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| V Domingo Comum – Ano C |
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| Ano C |
| Dom, 24 de Maio de 2009 01:14 |
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Is 6,1-2a.3-8 Homilia I Comecemos nossa meditação pelo Evangelho. É comovente: Jesus apertado pela multidão sedenta da palavra de Deus. Ao terminar sua pregação, sentado à barca de Pedro, que é imagem da Igreja, ordena a Simão Pedro e à Igreja de todos os tempos: “Avança para as águas mais profundas!” É a missão que o Senhor nos confia. Confia aos ministros sagrados e confia a todo o povo de Deus, a toda a Igreja, barca de Pedro: “Avança para as águas do mar da vida; ide pelo mundo, em cada época, em cada tempo; pregai o Evangelho!” Atualmente, frente à drescristianização do nosso mundo, esta ordem do Senhor é um desafio acima de nossas forças; e um desafio que chega a amedrontar. A resposta de Pedro deve ser também a nossa: “Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes!” Bendito Pedro, que, na palavra do Senhor, lançou as redes! Bendita a Igreja se fizer o mesmo em cada época da história humana! Benditos nós se, no meio em que vivemos, tivermos a coragem de lançar as redes da pregação do Evangelho! Observemos que aqui são de pouca valia a inteligência e astúcia nossa: “Na tua palavra lançarei as redes!” Só na tua palavra, Senhor, a pregação pode ser realmente eficaz! O Evangelho será sempre pregado na fraqueza, na pobreza, na loucura. E, no entanto, ele será sempre força, riqueza e sabedoria de Deus! É comovente também a atitude de Simão após a pesca: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou pecador!” O Senhor é tão grande (não é Aquele que enchia a terra com a sua glória, na primeira leitura? Aquele que está envolto numa nuvem de fumaça? Aquele que faz o templo tremer?), seus desígnios nos são tão incompreensíveis... somos tão pequenos, tão estultos e frágeis diante dele: “Senhor, afasta-te de mim! Chama alguém melhor!” E, no entanto, este Senhor tão grande quer precisar exatamente de nós, pequenos, pobres, estultos, frágeis. Este Senhor tão imenso, pergunta na primeira leitura: ‘Quem enviarei? Quem irá por nós?” Que mistério tão grande! Como pode Deus querer realmente contar conosco? Como pode o Evangelho depender de verdade da nossa pregação, do nosso testemunho? E, no entanto, é assim! É realmente assim! “Não tenhas medo! De hoje em diante, tu serás pescador de homens!” Eis aqui um mistério que não compreenderemos nunca nessa vida! Creiamos, adoremos, e digamos “sim” ao Senhor que nos chama e nos envia! Envia-nos a todos nós batizados e crismados! Lavou-nos no Batismo, como purificou os lábios de Isaías, e ungiu-nos com o Espírito de força e testemunho na Crisma, para que sejamos mensageiros do seu Evangelho! Vejamos, finalmente, a atitude de Pedro e de Tiago e João, diante do chamado do Senhor: “Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram Jesus”... Nunca mais barcas, nunca mais pescarias, nunca mais a vida de antes... “Deixaram tudo e seguiram Jesus...” É isso que é ser cristão: deixar-se a si, deixar uma vida voltada para si e dobrada sobre si mesmo, para seguir aquele que nos chamou e consagrou para a missão! Então, somos todos chamados e enviados como testemunhas do Senhor! Mas, há ainda dois outros aspectos importantes na palavra que Deus nos dirigiu hoje. O primeiro: em que consiste o anúncio que devemos fazer ao mundo? São Paulo no-lo diz de modo maravilhoso na segunda leitura: “Transmiti-vos em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras; que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras...” Vejamos bem que o anúncio do Evangelho não é simplesmente um anúncio sentimental e vazio sobre Jesus. Não é pregar curas, não é comentar a Bíblia, não é pregar preceitos morais! Isso não seria evangelização, mas charlatanismo, embromação! A pregação do Evangelho tem um conteúdo preciso, recebido da Tradição dos Apóstolos. Estejamos atentos como São Paulo diz: “Transmiti-vos aquilo que eu mesmo tinha recebido...” Paulo não inventa; não prega a si mesmo nem por si mesmo; prega o que recebera na Igreja, prega a fé da Igreja em Jesus. Por isso mesmo, mais tarde, ele vai a Jerusalém para ver Pedro. Vai conferir sua pregação com a de Pedro (Cefas), para