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Ratzinger
Qui, 04 de Fevereiro de 2010 23:13

Geralmente se considera que a verdade, compreendida como algo “científico” e verdadeiramente confiável, esteja necessariamente em contraste com o conceito de fé. Esta seria um tipo de “credulidade”, um cômodo apoiar-se em idéias já prontas (Observação minha: prontas e sem muita consistência. De modo geral, para a mentalidade atual, a fé, as religiões, são mitos, lendas consoladoras, para tornar a vida mais leve e a morte mais suportável. A ideologia iluminista e pós-iluminista ou pós-moderna – são a mesma porcaria! – conseguiu separar na mentalidade das pessoas a questão da religião da questão da verdade. Religião é questão de sentimento, de sentir-se  bem, de ser consolado, de “achar”... Quer a verdade? Quer a realidade? Aí não é com a religião, mas com a ciência, sobretudo as ciências exatas e a economia, a sociologia e a psicologia). Mas, Ratzinger inverte completamente esta perspectiva: “Viver em belas ficções pode dar certo para um teórico das religiões. Para o homem que pergunta com que e para que viver ou morrer, ficções não são suficientes. O abandono à pretensão da verdade, que por si só já seria o abandono da fé cristã enquanto tal, aparece aqui adocicado com a idéia de que a fé continua a existir – fé compreendida como uma espécie de encantamento com suas agradáveis consolações subjetivas ou como uma espécie de mundo de sonhos ao lado do mundo real” (Observação minha: Aqui entram as seitas tipo Edir Macedo e RR Soares, a religiosidade dos programas de televisão e do meio artístico...).

 

Mas, a fé é exatamente o contrário de uma “consolação subjetiva”. Ela é fundamentada na busca existencial da verdade: “Nesta perspectiva, o cristianismo tem os seus precursores e a sua preparação na racionalidade filosófica, não nas religiões” (Observação minha: As religiões do Império Romano não estavam preocupadas com a questão da verdade. Por isso, podiam existir centenas delas, uma ao lado da outra, sem nenhum problema: todas eram mitos, todas relativas, todas descomprometidas com uma interpretação global do real e da existência. Já a filosofia grega procurava a verdade, preocupava-se com a questão do Sentido do mundo e da vida humana. É aqui que o cristianismo se coloca: ele se considera uma “filosofia”, ou melhor, a resposta a toda filosofia, a filosofia plena e verdadeira). “A fé cristã, hoje como ontem, é a opção pela prioridade da razão e do racional”. De outro modo, “a fé permanece algo irracional, sendo reduzida fideísticamente , pertencendo, portanto, ao âmbito dos costumes e não ao âmbito da verdade”. E assim, termina-se por reduzir a religião a pura tradição e, então, certamente uma religião vale tanto quanto a outra: “As religiões individuais são vistas como tradições. São consideradas ‘veneráveis’ e ‘belas’, e diz-se que cada um deve respeitar a tradição na qual cresceu e que todos devem respeitar-se mutuamente. Mas, se tudo aquilo que temos é apenas tradição, então entra em crise a dimensão da verdade. E, cedo ou tarde, terminaremos por nos perguntar para que respeitar ainda a tradição”. (Do livro Introduzione a Ratzinger, Dag Tessore)

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Última atualização em Qua, 10 de Fevereiro de 2010 08:02
 

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