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A Oração do Ateu (Miguel de Unamuno) PDF Imprimir E-mail
Variedade
Sáb, 23 de Maio de 2009 04:04


Miguel de Unamuno foi um filósofo espanhol do século XX atormentado pela idéia de Deus. Ateu, sentia saudades do Infinito. Ofereço a você, caro(a) internauta, a tradução de um poema seu, encantador: “A oração do ateu”. Que fique a lição: há ateus que são mais crentes que os crentes... 

Ouve meus rogos Tu, Deus que não existes,
e em Teu nada recolhe estas minhas queixas;
Tu, que aos pobres homens nunca deixas
sem consolo de engano. Não resistes

ao nosso rogo, e nosso anelo viste,
quando mais Te afastas de minha mente;
mas recordo os doces conselhos somente
com que minh’alma acalentou noites tão tristes.

Quão grande és, meu Deus! Tu és tão grande,
que não és senão Idéia; é muito estreita
a realidade por muito que se expande 

para abarcar-te. Sofro eu por tua causa,
Deus não existente, pois se tu fosses realidade,
eu também existiria de verdade.

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