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A leitura historicista da Bíblia PDF Imprimir E-mail
Ratzinger
Seg, 22 de Fevereiro de 2010 22:22

Atualmente - nota o Cardeal - apareceu o costume de considerar a Bíblia um documento histórico, não mais a mensagem de uma verdade ainda e sempre atual e viva. Por exemplo, a respeito de certas concepções bíblicas como aquela da existência dos demônios, "admite-se que Jesus, os apóstolos, os evangelistas estavam convencidos da existência de forças demoníacas. Mas, ao mesmo tempo, dá-se como certo que nessa crença eles eram vítimas das formas de pensamento judaico da época". Mas, já que se dá como certo que "aquelas formas de pensamento não são mais conciliáveis com a nossa imagem do mundo", eis que, como por um passe de mágica, aquilo que se considera incompreensível para o homem comum de hoje, é eliminado... Assim, no fim das contas, a autoridade sobre a qual semelhantes especialistas da bíblia fundamentam o seu juízo não é a própria Bíblia, mas a visão do mundo do biblista! Ele, que, por sua vez, fala como filósofo ou sociólogo e a sua filosofia não consiste em mais que uma banal e a-crítica adesão às sempre provisórias convicções de cada época. É a procura contínua de um anúncio que apresente aquilo que já sabemos ou que, como quer que seja, seja agradável a quem escuta". (Observação minha: Ratzinger está certíssimo! É só ir a uma livraria católica e comprar um dos livros de exegese, sobretudo de autor de língua alemã... Esse pessoal não lê ou interpreta a Bíblia no horizonte da fé, mas simplesmente de seus preconceitos racionalistas disfarçados com a fantasia de ciência. Assim, já não há mais lugar para o sobrenatural... A Bíblia, então, faz-se confusão e torna-se um texto velho, que em nada traz vida e tampouco provoca aquele feliz e doce encontro com Deus. Nessa brincadeira, quantos perderam a fé estudando exegese! Mas, isso é a pior traição ao verdadeiro sentido da exegese!)
Na realidade, aquelas notas "históricas" de rodapé, colocadas em certas edições atuais da Bíblia, nas quais os exegetas apresentam os vários "extratos bíblicos", são "somente jogos de astúcia que não possuem sequer consistência histórica". São, de fato, somente hipóteses "científicas"; e afastam de uma leitura religiosa e espiritual da Bíblia. (Observação minha: Aí se vê afirmações totalmente arbitrárias, apresentadas como verdades a toda prova: Maria não concebeu virginalmente, Jesus não nasceu em Belém, os magos nunca existiram, Jesus nunca esteve no Egito, nunca ressuscitou corporalmente, etc. E esse pessoal ainda diz que tudo isso não tem problema: o que importa é a fé. Mas, isso é uma mistura venenosa do "só a fé" de Lutero com a existencialismo radical de Bultmann, que afirmava não ter nenhuma importância a historicidade da Bíblia; o que importaria seria unicamente a decisão que ela provocaria na minha existência concreta: uma decisão de fé e mudança de vida. Nessa lógica, qualquer religião, qualquer lenda, qualquer ideologia, têm o mesmo valor... desde que me faça ser bonzinho e politicamente correto. Quanto a verdade, essa se dane, se "escafeda"... Tem muita gente por aí ensinando coisas desse tipo... Quando se faz uma abordagem dessas, mata-se a Palavra de Deus e a Bíblia se torna letra morta, entregue às arbitrariedades das interpretações ao sabor das modas de cada momento. Aí aparecem as leituras sociológicas da teologia da libertação, as malucas leituras feministas e da teologia de gênero, as leituras psicanalíticas, etc. Numa leitura assim, cada um fala a sua bobagem, e Deus mesmo, coitado, se cala diante de tanta tolice transvertida de sapiência...). – Do livro Introduzione a Ratzinger, de Dag Tessore. Traduzido para o português: Bento XVI, Ed. Claridade).

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Última atualização em Dom, 28 de Fevereiro de 2010 21:37
 

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