Informações
| IV Domingo da Quaresma – Ano C |
|
|
|
| Ano C |
| Dom, 24 de Maio de 2009 01:09 |
|
Js 5,9a.10-12 Homilia I Este Domingo hodierno, caríssimos, marca como que o início de uma segunda parte da Santa Quaresma. Primeiramente é chamado “Domingo Laetare”, isto é “Domingo Alegra-te”, porque, no Missal, a antífona de entrada traz as palavras do Profeta Isaías: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações!” Um tom de júbilo na sobriedade quaresmal! É que já estamos às portas “das festas que se aproximam”. A Igreja é essa Jerusalém, convidada a reunir seus filhos na alegria, pela abundância das consolações que a Páscoa nos traz! Este tom de júbilo aparece nas flores que são colocadas hoje na igreja e na cor rosa dos paramentos do celebrante. Depois deste Domingo, o tom da Quaresma muda. A partir de amanhã, até a Semana Santa, todos os evangelhos da Missa serão de São João. Isto porque o Quarto Evangelho é, todo ele, como um processo entre os judeus e Jesus: os judeus levarão Jesus ao tribunal de Pilatos. Este condena-lo-á, mas Deus haverá de absolvê-lo e ressuscitá-lo! A partir de amanhã também, a ênfase da Palavra de Deus que ouviremos na Missa da cada dia, deixa de ser a conversão, a penitência, a oração e a esmola, para ser o Cristo no mistério de sua entrega de amor, de sua angústia, ante a paixão e morte que se aproximam. Em todo caso, não esqueçamos: a Quaresma conduz à Páscoa. A primeira leitura da Missa no-lo recorda ao nos falar da chegada dos israelitas à Terra Prometida. Eles celebraram a Páscoa ao partirem do Egito e, agora, chegando à Terra Santa, celebram-na novamente. Aí, então, o maná deixou de cair do céu. Coragem, também nós: estamos a caminho: nossa Terra Prometida é Cristo, nossa Páscoa é Cristo, nosso maná é Cristo! Ele, para nós, é, simplesmente, tudo! Estão chegando os dias solenes de celebração de sua Páscoa! Quanto à liturgia da Palavra, chama-nos atenção hoje a parábola do filho pródigo. Por que está ela aí, na Quaresma? Recordemos como Lucas começa: “Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para escutá-lo. Os fariseus, porém, e os escribas criticavam Jesus. ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’”. Então: de um lado, os pecadores, miseráveis sem esperança ante Deus e ante os homens, que, agora, cheios de esperança nova e alegria, aproximam-se de Jesus, que se mostra tão misericordioso e compassivo. Do outro lado, os homens de religião, os praticantes, que sentem como que ciúme e recriminam duramente a Jesus! É para estes que Jesus conta a parábola, para explicar-lhes que o seu modo de agir, ao receber os pecadores, é o modo de agir de Deus! Quem é o Pai da parábola? É o Deus de Israel, o Pai de Jesus. Quem é o filho mais novo? São os pecadores e publicanos. Este filho sem juízo deixou o Pai, largou tudo, pensando poder ser feliz por si mesmo, longe de Deus, procurando uma liberdade que não passava de ilusão. Como ele termina? Longe do Pai, sozinho, humilhado e maltrapilho, sem poder nem mesmo comer lavagem de porcos - recordemos que, para os judeus, os porcos são animais impuros! Mas, no seu pecado, na sua loucura e na sua miséria, esse jovem é sincero e generoso: caiu em si, reconheceu que o Pai é bom (como ele nunca tinha parado para perceber), reconheceu também que era culpado, que fora ingrato... e teve coragem de voltar: confiou no amor do Pai. Cheio de humildade, ele queria ser tratado ao menos como um empregado! Esse moço tem muito a nos ensinar: a capacidade de reconhecer as próprias culpas, a maturidade de não jogar a responsabilidade nos outros, a coragem de arrepender-se, a disposição de voltar, confiando no amor do Pai! Para cada filho que volta assim, o Pai prepara uma festa (a Páscoa) e o novilho cevado (o próprio Cristo, cordeiro de Deus) e um banquete (a Eucaristia) e a melhor veste (a veste alva do Batismo, cuja graça é renovada na Reconciliação). E o filho mais velho, quem é? São os escribas e fariseus, são os que pensam que estão em ordem com o Pai e não lhe devem nada, são os que se acham no direito de pensar que são melhores que os demais e, por isso, merecem a salvação. O filho mais velho nunca amou de verdade o Pai: trabalhou com ele, nunca saiu do lado dele, mas fazendo conta de tudo, jamais se sentindo íntimo do Pai, de tudo foi fazendo conta para, um dia, cobrar a fatura: “Eu trabalho para ti a tantos anos, jamais desobedeci qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos” O filho nunca compreendera que tudo quanto era do Pai era seu... porque nunca amara o Pai de verdade: agia de modo legalista, exterior, fazendo conta de tudo... E, agora, rancoroso, não aceitava entrar na festa do Pai, no coração do Pai, no amor do Pai, para festejar com o Pai a vida do irmão! O Pai insiste para que entre... mas, os escribas e os fariseus não quiseram entrar na festa do Pai, que Jesus veio celebrar neste mundo... Quem somos nós, nesta parábola? Somos o filho mais novo e somos também o mais velho! Somos, às vezes, loucos, como o mais jovem, e duros e egoístas, como o mais velho. Pedimos perdão como o mais novo, e negamos a misericórdia, como o mais velho. Queremos entrar na festa do Pai como o mais novo, e, às vezes, temos raiva da bondade de Deus para com os pecadores, como o mais velho! Convertamo-nos! São Paulo nos ensinou na Epístola que, em Cristo, Deus reconciliou o mundo com ele e fez de nós, criaturas novas. O mundo velho, marcado pelo pecado, desapareceu. Em nome de Cristo, Paulo pediu – e eu vos suplico também: “Deixai-vos reconciliar com Deus! Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tornemos justiça de Deus!” Alegremo-nos, pois! Cuidemos de entrar na festa do Pai, que Cristo veio trazer: peçamos perdão a Deus, demos perdão aos irmãos! “Como o Senhor vos perdoou e acolheu, perdoai e acolhei vossos irmãos!” Deixemos que Cristo nos renove, ele que é Deus bendito pelos séculos. Amém. Homilia II
