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| I Domingo da Quaresma – Ano C |
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| Ano C |
| Dom, 24 de Maio de 2009 01:11 |
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Dt 26,4-10 Homilia I Neste início de Quaresma, a liturgia faz-nos pensar na Páscoa. Isto porque o tempo quaresmal não é um fim em si mesmo, mas é caminho de luta e combate espiritual para bem celebrarmos, com o coração dilatado, a Páscoa do Senhor, maior de todas as festas cristãs. Na primeira leitura, o Deuteronômio apresenta-nos o rito de oferta das primícias da colheita: ao apresentar ao Senhor Deus o fruto da terra, o israelita piedoso confessava que pertencia a um povo de estrangeiros e peregrinos, vindos do Pai Jacó, que não passava de um arameu errante. O israelita fiel recordava diante de Deus a história de Israel, história de escravidão e de libertação: “Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito... Ali se tornou um povo grande, forte e numeroso. Os egípcios nos oprimiram. Clamamos ao Senhor... e o Senhor ouviu a nossa voz e viu a nossa opressão... E o Senhor nos tirou do Egito... E conduziu-nos a este lugar e nos deu esta terra... Por isso eu trago os primeiros frutos da terra que tu me deste, Senhor”. Éramos ninguém e o Senhor nos libertou, deu-nos uma vida nova – eis o resumo da história e da experiência de Israel! Esta também é a nossa experiência, como Igreja, Novo Israel: “Se com a tua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo”. Também a nossa história é de libertação: éramos escravos, todos nós, do grande Faraó, o Pecado que nos destrói e destrói o mundo. Mas Deus enviou o seu Filho numa carne de pecado (numa natureza sujeita às conseqüências do pecado): ele desceu a este mundo e entrou na nossa miséria, até a morte, a nossa morte. Deus o arrancou da morte; ressuscitou-o e fez dele Senhor e Cristo e quem nele crer e confessá-lo como Senhor na sua vida, encontra a salvação; encontra um novo modo de viver, encontra a paz, encontra já agora a comunhão com Deus e, depois, a Vida eterna! Assim, Israel nasceu da Páscoa do deserto; a Igreja nasceu da Páscoa de Cristo. Israel era escravo, atravessou o mar e o deserto e tornou-se um povo livre para o Senhor. Nós éramos escravos, éramos ninguém, atravessamos as águas do Batismo com Cristo, e ainda que caminhemos neste deserto da vida, somos um povo livre para o Senhor nosso Deus. O tempo da Quaresma prepara-nos para celebrar este mistério tão grande! Recordemos que a ressurreição de Cristo é causa da nossa ressurreição, é motivo da nossa comunhão com Deus é a razão da nossa fé cristã! Há apenas dois domingos, São Paulo dizia abertamente: “Se Cristo não ressuscitou, vã é a vossa fé, ainda estais em vossos pecados!” (1Cor 15,17). Pois bem, neste sagrado tempo quaresmal, a Igreja nos quer preparar para a santa Páscoa, para que revivamos em nós, pessoal e comunitariamente, a libertação que Cristo nos trouxe com a sua vitória. Por isso, a Quaresma é um tempo de combate espiritual e de luta contra o pecado. É um tempo de seríssimo exame de consciência e de reorientação de nossa adesão ao Cristo Jesus. Só assim, atravessaremos o deserto dos quarenta dias rumo à Terra Prometida da Páscoa de Cristo, que se torna nossa Páscoa. Nosso caminho quaresmal recorda e celebra tantas quaresmas: a do dilúvio, quando durante quarenta dias e quarenta noites o Senhor Deus purificou a terra e a humanidade; a de Moisés, que durante quarenta dias e quarenta noites jejuou e orou sobre o Sinai para encontrar o Senhor que lhe daria a Lei; a de Israel, que caminhou no deserto durante quarenta anos; a de Elias profeta, que caminhou quarenta dias pelo deserto rumo ao Horeb, monte de Deus; a