Informações
| As estações da Via-Sacra (Dom Marcos Barbosa) |
|
|
|
| Variedade |
| Sáb, 23 de Maio de 2009 03:57 |
|
Dom Marcos Barbosa, OSB Caro(a) Internauta, ofereço-lhe, neste tempo da Quaresma, esta estupenda Via-Sacra em sonetos, de autoria do ilustre monge beneditino do Mosteiro do Rio de Janeiro, Dom Marcos Barbosa. Os sonetos foram tirados do livro Poemas do Reino de Deus, Livraria José Olympio Editora, 1980. O livro todo é muito belo e vale a pena ser lido. Coloquei algumas notas para ajudar na compreensão dos sonetos. I. Jesus é condenado à morte De pé. Eis o juiz. Qual o teu crime? Vai dizê-lo o cartaz da tua cruz: Anatole[1] garante: muito em breve Prócula[2] esquecerá o aflito sonho. II.Jesus com a cruz às costas Agora toma a cruz. Abraça e beija Deita-te sobre a esposa, pobre noivo; Mas, antes de esposá-la, põe-na ao ombro Que somos Madalena, e eu, e Dimas, III. Jesus cai pela primeira vez São quatorze estações e faltam doze, Uma estação a mais se cumpre agora, É somente a primeira, e já quiseras É preciso que vejas no seu rosto IV. Jesus encontra-se com sua Mãe Vinte anos depois saiu de novo Ele anuncia a Boa-Nova aos pobres, “Eis o homem das dores, o menino, Ó todos que passais, parai e vede V. Simão Cirineu ajuda Jesus a carregar a cruz Quiseste precisar da criatura, Pedes agora força a um pobre homem: Complete o pecador em sua carne E até hoje nos diz, e não ouvimos: VI. Verônica enxuga o rosto de Jesus Ela chegou depressa, essa mulher... Ó tela para um quadro nunca visto, E agora eis teu rosto eternamente, Para esquecer-me, então, fecho os meus olhos, VII. Jesus cai pela segunda vez Mais uma vez caíste, e era preciso: Mais uma vez caíste e te levantas, É o meio do caminho e da jornada, Levanta e toma a cruz que desposaste, VIII. Jesus consola as filhas de Jerusalém “Ah, não choreis por mim, chorai por vós, Ah, não choreis por mim nem por aquela Ah, não choreis por ela; eu voltarei: Farei dos seus punhais um resplendor IX. Jesus cai pela terceira vez Ó pássaro atingido em pleno vôo, Onde o ancião tomando-te nos braços? Tomba o cedro ao machado, e ergue-se a casa. Tomba o trigo no chão, e brota a espiga. X. Jesus é despojado de suas vestes Já foi o novo Adão arrebatado Tiremos dele a túnica inconsútil, Despojemo-lo ainda de outra veste, Veste os lírios do campo, e nós no entanto XI. Jesus é pregado na cruz O amor que move o sol e cada estrela Só o amor te moveu, e logo os homens Mas pregamos-te agora, ainda hoje, Sim, pregados estão, e só te restam XII. Jesus morre na cruz Jesus morre na cruz, rosa-dos-ventos. Mas ao poente, o ladrão que se converte. “Hoje mesmo estarás em minha casa, Ó ovelha encontrada à última hora, XIII. Jesus é descido da cruz O que arremessa espadas, ó Maria, “Mãe, eis o teu filho..” ele dissera Eis-te sentada, enfim, tu que estiveste Abraça, mãe dos Gracos[5], tuas jóias: XIV. Jesus é colocado no sepulcro Sepultaram-no às pressas. Vinha o Sábado, Repousa agora o Filho e vê também Está lacrado o túmulo de pedra. E, no Primeiro Dia da semana, [5] Refere-se à Cornélia Graco, mãe de Tibério e Caio Graco. Ela viveu no século II antes de Cristo. Seus filhos foram tribunos romanos. Ela teve doze filhos, mas somente lhe restaram os dois, Tibério e Caio, que criou sozinha, pois era viúva. Certa vez, uma rica dama romana mostrava-lhes as jóias. Ela olhou para os filhos e exclamou: “Eis aqui as minhas jóias!” Seus filhos, um após o outro, foram assassinados por tentarem colocar em prática reformas em Roma favorecendo os pobres. Ela os apoiou até o fim e suportou bravamente a morte deles. Artigos Relacionados: |
| Última atualização em Sex, 09 de Abril de 2010 07:13 |
Fornecido por Joomla!. Designed by: Joomla 1.5 Template, database terminology. Valid XHTML and CSS.


