Informações
| Ponderações |
|
|
|
| Ratzinger | |
| Seg, 29 de Dezembro de 2008 19:51 | |
|
Caro Internauta, eis aqui um texto que faz pensar. É do teólogo J. Ratzinger, nosso amado Bento XVI. Este texto é a introdução a um de seus livros mais belos: Introdução ao Cristianismo, escrito em 1967 e ainda atualíssimo. Vale a pena comprar a obra e lê-la! Qual é, afinal, o conteúdo e o sentido da fé cristã? Eis uma pergunta que, hoje em dia, está cercada por uma névoa de incerteza mais pesada do que em qualquer outro momento da história. O observador do movimento teológico do último século que não seja do número daqueles levianos que sempre julgam melhor o novo, sem se dar ao trabalho de analisar, poder-se-ia recordar da velha estória do "Joãozinho feliz". Era uma vez - assim reza a lenda - um Joãozinho possuidor de uma riquíssima pepita de ouro. Mas, feliz e comodista, julgou-a pesada demais, trocando-a por um cavalo; o cavalo por uma vaca, a vaca foi barganhada por um ganso e o ganso por uma pedra de amolar; finalmente a pedra foi lançada ao rio, sem que o dono se achasse muito prejudicado. Pelo contrário, acreditou ter finalmente conquistado o dom mais precioso da liberdade completa: livre da sua pepita, livre do cavalo, da vaca, do ganso e da pedra de amolar. Quanto tempo teria durado a sua alegria? Quão tenebroso lhe foi o despertar na estória de sua presumida libertação? A fábula silencia sobre isso, deixando-o por conta da fantasia de cada leitor. O cristão hodierno é avassalado, não raras vezes, por questões como estas: A nossa teologia dos últimos anos não teria enveredado por um caminho parecido? Não teria minimizado a exigência da fé, sentida como pesada demais, interpretando-a, gradativamente, em sentido sempre mais largo; sempre apenas o suficiente para poder arriscar o próximo passo? E o pobre Joãozinho, o cristão, que se deixou levar, confiante, de interpretação em interpretação, não acabará tendo entre as mãos, em lugar da pepita de ouro, uma simples pedra de amolar, que poderá tranqüilamente jogar no fundo de um rio? Certamente, tais perguntas são injustas se excessivamente generalizadas. Porquanto, para ser justo, não se poderá simplesmente afirmar que a "teologia moderna" em geral entrou por um caminho semelhante. Contudo, muito menos se poderá negar que certa mentalidade largamente espalhada apóia uma onda que, de fato, conduz do ouro à pedra de amolar. Claro que é impossível reagir contra essa tendência, por um simples agarrar-se à pepita de ouro de fórmulas consagradas do passado que, em tal caso, continuariam sendo um peso, como qualquer pedaço de metal, em vez de conferir a possibilidade de uma verdadeira liberdade, pelo dinamismo que lhes é inerente...
|
|
| Última atualização em Seg, 29 de Dezembro de 2008 19:54 |
Fornecido por Joomla!. Designed by: Joomla 1.5 Template, database terminology. Valid XHTML and CSS.


