Para você, caro Internauta, mais um texto de São Bernardo. Só pra ver por que ele é chamado Melífluo!
Deus sabia bem que a criatura é de carne e que não é capaz senão de um amor carnal, isto é, que ela daria todo o seu desejo a um
amor salvífico da sua carne. Ele conhecia bem o coração do homem; sabia bem, por isso, que meios seriam capazes de tocar os sentimentos do homem. Desejando, portanto, reconquistar a nobre criatura do homem, Deus disse: “Se o obrigo conta a sua vontade, obterei apenas um asno e não um homem. Ele não voltará livremente nem espontaneamente, e não poderá dizer: ‘De todo o coração te oferecerei um sacrifício’ (Sl 53,8). E eu deveria dar o meu Reino a asnos? Será que Deus deverá cuidar de bois?”
“Então procurarei – continuou Deus – faze-lo retornar e mim mediante o temor. Talvez assim consiga converter-se e viver!” E Deus ameaçou o homem com os castigos mais terríveis que se possam imaginar: trevas eternas, vermes imortais e fogo inextinguível. Mas, também assim, o homem não voltou para Deus.
Então, Deus disse: “O homem não é somente um ser medroso; é também um ser ávido. Prometer-lhe-ei aquilo que ele mais deseja. Os homens anseiam por ouro e prata e coisas semelhantes; mas, mais que tudo, desejam viver. Disto não há dúvida! É claríssimo!” E Deus acrescentou: “Se os homens desejam tanto esta vida terrestre, miserável, fatigosa e precária, quanto mais desejarão a minha vida, tranqüila, eterna, bem-aventurada!” E Deus prometeu ao homem a vida eterna; prometeu aquilo que os olhos jamais viram, que os ouvidos jamais ouviram, que o coração do homem jamais sonhou. Mas Deus percebeu que também assim não conseguiu nada!
E Deus disse: “Não me resta mais que uma última coisa. O homem não tem somente medo e desejo, mas também amor! E nenhuma outra coisa é mais forte que o amor para atraí-lo!” Por este motivo, Deus veio na carne e se manifestou tão amável, com um tal amor, que maior não pode haver. E deu a sua vida por nós!