quaresma de Jesus, que antes de iniciar publicamente seu ministério, jejuou e orou quarenta dias e quarenta noites. Eis o caminho de Deus, eis o nosso caminho: caminho de combate espiritual, de busca de Deus, de luta interior, de conversão! Sem Quaresma ninguém celebra verdadeiramente a Páscoa do Senhor! O evangelho de hoje, apresentando-nos as tentações de Jesus, nos ensina a combater: ele venceu Satanás ali, onde Israel fora vencido: Israel pecou contra Deus murmurando por pão; Jesus abandonou-se ao Pai e venceu; Israel pecou adorando o bezerro de ouro; Jesus venceu recusando dobrar os joelhos diante da proposta de Satanás; Israel pecou tentando a Deus em Massa e Meriba; Jesus rejeitou colocar Deus à prova. Nas tentações de Cristo estão simbolizadas as nossas tentações: a concupiscência da carne (o prazer e a satisfação desregrada dos sentidos), a concupiscência dos olhos (a riqueza e o apego aos bens materiais) e a soberba da vida (o poder e o orgulho auto-suficiente e dominador). Ora, Jesus foi tentado como nós, tentado por nossa causa, por amor de nós. Ele foi tentado como nós, para que nós vençamos como ele! Ele foi tentado não somente naqueles quarenta dias. O evangelho diz que “terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno”. A tentação de Jesus foi até a cruz, quando ele, no combate final, colocou toda a vida nas mãos do Pai e pelo Pai foi ressuscitado, tornando-se causa de vida e ressurreição para nós, que nele cremos, que o seguimos, com ele combatemos e o proclamamos Senhor ressuscitado. Caminhemos neste santo tempo rumo à Páscoa; usemos como armas de combate no caminho quaresmal a oração, a penitência e a esmola do amor fraterno para que, ao final do caminho, sejamos mais conformes à imagem bendita do Cristo Jesus ressuscitado, nosso Senhor e Deus, vencedor do Maligno e da morte, a quem seja a glória pelos séculos. Amém.
Homilia II
Caríssimos irmãos no Senhor, é este o primeiro Domingo do sagrado tempo da Quaresma, tempo de caminho para bem celebrar a santa Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Atenção, irmãos no Senhor, que é Jesus o centro da Quaresma: á para nos unir a ele no seu deserto que entramos neste caminho, é para ter seus sentimentos e atitudes e poder, assim, participar plenamente da celebração de sua Páscoa que caminhamos nestes quarenta dias de combate! Portanto, amados no Senhor, viver com seriedade o tempo quaresmal é colocar-se espiritualmente a caminho para crescer naquele conhecimento interior de Jesus, conhecimento saboroso, conhecimento ungido pelo Santo Espírito, conhecimento que ultrapassa de muito o simples conhecimento exterior adquirido pelo estudo. Deste conhecimento bendito falou-nos a oração da Missa de hoje, que pedia a Deus: “que ao longo desta Quaresma possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder ao seu amor por uma vida santa”. Mas, atenção, que não se chega a este conhecimento amoroso de Jesus sem combate espiritual, sem entrar com ele no deserto para lutar com nossos demônios, sem com ele vencer nossas tentações. Escutaste, irmão, que o nosso Salvador lutou contra Satanás, e tu, queres seguir o Salvador sem lutar? Escutaste que ele jejuou, e tu, desejas ser seu discípulo numa vida fácil e sem disciplina interior e exterior, espiritual e corporal? Vede, irmãos, como o Senhor combateu! Satanás propõe ao nosso Jesus um caminho que não é o do Pai, mas sim o da lógica humana: a facilidade de transformar pedra em pão e, assim, saciar-se, escapando da disciplina e da obediência na busca da vontade de Deus; propõe o caminho da aliança com os grandes, com os poderes do mundo para ser aceito e triunfar, ao invés do caminho da fidelidade humilde e trabalhosa ao desígnio do Senhor Deus; propõe o sucesso