçura e o sentido único de nossa vida!
Vamos, caríssimos meus amados! Aproveitemos esses dias quaresmais. Olhemos a misericórdia de Jesus e não duvidemos que ele pode nos restaurar, nos libertar dos vícios e pecados! Se para ele nos abrirmos, se com ele e por ele abraçarmos a luta interior, o combate espiritual, a penitência generosa, certamente escutaremos sua voz que nos dirá como à pecadora de hoje: “Eu não te condeno. Vai e não peques mais!” Muitas vezes o mundo hipócrita ou nossa consciência obscurecida querem nos jogar na miséria, querem que para nós não haja esperança em Cristo! muitas vezes, parece que nosso destino é aquele que os escribas e fariseus do Evangelho deste Domingo queriam dar à mulher adúltera: a lama, o desespero, a pecha sem cura de ser perdido, de ser pecador... Mas, Jesus, o Inocente, o Puro, o único que poderia nos condenar e nos atirar pedras, ele nos diz, do fundo do seu Coração: “Eu não te condeno!” E nos convida e nos desafia em os ordena: “Vai, e não peques mais!”
Então, caríssimos, olhemos para frente e confiemos no amor do Senhor! Mas, para que nossa união com Cristo não seja uma ilusão e uma mentira, que estejamos prontos a participar do seu sofrimentos (olhai bem que os sofrimentos dele são aqueles que se manifestam na nossa vida!), a conhecer por experiência o mistério de sua cruz para, assim, participarmos também da força regeneradora da sua bendita ressurreição. Recordai a palavra de São Paulo, o seu programa de vida: “conhecer a Cristo, experimentar a força de sua ressurreição, ficar em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos”. Seja este, meus irmãos no Senhor, o fruto do nosso caminho de Quaresma: ter tal união com o Salvador, que estejamos em comunhão com os seus sofrimentos e possamos experimentar em nós o poder da sua ressurreição, que nos dá uma vida nova, como a da adúltera, renovada pelo perdão do Salvador. A ele a glória hoje e para sempre. Amém.

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Última atualização em Sáb, 27 de Março de 2010 22:08
 

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