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Festa da Conversão de São Paulo no Ano Paulino PDF Imprimir E-mail
Festas e Solenidades
Dom, 17 de Maio de 2009 00:11

 

At 22,3-16 ou At 9,1-22
Sl 116/117
1Cor 7,29-31
Mc 16,15-18 

 

Quando uma Festa de algum santo acontece no Domingo, ela não é celebrada naquele ano. É que o núcleo de todo o ano da Igreja e o centro de sua vida é a Páscoa do Senhor, celebrada a cada Domingo, de oito em oito dias. 

Mas este ano, por especial concessão do Santo Padre Bento XVI, devido ao Ano Paulino que comemora os dois mil anos do nascimento do Apóstolo São Paulo, a Festa da sua conversão, que ocorre neste Domingo, 25, pode ser celebrada na Santa Missa. Eis-nos, pois, caros Irmãos no Senhor, neste III Domingo do Tempo Comum, celebrando esta Eucaristia sagrada em honra do Apóstolo. Gostaria de propor-lhes, Amados no Senhor, quatro palavras para guiar nossa meditação da nesta hodierna Celebração; palavras que iluminam a vida do Santo Apóstolo. 

A primeira palavra: vocação, isto é, chamado. O que aconteceu com Saulo de Tarso na estrada de Damasco é pura iniciativa, puro dom, pura graça de Deus. Não foi Paulo quem escolheu o Senhor; foi o Senhor quem, na sua misericórdia, escolheu e chamou Saulo. Ele mesmo recordará: “Mas pela graça de Deus sou o que sou (1Cor 15,10). E sempre reconheceu que foi Deus, o Pai de Jesus Cristo nosso Senhor, quem o chamou para o ministério. Dirá ele, recordando o dom da vocação: “Quando, porém, aquele que me separou desde o seio materno e me chamou por sua graça, houve por bem revelar em mim o seu Filho (Gl 1,15-16)... Eis: Deus o separou desde o seio materno, Deus o chamou por sua graça! Que mistério, Irmãos no Senhor, os planos de Deus para cada um de nós! Saulo, apesar de reto e bem intencionado, era um cego e duro perseguidor dos discípulos de Cristo; Saulo fez mal à Igreja do Senhor e, no entanto, é exatamente a ele que o Cristo nosso Deus escolhe, para nele mostrar toda a força da sua graça, toda a gratuidade de sua escolha, para que nem Paulo nem ninguém possa se gloriar dos dons recebidos! Somente ao Senhor pertence a glória, a ele, autor e dispensador de toda a graça, raiz de toda vocação. A Festa de hoje, Irmãos, é um tributo admirado à fraca de Deus, que chama quem quer com total gratuidade, sem merecimento algum nosso! Caríssimos, se Saulo de Tarso foi chamado para a fé em Cristo Jesus e para o seu santo serviço, não invejemos o Apóstolo, mas recordemos que todos e cada um de nós recebeu também o dom, o selo da vocação: pela graça de Deus fomos chamados à fé no santo Batismo; pela graça de Deus fomos constituídos testemunhas de Cristo até a morte pelo sacramento da Crisma. Somos membros do Povo Santo, somos uma Nação sagrada uma Raça eleita, somos o Novo Povo de Deus! 

Passemos à segunda das quatro palavras: resposta. Deus chamou Paulo e Paulo respondeu com generosidade ao Senhor. Ele próprio reconhece: “Mas pela graça de Deus sou o que sou: e sua graça a mim dispensada não foi estéril. Ao contrário, trabalhei mais do que todos eles; não eu, mas a graça de Deus que está comigo” (1Cor 15,10). O Apóstolo reconhece que tudo é graça, que aquilo que ele se tornou foi fruto da obra gratuita de Deus nele; mas também proclama sem medo: a graça de Deus em mim não foi em vão! Poderia ter sido? Sim, se Paulo tivesse a ela se fechado, se lhe tivesse colocado resistência, se não tivesse feito frutificar os talentos. Mas, ele proclama com humilde simplicidade: “Sua graça a mim dispensada não foi estéril”. E sabemos o quanto não foi, sabemos do amor do Apóstolo pelo seu Senhor, da sua correspondência generosa à graça de Deus, fazendo de toda a sua vida uma proclamação do Cristo Jesus. Lembrai-vos, Irmãos, do amor de Paulo ao seu Senhor? “Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1,21). Quereis mais? Quereis ver o quanto estas palavras não são vazias, frutos de sentimentos ocos? Escutai: “O que era para mim lucro eu o tive como perda, por amor de Cristo. Mais ainda: tudo eu considero perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por ele, eu perdi tudo e tudo tenho como esterco, para ganhar a Cristo e ser achado nele... para conhecê-lo, conhecer o poder da sua ressurreição e a participação nos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição de entre os mortos. Não que eu o tenha já alcançado ou que já seja perfeito, mas vou prosseguindo para ver se o alcanço, pois que também já fui alcançado por Cristo Jesus” (Fl 3,7-12). Vede, nestas palavras, o quanto de amor, o quanto de entrega, o quanto de vida, o quanto de verdade brotada da carne da própria existência toda vivida por Cristo e para Cristo! Não nos deveria causar inveja uma vida assim, uma correspondência tão generosa à graça de Deus? Pensemos em nós, Caríssimos, pensemos na nossa vida, pensemos no modo como estamos correspondendo ao dom da vocação cristã que o Senhor nos concedeu. Talvez não possamos corresponder como Paulo... Não nos preocupemos, porque a semente que cai na terra e dá fruto pode dar trinta, ou sessenta, ou cem... Não importa o tanto, importa que seja tudo quanto possamos dar! 