fácil, a qualquer custo, a busca do aplauso, ao invés da humildade de deixar que Deus seja o centro de nossa existência... Em uma palavra: a grande tentação de Jesus era ser um Messias do seu jeito, do jeito de uma lógica humana e não do jeito de Deus! Mas, não é esta também a nossa tentação, não é este o nosso desafio: viver do nosso modo ao invés de viver do modo de Deus? Fazer do nosso jeito ao invés de convertermo-nos ao jeito do Senhor? Eis o trabalho quaresmal: converter nossa vida ao Senhor, deixando-nos a nós, como Jesus deixou-se a si mesmo para abraçar o querer de Deus, como Jesus, por causa de Jesus e em Jesus! Isto é converter-se, meus caros, isto é mudar de vida, isto é ser cristão real e verdadeiramente! Mas, não faremos tal passo sem reconhecer realmente que nossa vida é dom do Senhor e somente nele poderá ser plena. Pensai no fiel israelita da primeira leitura de hoje, que reconhece ser dom de Deus tudo quanto tem e, assim, humildemente, tudo coloca nas mãos do Senhor: “Por isso, agora eu trago as primícias da terra que tu me deste, Senhor!” – assim dizia o judeu piedoso, inclinando-se em adoração ante o Senhor! Assim também tu, cristão, deves fazer, confessando que Jesus é de verdade o Senhor – o teu Senhor – e crendo de verdade que ele ressuscitou dos mortos! Se tu verdadeiramente fizeres de Jesus o teu rochedo e teu batente, se o invocares no caminho de tua vida, se não teimares em caminhar do teu modo, tu encontrarás em Jesus a salvação e com ele vencerás toda a tentação e todo o mal. Cumprir-se-á em ti, então, a palavra do Salmista: “Nenhum mal há de chegar perto de ti, nem a desgraça baterá à tua porta!” Mas, este caminho de conversão não é fácil! É necessária a coragem de combater, utilizando sobretudo neste período as preciosas armas espirituais que a Igreja nos oferece: a oração, a penitência e a esmola; a leitura espiritual, o combate aos vícios e a confissão dos pecados. Neste tempo quaresmal acrescentemos algo ao que já rezamos: quem sabe um salmo a mais por dia, a via-sacra às sextas-feiras... Recordemos que a oração nos abre para Deus, faz-nos de verdade deixar que Deus seja Deus na nossa vida! Procuremos também levar a sério a penitência corporal, sobretudo a abstinência de algum alimento e, às sextas-feiras, de carne. Sem renúncia a algum alimento, não há Quaresma de modo algum! A abstinência e o jejum, meus caros, recordam-nos que não vivemos por nós mesmos, mas recebemos a vida como um dom de Deus! Depois, a esmola, isto é, a caridade fraterna: se abrimos o coração ao Senhor, como poderíamos não abri-lo também aos irmãos, sobretudo os mais pobres, sejam de quais pobrezas forem! A Campanha da Fraternidade é um modo coletivo, comunitário de exercício da caridade. Neste ano a Igreja nos propõe meditar e discutir uma economia que esteja à serviço do homem e não do lucro acima de tudo... Escolhamos também uma leitura espiritual para fazer neste tempo, de preferência de um livro da Sagrada Escritura. Poderia ser o Êxodo, poderia ser o Evangelho de Lucas, lido nos domingos deste ano. Vejamos também algum vício, isto é, algum pecado nosso, daqueles arraigados em nós, e procuremos combatê-lo com mais cuidado e afinco neste sagrado tempo. Caríssimos, não recebamos em vão a graça de Deus! Não sabemos quantas quaresmas o Senhor ainda nos dará nesta vida... Assim, confessemos que Jesus é o Senhor; confessemo-lo com os lábios, confessemo-lo com o coração, mas confessemo-lo também com nossas observâncias quaresmais! E que o Senhor nos conduza a todos à Páscoa deste ano e àquela outra, definitiva, da glória eterna. Amém. Artigos Relacionados: |
| Última atualização em Qua, 24 de Fevereiro de 2010 22:14 |
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