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| Matias ou Paulo? Doze ou Treze? |
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| Perguntas do Internauta |
| Dom, 24 de Maio de 2009 15:56 |
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A eleição de Matias, para apóstolo, por iniciativa de São Pedro,teria sido aceita por Deus? Não foi apenas uma precipitação de São Pedro apenas? Pois, à luz de Marcos 3,13: e chamou para si os que Ele quis. Compete exclusivamente e diretamente a Jesus a escolha dos apóstolos. Na hipótese da aceitação do apostolado de Matias e na evidência da escolha de Paulo também como apóstolo (cf. Gl 1,1), escolha esta feita diretamente por Jesus Cristo, teríamos 13 apóstolos ao invés de 12. E a promessa de Jesus para com seus apóstolos, de que estariam sentados em 12 tronos para julgar as 12 tribos de Israel (cf. Mt 19,28)? Qual,a eleição verdadeira? (Rosivaldo Soares)
Aqui há alguns mal-entendidos que necessitam de esclarecimento para uma boa compreensão da questão! Primeiro: mais uma vez, é necessário cuidado com o modo como lemos a Escritura! Pedro é o chefe da Comunidade eclesial, com autoridade de ligar e desligar e de agir em nome do Senhor Jesus. Depois de sua Ressurreição e volta ao Pai, o Senhor Jesus age sim através do seu Espírito Santo, presente de modo especial nos pastores de sua Igreja. É isto que todo o livro dos Atos dos Apóstolos deseja mostrar, do começo ao fim: a presença viva e atuante do Cristo na potência do Espírito. Sem esse Espírito, a Igreja seria uma instituição meramente humana, caminhando na história por conta própria. Assim, tudo quanto, nas origens, foi decidido pelos Apóstolos em comunhão com Pedro, tem a marca da ação divina. Só por exemplo, pense-se na dramática decisão de dispensar os cristãos de todas as práticas judaicas: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós...” (At 15,28). Além do mais, pelo contexto dos Atos, a eleição de Matias é feita num ambiente de oração e busca da vontade de Deus (cf. At 1,23), de modo que toda a Igreja discerne aquela eleição como querida por Deus. Por exemplo: Pedro começa citando o Espírito Santo e a Escritura que deve ser cumprida (cf. At 1,16). Uma coisa discernida por toda a Igreja tem a chancela do Espírito que dirige a Igreja: “Em verdade vos digo: tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu” (Mt 18,18)! Nunca se pode esquecer da promessa de Cristo: "Eu estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos!" (Mt 28,20). A Igreja é a comunidade da Aliança, foi com ela como um todo e não com cada um em particular que o Senhor fez aliança, de modo que o Senhor haverá de guiá-la sempre e nunca estará ausente de suas decisões, quando isso tocar sua própria essência. Se não fosse assim, absolutamente tudo quando a Igreja fizesse e ensinasse poderia ser colocado em questão por qualquer uma... É exatamente esta contínua presença de Cristo na Igreja que os Atos desejam incutir nos leitores. É também essencial recordar que nenhuma Escritura é para interpretação particular (cf. 2Pd 1,20). Se a Escritura mostra a ação de Pedro como sendo correta e inspirada por Deus, como poderíamos duvidar disso? O que São Marcos quis dizer quando afirmou que Jesus “chamou os que ele quis” (Mc, 3,13)? Simplesmente o Evangelista quis mostrar que toda vocação é um ato gratuito e soberano do Senhor, contraposto a qualquer mérito nosso! Ainda hoje é assim! Nosso Senhor chama quem ele quer. Chamou-me a mim para ser padre, sem nenhum merecimento de minha parte! A Epístola aos Hebreus vai insistir no mesmo ponto: “Ninguém, pois, se atribua esta honra, senão o que foi chamado por Deus, como Aarão” (Hb 5,4). Não tem o menor sentido tomar uma expressão de São Marcos (“chamou os que ele quis”) e dar-lhe um sentido que o Evangelista jamais, nem de longe, pensou em atribuir-lhe! Agora vamos à segunda parte de sua pergunta. Matias e Paulo. Aqui há uma grande confusão no próprio raciocínio da pergunta. Identifica de modo simplista o grupo dos Doze com o grupo dos Apóstolos. Essa identificação não é assim tão simples como parece. Em geral, no Novo Testamento, a palavra “apóstolos” pode significar: (1) o grupo dos Doze (cf. Mt 10,4-4; Mc 3,16-19; Lc 6,13-16, At 1,13), (2) os primeiros missionários itinerantes que auxiliavam os Doze e Paulo (Barnabé, por exemplo – cf. At 14,14). São Paulo usa o título de um modo todo particular, já que sua vocação foi uma escolha pessoal e especial de Cristo. Mas, ele jamais fez nem penxou em fazer parte do Doze, nem poderia, pois uma das funções do grupo dos Doze é testemunhar tudo quanto Jesus fez e disse desde o seu batismo no Jordão até sua Ascensão (cf. At 1,21s). O modo do apostolado de São Paulo é absolutamente único e singular na Igreja. O Senhor é soberano sobre sua Igreja! Quanto ao grupo dos Doze, é outra coisa. Os Doze - e só podem ser Doze - são o sinal claro de que a Igreja não é uma seita dentro do judaísmo, mas é um novo Israel, como aquele, fundado sobre os doze patriarcas. Neste sentido, o grupo dos Doze não pode ser alterado nem terá nunca uma sucessão, pois somente aquela primeira geração viu Jesus nos dias de sua vida terrena. Repito, portanto: Paulo é apóstolo, mas Paulo não é e não será nunca do grupo dos Doze! Para finalizar, mais uma vez recordo o mais importante para essas questões: devemos sempre interpretar a Sagrada Escritura com aquele mesmo Espírito Santo que o Senhor Jesus ressuscitado concedeu à sua Igreja, de sorte que o modo como a Igreja sempre compreendeu a Palavra de Deus é normativo para todos os crentes, pois goza da assistência do Santo Espírito.Artigos Relacionados: |
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