ver se não havia corrido em vão! (cf. Gl 2,1-2) E pensemos que Paulo fora chamado diretamente pelo Senhor, de um modo absolutamente original e único! (cf. Gl 1,15-23). Então, para não corrermos em vão, o Evangelho vivido e pregado por nós não pode ser outro que Jesus morto e ressuscitado por nós, nosso único Salvador e Senhor. Mas, Jesus Cristo como é crido, vivido, celebrado e testemunhado pela Igreja. E quando dizemos “Igreja”, não tenham dúvida alguma: estamos nos referindo à Igreja católica, em comunhão com o Sucessor de Pedro e com os Bispos a ele unidos! Mas, há ainda um segundo aspecto importante: este Jesus que pregamos não é um mito, uma lenda, um sonho! Ele é a mais profunda e verdadeira realidade: o que diz São Paulo sobre o Cristo ressuscitado? “Apareceu a Cefas e, depois aos Doze. Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma só vez. Destes, a maioria ainda vive... Depois apareceu a Tiago e, depois, apareceu a mim, como a um abortivo”. É comovente o testemunho pessoal do Apóstolo! Ele viu o Senhor ressuscitado, ele é testemunha em primeira pessoa, juntamente com Pedro, em primeiro lugar, juntamente com os Doze e com toda a Igreja (os quinhentos irmãos)! O Evangelho que testemunhamos e anunciamos é uma realidade, é firme como uma rocha! Que fiquem hoje no nosso coração estes santos e piedosos pensamentos: o Senhor nos chama e envia para a missão; nós realmente somos importantes para a pregação do Evangelho! Este Evangelho é uma Pessoa concreta: é Jesus morto e ressuscitado, nosso Deus e Salvador, tal como é crido e anunciado pela Igreja católica, dentro da legítima e contínua Tradição dos Apóstolos. Que nos resta dizer? Sejamos fiéis a tão grande e tão urgente missão que o Senhor nos confia nos tempos de hoje: “Avança para as águas mais profundas, e lançai as redes para a pesca!” Vem conosco, Senhor Jesus, porque o teu mar é tão vasto e nosso barco, tua Igreja, é tão pequena! Vem conosco e temos certeza que nossas redes não se romperão nem ficarão vazias! Na tua palavra, ensina-nos a lançar as redes! Amém. Homilia II Caros Irmãos, sigamos de perto este Evangelho de hoje, V Domingo Comum. Jesus aparece à margem do Mar da Galileia – ou Mar de Tiberíades, ou Lago de Genesaré. Trata-se daquele lago formado pelas águas do Jordão. Aí Jesus pregou e viveu a maior parte do seu ministério, aí fez seus milagres, aí contou aquelas parábolas tão bonitas, que encantam ainda hoje o nosso coração peregrino. O Senhor está às margens desse lago e a multidão se apinha na praia para escutá-lo. Diz o Evangelho deste hoje que todos queriam “ouvir a Palavra de Deus”. É o que tanto atrai em Jesus: ele fala do Infinito, ele traz o Céu, traz Deus para este mundo cansado, para o coração humano tão sedento, tão vazio, tão ferido... Mais ainda: o nosso bendito e santo Salvador não somente traz a Palavra, mas ele próprio é essa Palavra: “No princípio era a Palavra, o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória!” (Jo 1,1.14). Pensai bem meus caros, porque ainda hoje é assim: a humanidade tem sede dessa Palavra e a Igreja somente atrairá o mundo quando anuncia esta Palavra bendita, que é Jesus. Não se trata de inventar tantos programas de pastoral, de aparecer com tantas novidades e muito menos d e se adequar aos modos e modas do mundo, mas de ser transparência viva de Jesus, de sua encantadora Pessoa e da Palavra que ele anuncia! E o Senhor entra na barca de Pedro – recordai que no Evangelho, a barca é imagem da Igreja. É na Igreja de Pedro, na Igreja de Bento XVI que Jesus se encontra e aí, pela voz da Igreja, da Mãe católica, ele ainda hoje nos faz ouvir a sua voz, que é luz, que é doçura que inebria o nosso coração! Que cena tão comovente: a barca a uns poucos metros da praia, Jesus nela sentado ensinando, o povo sentado à margem do lago, e o vento, trazendo aos ouvidos da multidão as palavras de vida eterna, a bendita mensagem que vem do infinito para o nosso mundo sofrido e cansado... E ao terminar, Jesus diz a Pedro – e diz a nós, a cada um e à sua inteira Igreja: “Avança para as águas mais profundas, conduz o barco para o mar alto, e lançai vossas redes para a pesca!” O mar do mundo, o mar da vida, o mar do dia-a-dia, o mar das mil dificuldades e desafios do mundo atual – eia onde o Senhor nos envia! E Pedro, cansado