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Variedade
Sáb, 23 de Maio de 2009 03:44

 

Caro(a) Internauta, apresento-lhe aqui alguns textos sobre a polêmica relação do Papa Pio XII e os judeus na época do nazismo alemão.

Primeiro, a tradução, feita por Olavo de Carvalho de um artigo de Joseph Sobran sobre a atitude do Papa Pio XII em relação aos judeus. Olavo de Carvalho tem uma linguagem contundente, radical, mas é um homem sincero e um intelectual que merece atenção.

Eis a introdução de Olavo de Carvalho:

                Como milhões de outros idiotas no mundo, também eu me deixei impressionar pelo livro de John Cornwell, O Papa de Hitler, que parecia dar respaldo historiográfico às acusações lançadas contra Pio XII pela peça de Rolf Hochhuth, O Vigário. Cheguei a dar eco a essas acusações num artigo em O Globo, coisa de que muito me arrependi, mais tarde, ao saber que o sr. Cornwell era um belo vigarista, capaz de gabar-se de pesquisar por anos a fio na Biblioteca do Vaticano, onde na verdade só estivera duas vezes, e de apresentar como descobertas suas inéditas alguns documentos que copiara de publicações acadêmicas. É verdade que a demonstração cabal da desonestidade de um pesquisador não impugna, por si, os resultados da sua pesquisa. Mas, desde logo, coloca-os sob uma suspeita bem mais fundamentada do que aquela que tentavam lançar sobre o personagem que investigavam.

                 Nem Hochhuth nem Cornwell são judeus. Se o fossem, poder-se-ia alegar em seu favor o atenuante do zelo patriótico. Mas são apenas falsos cristãos, que querem semear a intriga entre a Igreja e os judeus mediante a dimafação de um homem inocente e santo. Um homem que os judeus conheceram e a respeito do qual deixaram os depoimentos reunidos no livro recente de Ralph McInerny, onde o jornalista Joseph Sobran recolheu as amostras transcritas neste artigo. 

                 O leitor pode, portanto, escolher. Ou acredita naqueles que presenciaram a ação de Pio XII durante a II Guerra Mundial, ou acredita naqueles que tentaram reconstrui-la a seu modo, seja pelos artifícios da arte cênica, seja pelos de uma historiografia fraudulenta.

                Traduzo e publico aqui este artigo de Joseph Sobran em sinal de meu expresso arrependimento de ter dito qualquer palavra contra o grande Papa, confiado na pretensa autoridade de Hochuths ou Cornwells.

Olavo de Carvalho

 

Eis o artigo de Joseph Sobran:

                   Nada, ao que parece, consegue dissipar a crença de que Pio XII manteve um "vergonhoso silêncio" em torno da perseguição dos judeus durante a II Guerra Mundial. Mas Ralph McInerny, no seu livro The Defamation of Pius XII ("A Difamação de Pio XII"), cita o que judeus, famosos ou não, disseram naquele tempo.

                    "Só a Igreja Católica protestou contra o assalto hitlerista à liberdade", disse Albert Einstein.

                   Em 1942, o jornal Jewish Chronicle, de Londres, observou: "Uma palavra de sincera e profunda apreciação é devida pelos judeus ao Vaticano por sua intervenção em Berlim e Vichy em favor de seus correligionários torturados na França... Foi uma iniciativa incentivada, honrosamente, por um bom número de católicos, mas para a qual o próprio Santo Padre, com sua intensa humanidade e sua clara compreensão das verdadeiras e mortais implicações dos assaltos contra o povo judeu, não precisou ser incentivado por ninguém."