Caríssimos irmãos no Senhor, este é o IV Domingo da Quaresma, chamado de Domingo “Laetare”. “Laetare”” – alegra-te, em latim... Na antífona de Entrada do Missal Romano, está escrito, para a Missa deste hoje: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós, que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações”. São palavras do Profeta Isaías, no capítulo 66... Tão oportuno, amados meus, este convite à alegria a esta altura da Quaresma... Pensando nos nossos pecados, pensando nos pecados de tantos na Igreja, pensando em tantas de nossas infidelidades e em tantos escândalos que nos cortam o coração, vem-nos a tentação do desânimo, de pensar até que a graça de Deus não é forte o bastante para debelar o mal que se incrusta no nosso coração e no coração do mundo... E, no entanto, o Senhor nos convida à alegria; convida a Igreja, nova e eterna Jerusalém, à alegria, convida-nos a nós, que amamos a Mãe católica - tão sofrida pelas fraquezas de seus filhos -, convida-nos a nós à alegria: “Reuni-vos, vós todos que a amais; vós, que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações”. Que consolações são essas, irmãos? Que consolações são as da Igreja entre tanta desolação? Eis quais são: aquelas que vêm do Senhor que é fiel, que se entregou por nós, que amou a sua Igreja e nela permanece sempre com invencível fidelidade! E todo aquele que se une ao Senhor e nele permanece pode experimentar tal consolação! Caros irmãos, amados companheiros no caminho de Cristo, na tribulação do combate desta vida, não é ilusória a afirmação do Apóstolo na segunda leitura de hoje: “Se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo!” Quem, nesta santa Quaresma, estiver se entregando ao exercício espiritual, quem combatendo, quem rezando mais, quem lutando contra os vícios, quem exercitando-se no amor fraterno, pode experimentar a realidade dessa bendita novidade que Cristo nos proporciona e gera em nós com a sua graça! Somos frágeis, caríssimos! Às vezes, como o filho mais novo da parábola de hoje, caímos na ilusão de pensar que longe de Deus, fazendo por nossa conta e vivendo do nosso modo, seríamos mais felizes. E, no entanto, somente perto dele é que teremos a paz e a alegria e viver de verdade! Por isso mesmo o Pai entregou por nós o Filho único, o Filho bendito, o Filho amado! Como é bom o nosso Deus! Ele não mata para nós o novilho cevado; ele faz mais, faz o impensável, o inesperado: “Aquele Filho bendito que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez vítima de pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus”. Eis, que mistério: na morte do Cristo, no sangue do Filho amado nós fomos feitos justos, santos, diante de Deus! A todos nós e a Igreja inteira o Senhor Deus pode dizer o que disse ao povo de Israel na primeira leitura deste Domingo santo: “Hoje tirei de cima de vós o opróbrio do Egito”. Sim, Senhor, tiraste de cima de nós o opróbrio de nossa escravidão, aquela pior de todas, aquela do pecado! Obrigado, Senhor Deus, que nos livraste da miséria na qual caímos por nossa própria culpa quando nos afastamos de ti! Obrigado porque tiveste compaixão, e correste ao nosso encontro com os braços abertos do teu Jesus, e nos calçaste as sandálias da salvação, e nos deste a melhor roupa, aquela do nosso Batismo e nos deste o banquete da Eucaristia, corpo do Cordeiro verdadeiro, que tira o pecado do mundo e é alimento de vida eterna! Queridos irmãos, reconheçamo-nos pecadores. Mas, antes, reconheçamo-nos amados e acolhidos pelos braços abertos do Senhor! Experimentemos com toda certeza que “em Cristo crucificado Deus reconciliou o mundo consigo”, Deus nos deu o perdão e a paz verdadeira! E este amor experimentado de modo interior, profundo e verdadeiro, seja transbordado para os irmãos. Não sejamos de coração duro como o filho mais velho da parábola: estava junto do pai exteriormente, era exteriormente obediente ao pai e, no entanto, seu coração era sem afeto, sem amor, coração frio, calculista, pronto para cobrar, ponto por ponto, tudo quanto fizera no trabalho do pai... Tão distante, aquele moço, que não se sentia à vontade para pegar um cordeiro do pai e festejar com os amigos; tão duro de coração, que não era capaz de chamar o irmão que voltou de irmão... Meus caros, em Cristo Deus nos perdoou, em Cristo ele nos acolheu! Recebamos esse perdão bendito no sacramento da Penitência e sejamos testemunhas desse perdão e da benevolência e benignidade do nosso Deus pelo nosso modo de proceder em relação aos irmãos! Eis aqui o motivo da alegria e do júbilo da Igreja, nossa Mãe católica: ver seus filhos reconciliados com o Esposo Jesus, experimentar seus filhos vivendo como irmãos! Alegra-te, Jerusalém do Alto, Cidade dos cristãos, Templo do Senhor! Alegra-te! Que teus filhos em ti vivam todos como irmãos! Amém. Artigos Relacionados: |
| Última atualização em Sex, 19 de Março de 2010 10:46 |
Fornecido por Joomla!. Designed by: Joomla 1.5 Template, database terminology. Valid XHTML and CSS.