e desiludido, pois que passara a noite num mar que não estava para peixe, diz a Jesus o que nós deveremos sempre dizer: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Estamos cansados e desiludidos, sentimo-nos sem forças, sem motivação... Mas, porque tu mandas, na tua palavra, lançarei as redes!” Ah, queridos irmãos meus, companheiros de caminho neste mundo, companheiros na barca de Pedro, que é a Igreja, por que temos medo? Jesus é quem está na barca, Jesus é quem comanda a pesca! Não somos nós, não são as nossas f orças, não é a esperteza dos nossos planos de pastoral: é ele quem nos sustenta, é ele quem nos inspira o que dizer, é ele quem pode tocar os corações! Vamos, pois, ao alto mar desse mundo, e lancemos as redes do Evangelho! E o milagre acontece, e os peixes são tantos, que se faz necessária a ajuda dos companheiros de Pedro! E Simão,diante da manifestação da santidade de Jesus – não é ele o Deus Santo que Isaías viu no Templo, na primeira leitura de hoje? Não é ele, Jesus, aquele a quem proclamamos a cada Domingo: “Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vos o Altíssimo”? Não é ele, a quem os anjos aclamam no céu dizendo: “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos exércitos”? Pedro prostra-se ante Jesus e confessa humildemente ser apenas um pecador, como Isaías na primeira leitura: Ai de mim! Afasta-te de mim, Senhor: sou apenas um homem impuro que vive no meio de um povo impuro! Sou apenas um pobre pecador: não sirvo para o teu santo serviço!” - eis o que deveríamos pensar, eis o que deveríamos dizer! E o mesmo Deus que tocou os lábios de Isaías e o purificou, toca o coração de Pedro – toca o meu e o teu coração – e afirma, misericordioso: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu deras pescador de homens!” Pescador não por nossos méritos, mas pela misericórdia do Senhor, como São Paulo, que hoje humildemente reconhece: “ Eu sou o menor dos apóstolos, eu nem mereço o nome de apóstolo! É pela graça de Deus que sou o que sou. Sua graça para comigo não foi estéril!” Também nós não somos nem dignos de ser cristãos; nem merecemos testemunhar e anunciar Jesus! E, no entanto, ele nos escolheu, nos chamou, ele nos enviou, a cada um de nós, seus discípulos – apesar de nossa fraqueza e de nossas mil infidelidades! Cristão, tu não és melhor que ninguém, não és pior que ninguém; mas és diferente: és de Cristo, és por ele escolhido, consagrado e enviado ao alto mar do mundo para aí testemunhares o seu santo nome! E este testemunho, caríssimos, não pode ser outro que aquele de Paulo, da Igreja dos Apóstolos e de todos os tempos: o anúncio de Jesus tal qual é conservado e proclamado de modo íntegro pela nossa Mãe católica: “Cristo, o único Salvador, morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” – Buda não salva, Maomé não salva, os orixás não salvam e sequer existem! Somente Cristo morto por nós é o Salvador! Ele “foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou, segundo as Escrituras”. Nele, caríssimos, a morte foi vencida! Ele está vivo e apareceu primeiro a Simão-Cefas, aquele mesmo que foi feito pescador de homens, aquele de quem Bento XVI é legítimo Sucessor; e apareceu aos Doze, aqueles mesmos que têm como sucessores os Bispos católicos. Apareceu a Tiago e também a mais de quinhentos irmãos, a maioria dos quais ainda vivia na época de Paulo Apóstolo. Por último apareceu a Paulo – e o próprio Apóstolo hoje dá testemunho de que viu o Senhor vivo, ressuscitado, vitorioso! Queridos irmãos, se o Senhor está vivo, se o Senhor é aquele proclamado no Evangelho tal como conservado pela santa Igreja católica, por que ter medo? Por que a falta de convicção? Por que a covardia em dizer aos quatro ventos dos quatro mares que Jesus é o Senhor, único Salvador? Jesus, vivo para sempre! Jesus presente na tua Esposa católica, nossa Mãe amada, Jesus ajuda-nos a sermos tuas testemunhas, apesar de nossa indignidade e fraqueza, apesar de nossa covardia tantas vezes! Jesus, torna cheia a rede da tua Igreja, não segundo os nossos modos e prazos, mas unicamente segundo a tua santa vontade! A ti a glória, ó Salvador, hoje e para sempre. Amém! Artigos Relacionados: |
| Última atualização em Qua, 10 de Fevereiro de 2010 08:01 |
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