                   O Dr. Alexandre Safran, rabino-chefe da Romênia, escreveu em 1944: "Nestes tempos duros, nossos pensamentos, mais que nunca, voltam-se com respeitosa gratidão ao Soberano Pontífice, que fez tanto pelos judeus em geral... No nosso pior momento de provação, a generosa ajuda e o nobre apoio da Santa Sé foram decisivos. Não é fácil encontrar as palavras adequadas para expressar o alívio e o consolo que o magnânimo gesto do Supremo Pontífice nos deu, oferecendo vastos subsídios para aliviar os sofrimentos dos judeus deportados. Os judeus romenos jamais esquecerão esses fatos de importância histórica."

                   Quando os Aliados libertaram Roma, uma Brigada Judaica afirmou em seu Boletim: "Para a glória perene do povo de Roma e da Igreja Católica Romana, podemos afirmar que o destino dos judeus foi aliviado pelas suas ofertas verdadeiramente cristãs de assistência e abrigo. Mesmo agora, muitos ainda permanecem em lares religiosos que abriram suas portas para protegê-los da deportação e da morte certa."

                  Um sobrevivente, citado num diário hebraico de Israel, disse: "Se fomos resgatados, se os judeus ainda estão vivos em Roma, venham conosco e agradeçamos ao Papa no Vaticano."

                   Um Comitê da Junta Judaica Americana de Bem-Estar Social escreveu ao próprio Pio XII: "Recebemos relatórios de nossos capelães militares na Itália sobre a ajuda e a proteção dos judeus italianos pelo Vaticano, pelos padres e pelas instituições da Igreja durante a ocupação nazista do país. Estamos profundamente comovidos diante dessa extraordinária manifestação de amor cristão - tanto mais porque sabemos dos riscos corridos por aqueles que se prontificaram a abrigar os judeus. Do fundo de nossos corações enviamos a V. Santidade a expressão de nossa imorredoura gratidão."

                  Os veteranos de um campo liberado foram a Roma e apresentaram a Pio XII a seguinte carta: "Agora que os Aliados vitoriosos quebraram nossas cadeias e nos libertaram do cativeiro e do perigo, que nos seja permitido expressar nossa profunda e devota gratidão pelo conforto e ajuda que Vossa Santidade se dignou de nos garantir com paternal preocupação e infinita ternura ao longo dos anos de nosso internamento e perseguição... Ao fazê-lo, Vossa Santidade, como a primeira e a mais alta autoridade na Terra, ergueu sua voz universalmente respeitada, em face de nossos perigosos inimigos, para defender abertamente nossos direitos e a dignidade humana... Quando estávamos ameaçados de deportação para a Polônia, em 1942, Vossa Santidade estendeu sua mão paternal para nos proteger, e deteve a transferência dos judeus internados na Itália, com isto salvando-nos da morte quase certa. Com profunda confiança e esperança de que a obra de Vossa Santidade será coroada com sucesso continuado, expressamos nossos agradecimentos de coração e rogamos ao Todo-Poderoso: Que Vossa Santidade possa reinar por muitos anos na Santa Sé e exercer sua benéfica influência sobre o destino das nações."

                  Poucos meses depois, o Congresso Judaico Mundial enviou um telegrama à Santa Sé, agradecendo pela proteção dada "sob condições difíceis, aos judeus perseguidos na Hungria sob domínio alemão".

                  O rabino-chefe de Jerusalém, Isaac Herzog, disse: "Agradeço ao Papa e à Igreja, do fundo do meu coração, por toda a ajuda que nos deram."

                  Moshe Sharett, um eminente sionista, resumiu assim sua entrevista pessoal com o Papa: "Eu disse a ele que meu primeiro dever era agradecer-lhe, e através dele a toda a Igreja Católica, em nome do público judeu, por tudo o que fizeram em todos os países para resgatar judeus -- para salvar as crianças e os judeus em geral. Estamos profundamente agradecidos à Igreja Católica pelo que ela fez naqueles países para salvar nossos irmãos."

                  O Dr. Leon Kubowitzky, do Conselho Mundial Judaico, ofereceu uma vasta doação em dinheiro ao Vaticano, "em reconhecimento pela obra de Santa Sé ao resgatar judeus das perseguições fascista e nazista".