            Agora a terceira palavra: fruto. Refiro-me aqui aos frutos na vida da Igreja e do mundo. A resposta generosa, positiva, total, de Paulo ao Senhor que o chamou, tornou-se graça e bênção para toda a Igreja de Deus. É assim, caríssimos: nenhuma vocação é somente para nós. Trata-se de uma realidade pessoal, mas nunca privada, individual! O Senhor nos chama a nós; mas, fá-lo para o bem da Igreja, para a salvação da humanidade, para a vida do mundo. Sabemos o quanto foi frutuosa a vida e o ministério do Apóstolo, o quanto ele se entregou de coração total ao ministério de anunciar Jesus Cristo pelo bem e a vida dos irmãos. Deixemos que ele mesmo fale; ouçamo-lo: “São ministros de Cristo? Como insensato, digo: muito mais eu. Muito mais, pelas fadigas; muito mais, pelas prisões; infinitamente mais, pelos açoites. Muitas vezes, vi-me em perigo de morte. Dos judeus recebi cinco vezes os quarenta golpes menos um. Três vezes fui flagelado. Uma vez, apedrejado. Três vezes naufraguei. Passei um dia e unia noite em alto-mar. Fiz numerosas viagens. Sofri perigos nos rios, perigos por parte dos ladrões, perigos por parte dos meus irmãos de estirpe, perigos por parte dos gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos por parte dos falsos irmãos! Mais ainda: fadigas e duros trabalhos, numerosas vigílias, fome e sede, múltiplos jejuns, frio e nudez! E isto sem contar o mais: a minha preocupação cotidiana, a solicitude que tenho por todas as Igrejas! Quem fraqueja, sem que eu também me sinta fraco? Quem cai, sem que eu também fique febril? Se é preciso gloriar-se, de minha fraqueza é que me gloriarei. O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é bendito pelos séculos, sabe que não minto (2Cor 11,23-31). Vede, Irmãos, que é comovente, que é verdadeiro isso que acabamos de ouvir! – Ó Senhor Jesus, faze que também a nossa vida frutifique em bem para os irmãos, para a Igreja, para o mundo! Tira-nos do comodismo, do egoísmo que nos faz com que nos preocupemos somente conosco e com nosso bem-estar! Faze-nos vossos missionários e testemunhas para que por nosso serviço generoso o mundo creia e, crendo, tenha a vida no vosso santo Nome! 

            Finalmente, uma última palavra: felicidade! Surpreende-vos, meus caros, esta palavra? Não deveria, pois aquele que tudo dar a Cristo e por Cristo não perde nada e tudo ganha, como diz Bento XVI. Paulo deu tudo, por Cristo perdeu tudo, e tudo ganhou em Cristo! Fez de Cristo sua vida, seu trabalho, seu ideal sua realização, e não foi desiludido. No final da vida ele testemunhava: “Eu sei em quem coloquei a minha fé, e estou certo de que ele tem poder para guardar o meu depósito até aquele Dia” (2Tm 1,12). Compreendei bem, Amados, esta estupenda palavra. O Apóstolo ao final da vida testemunha que tudo quanto fez valeu a pena: ele não foi desiludido na sua esperança, não foi decepcionado na sua certeza. Por isso, como um testamento precioso, deixa-nos estas palavras comoventes: “Quanto a mim, já fui oferecido em libação, e chegou o tempo de minha partida. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Desde já me está reservada a coroa da justiça, que me dará o Senhor, justo Juiz, naquele Dia; e não somente a mim, mas a todos os que tiverem esperado com amor a sua Aparição” (2Tm 4,6-8). Vede, caríssimos: Paulo está preso; tem consciência que morrerá em breve. Afirma que toda a sua vida foi uma libação, isto é um gesto, um ato sacrifical de culto a Deus-Pai por Jesus Cristo. Agora, sereno e feliz, certo da fidelidade de Deus afirma: “Desde já me está reservada a coroa da justiça, que me dará o Senhor, justo Juiz, naquele Dia”. Que certeza, que confiança, que esperança, que vida, meus Irmãos: viver e morrer nos braços do Salvador! Viver e morrer sabendo “que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes, nem a altura, nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,38-39).

            Eis, meus caros, o motivo da Festa de hoje! Eis o motivo de um Ano Paulino! Eis, nesse estupendo discípulo e apóstolo de Cristo um exemplo que devemos ter sempre diante dos olhos e sempre devemos procurar imitar! 

            Que interceda por nós o Bem-aventurado Apóstolo Paulo! Que pelas suas preces nós também sejamos discípulos apaixonados e missionários incansáveis do Cristo nosso Deus, a quem a glória e o louvor pelos séculos dos séculos. Amém.

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