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| Catequeses mistagógicas - I |
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| Padres da Igreja |
| Sáb, 23 de Maio de 2009 14:33 |
Catequeses para os recém-batizados - ICaro(a) Internauta, com imensa alegria pascal, ofereço-lhe uma série de trechos das Catequeses Mistagógicas (= catequeses que introduzem nos Mistérios, isto é, nos sacramentos). São catequeses da Igreja das origens, lá pelo século IV, ministradas por santos bispos na Igreja diocesana de Jerusalém. Na noite da Páscoa, novos cristãos nasciam para a Vida, pelo Batismo, a Crismação e a Eucaristia. Na semana seguinte, o Bispo explicava ao recém-nascidos em Cristo (eram chamados “neófitos” = neo-iluminados) o sentido dos ritos sagrados, numa verdadeira catequese sobre o Batismo, a Crisma e a Eucaristia. Notem o detalhe importante: somente se explicava o sentido dos sacramentos após o Batismo, pois os não-cristãos não deveriam conhecer os santos mistérios dos cristãos: “Não atireis pérolas aos porcos; não deis aos cães as coisas santas!” – disse o Senhor! O Batismo, sinal da paixão de Cristo Fostes conduzidos à santa fonte do divino Batismo [1] , como Cristo, descido da cruz, foi colocado diante do sepulcro. A cada um de vós foi perguntado se acreditava no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Vós professastes a fé da salvação e fostes por três vezes mergulhados na água [2] e por três vezes dela saístes; deste modo, significastes, em imagem e símbolo, os três dias da sepultura de Cristo. Assim como nosso Senhor passou três dias e três noites no seio da terra, também vós, na primeira emersão, imitastes o primeiro dia em que Cristo esteve debaixo da terra; e na imersão, a primeira noite. De fato, como aquele que vive nas trevas não enxerga nada, pelo contrário, aquele que anda de dia está envolvido em plena luz. Assim também vós, na imersão, como que mergulhados na noite, nada vistes; mas, na emersão, fostes como que restituídos ao dia. Num mesmo instante, morrestes e nascestes, e aquela água de salvação tornou-se para vós, ao mesmo tempo, sepulcro e mãe. Apesar de situar-se em outro contexto, a vós se aplica perfeitamente o que disse Salomão: “Há um tempo para nascer e um tempo para morrer” (Ecl 3,2). Convosco sucedeu o contrário: houve um temp para morrer e um tempo para nascer. Num mesmo instante realizaram-se ambas as coisas e, com a vossa morte, coincidiu o vosso nascimento. Ó fato novo e inaudito! Na realidade, não morremos nem fomos sepultados nem crucificados nem ainda ressuscitamos. No entanto, a imitação desses atos foi expressa através de uma imagem e daí brotou realmente a nossa salvação [3] . Cristo foi verdadeiramente crucificado, verdadeiramente sepultado e ressuscitou verdadeiramente. Tudo isto foi para nós um dom da graça, a fim de que, participando da sua paixão através do mistério sacramental, obtenhamos na realidade a salvação. Ó maravilha de amor pelos homens! Em seus pés e mãos inocentes, Cristo recebeu os cravos e suportou a dor, e eu, sem dor nem esforço, mas apenas pela comunhão em suas dores, recebo gratuitamente a salvação. Ninguém, portanto, julgue que o batismo consista apenas na remissão dos pecados e na graça da adoção filial. Pelo contrário, sabemos perfeitamente que o nosso batismo não só apaga os pecados e confere o dom do Espírito Santo [4] , mas é também o exemplar e a expressão dos sofrimentos de Cristo. É por isso mesmo que Paulo exclama: “Será que ignorais que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados? Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele” (Rm 6,3-4). [1] É necessário ter em mente que, em geral, a fonte batismal, ficava num plano mais baixo que o piso. Era necessário descer as escadas... descer com Cristo na morte! [2] Recordemos que a palavra “batizar” significa mergulhar. O batismo, ainda hoje, pode ser feito por imersão (mergulho), que é o mais belo e eloqüente simbolicamente, por infusão (derramando a água sobre a cabeça do que será batizado e, finalmente, por aspersão, que é o menos recomendável. Mas as três formas são perfeitamente válidas. [3] “Daí brotou realmente a nossa salvação” – esta idéia é importantíssima, pois revela mais uma vez a fé constante da Igreja, desde as origens, segundo a qual os sacramentos realmente fazem a graça salvífica de Cristo acontecer. Os sacramentos são e sempre foram, na consciência da Igreja de Cristo, canais eficazes, efetivos, da graça de Deus. Seria um erro grave afirmar, como Lutero e os protestantes, que os sacramentos somente simbolizam e anunciam em gestos (quase como numa peça teatral) aquilo que somente a fé pode alcançar: a graça salvífica! Não! Os sacramentos são realmente eficazes. Nosso Deus não faz teatro: o que ele realiza nos gestos sacramentais opera realmente a graça da salvação! [4] Esta doutrina é muito importante: o batismo nos dá o Espírito Santo. Não existe um batismo no Espírito Santo, fora do sacramento do batismo. São Paulo é claro: “Há um só Corpo e um só Espírito... há um só Senhor, uma só fé, um só batismo...” (Ef 4,4s). No sacramento do batismo recebemos o Espírito Santo como vida nova do Cristo morto e ressuscitado. Aquilo que a Renovação Carismática chama e “batismo no Espírito” deveria ser designado por outro nome, como por exemplo, “experiência do Espírito”, ou “reavivamento da graça do Espírito”. Este “batismo no Espírito”, próprio da espiritualidade da Renovação, não é essencial nem obrigatório aos cristãos. O definitivo é o sacramento do batismo! Artigos Relacionados: |
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