                 Raffaele Cantoni, do Comitê Judaico de Bem-Estar Social da Itália, afirmou: "A Igreja Católica e o papado deram prova de que salvaram tantos judeus quanto puderam".

                  Essas nobres e comoventes palavras requerem poucos comentários. Registro-as aqui em honra de Pio XII, da Igreja católica e dos homens bons que as pronunciaram.

                                                                         +++++

Segundo, ainda sobre Pio XII e os judeus, eis uma notícia aparecida no UOL:

15/01/2005 - 17h01
Hitler planejou seqüestrar Pio XII em 1944, segundo jornal

Roma, 15 jan (EFE).- Adolf Hitler tinha planejado seqüestrar o Papa Pio XII em 1944 por sua postura contra o nazismo e colaboração com os judeus, segundo a edição deste sábado do jornal católico Avvenire, que se baseia no testemunho do ex-general da SS, Karl Friedrich Otto Wolff.

Segundo o periódico, a informação de Wolff aparece em uma declaração escrita de 1972 que se remonta ao processo de Nüremberg e que está entre os documentos do processo de beatificação de Pio XII.

o Avvenire sustenta que Wolff recebeu do "Führer" em pessoa a ordem de raptar o Papa Pio XII em maio de 1944, mês no qual o general nazista foi recebido pelo Pontífice.

A audiência foi realizada no dia 10 de maio de 1944 e nela o militar alemão, que secretamente se opunha ao plano de Hitler, teria advertido ao Papa de suas intenções.

Para que demonstrasse sua sinceridade, Pio XII pediu a Wolff a libertação de dois condenados à morte, coisa que o ex-general fez em 3 de junho daquele ano, segundo o jornal.

O Pontífice deveria ser levado ao castelo de Liechtenstein, em Württemberg, acrescenta o jornal, que fala sobre a existência de documentos que mostram que já desde 1941 havia no Vaticano preocupação com uma eventual ação nazista contra o Papa.

Alguns historiadores, como Andrea Tornielli, autor de "Pio XII, o Papa dos judeus", já especularam anteriormente sobre a teoria de que Hitler pretendia deportar o Pontífice em represália a sua suposta ajuda aos judeus, e apontavam que, entre outras coisas, foi a oposição de Wolff que o impediu.

Apesar de sua suposta colaboração com os judeus, Pio XII recebeu no final da Segunda Guerra Mundial duras críticas por sua aparente passividade diante do holocausto.

                                                                      +++++

Em terceiro lugar, recentemente, apareceu no jornal italiano, Corriere della Sera, uma acusação Pio XII teria instruído os católicos a não devolverem as crianças judias que estivessem com famílias católicas e tivessem sido batizadas. Não; não é verdade. Mais um capítulo na campanha de difamação do Santo Padre Pio XII e de desmoralização da Igreja. Eis um interessante informativo de Zenit:

 

A autêntica história do documento vaticano sobre as crianças salvas do Holocausto
Uma polêmica suscitada por erros de um artigo publicado pelo «Il Corriere della Sera»

ROMA, terça-feira, 11 de janeiro de 2005 (ZENIT.org). -Em 28 de dezembro de 2004, o diário «Il Corriere della Sera» abriu uma aguda polêmica ao publicar passagens de um suposto documento vaticano que ao final da segunda guerra mundial ordenava que não se restituíssem as crianças judaicas que a Igreja salvou do Holocausto e que haviam sido batizadas a suas famílias.

O texto, como foi apresentado no periódico italiano pelo professor Alberto Melloni, diretor da Biblioteca «G. Dossetti» da Fundação para as Ciências Religiosas João XXIII de Bolonha, era «uma disposição do Santo Ofício», a antiga Congregação para a Doutrina da Fé, e lhe atribuía a data de 20 de outubro de 1946.

Em verdade, após uma pesquisa, Zenit descobriu que não era um documento do Santo Ofício, não tem essa data e não dizia o que referiu o artigo do «Il Corriere della Sera».

O documento, cujo original está em francês, foi redigido sob a responsabilidade do então núncio apostólico em Paris, Ângelo Roncalli, futuro Papa João XXIII, para explicar ao clero francês as indicações que havia recebido da Santa Sé, mais concretamente, do secretario da Congregação para os Assuntos Eclesiásticos Extraordinários, monsenhor Domenico Tardini.

Melloni não citava em seu artigo o arquivo no qual se encontrava o documento. Nesta terça-feira foi publicado ao ser encontrado pelo jornalista Andrea Tornielli, do diário «Il Giornale», que revelou que o original se encontra no «Centre National dês Archives de l’Église de France», arquivo da Secretaria do episcopado franc6es, posição «7 CE 131».

Zenit conseguiu uma copia fotostática do original através de faz e pôde constar que o texto tem o selo da Nunciatura Apostólica da França (ao contrário do que publicou «Il Corriere della Sera», que o atribuía ao Santo Ofício), que a data é de 23 de outubro de 1946 (três dias depois da atribuída pelo jornal) e que os termos da proposta vaticana são muito distintos.

O original desmente a versão de Melloni, pois afirma que as crianças deviam ser restituídas às famílias judaicas de origem. Ante o caso das «instituições judaicas» que nesses meses trabalharam em Paris e em toda Europa para transferir as crianças para a Palestina para a fundação do novo Estado de Israel, afirma que há que se analisar caso por caso.

Conforme Zenit descobriu, a história do documento começa em março de 1946, quando o rabino chefe de Jerusalém, Isaac Herzog, dirigiu uma carta a Pio XII na qual escrevia: «o povo israelita recorda vivamente com a mais profunda gratidão a ajuda dada pela Santa Sé ao povo que sofreu durante a perseguição nazista».

Agradece profundamente as «milhares de crianças que foram escondidas em institutos católicos» e pede que estas crianças voltem ao povo israelita.

Herzog sublinha como Pio XII «trabalhou para cancelar o anti-semitismo em muitos paises» e conclui com uma invocação: «Queira Deus que a história recorde que quando tudo era negro para nosso povo Sua Santidade acendeu para eles uma luz de esperança».

Pio XII levou a sério o destino destas crianças judaicas e pediu no mês de março ao Santo Ofício que estudasse o caso.

O Santo Ofício, após ter escutado vários consultores por ocasião da Assembléia Plenária que aconteceu no final de março, preparou um documento de resposta ao Papa.

Em agosto, alguns bispos franceses e, principalmente, o arcebispo coadjutor de Cambrai, monsenhor Emile Guerry, e o arcebispo de Lyon, cardeal Pierre Gerlier, se dirigiram ao núncio Roncalli para pedir indicações sobre como resolver a situação das crianças salvas da perseguição nazista.

Roncalli recolheu todo esse material e mandou, no final de setembro, um carta à Secretaria de Estado do Vaticano para pedir instruções.

Respondeu-lhe o secretario para a Congregação dos Assuntos Eclesiásticos Extraordinários, monsenhor Tardini, mas não na maneira citada pelo artigo publicado no «Il Corriere della Sera», mas nos termos antes indicados.

Andrea Tornielli revela a Zenit que a Igreja na França resolveu estes casos em sua imensa maioria devolvendo as crianças salvas aos sobreviventes de suas famílias.
Durante a guerra, os padres e religiosos receberam da Santa Sé e dos bispos a ordem de não batizar estas crianças (para o Batismo se requer a vontade da pessoa que recebe o sacramento ou, se não tem uso da razão, de seus pais). Assim o revela documentos citados por Vatican Files.net.

Apesar destas indicações aconteceram alguns casos isolados de crianças batizadas nessas circunstâncias e sua solução foi resolvida nesses critérios.

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