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| O bem que um cristão autêntico pode fazer... |
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| Variedade |
| Qui, 06 de Janeiro de 2011 23:25 |
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Caro Internauta, pensando nas afirmações de Sam Harris e outros da mesma espessura intelectual, que acusam a religião de gerar violência e obscurantismo, resolvi traduzir este artigo de Vittorio Messori. Recorde que a União Europeia de hoje nasceu do sonho de paz, humanismo e fraternidade de três grandes católicos, na época líderes europeus: Alcídes De Gaspari (italiano), Robert Schumann (francês) e Konrad Adenauer (alemão). Estes três políticos democrata-cristãos lançaram as bases da Europa unida, após o caos e as profundas feridas deixados pelos regimes ateus e pretensamente científicos de Hitler, Mussolini e Stalin. É comparar tais fatos com as afirmações de Sam Harris, segundo quem a religião só gera violência e intolerância...
Navegando na Rede fazem-se descobertas curiosas. Foi assim que fiquei sabendo que na Alemanha fez-se uma sondagem popular ligada a uma série de transmissões de TV, um tipo de programa americano apresentado na Europa. Aos telespectadores alemães foi colocada esta pergunta: “Na sua opinião, qual o alemão mais importante da história?” Não tomaria muito a sério este tipo de pesquisa, mas o resultado foi interessante. Os três finalistas foram, efetivamente, Martinho Lutero, Karl Max e Konrad Adenauer. No final de tudo, exatamente Adenauer, um verdadeiro católico, que tinha suas raízes no glorioso partido católico do Zentrum, capaz de enfrentar Bismark e a sua Kulturkampf. Se os seus compatriotas o indicaram como o alemão mais importante foi porque a partir de 1948, quando a Alemanha era ainda considerada uma nação marginal, o governo de Adenauer conseguiu transformá-la na locomotiva da Europa, adotando para o seu “milagre econômico” exatamente a doutrina social da Igreja, rebatizada por ele como “economia social de mercado”. Nós, católicos, devemos refletir, porque a experiência de Adenauer nos mostra quanto seja importante traduzir em ação concreta a doutrina social da Igreja. Impressiona-me ainda que aquele que venceu o desafio da TV tenha sido um católico de missa di[ária, de terço e procissão, tendo como concorrentes os mais implacáveis e históricos inimigos da Igreja católica. Recordo que Adenauer, juntamente com Alcídes De Gasperi e Robert Schuman, colocou as bases da unidade europeia. Quando se fala das raízes cristãs da Europa cita-se sempre São Bento o a arte românica, esquecendo-se exemplos muito mais próximos de nós. E a posição de quem não acha que deve reconhecer essas raízes, faz-se voltar à memória a fulminante anedota do próprio Adenauer: “Deus quis que a inteligência dos homens fosse limitadas, mas o mesmo Deus não quis colocar limite à estupidez humana!” Podemos aplicar este dito a certos burocratas da Europa de hoje. +++++
Dignidade, força e sacrifício pelo progresso da pátria
Caro Internauta, ainda sobre Konrad Adenauer, apresento um discurso do Senador Júlio Andreotti, ancião político italiano, que vivenciou de perto a época e a ação do estadista alemão. O texto foi retirado da Revista 30 Dias (cf. http://www.30giorni.it/br/articolo.asp?id=23103):
Konrad Adenauer foi exaltado pela historiografia com uma amplitude e uma intensidade que em parte repararam alguns reconhecimentos que não teve quando vivo. Portanto não gostaria de fazer uma reconstrução biográfica do estadista alemão que foi um dos pais da Europa unida, mas procurar individuar a característica essencial deste imponente personagem e dizer algo sobre o seu relacionamento com Alcídes De Gasperi. Adenauer até hoje continua sendo um símbolo de caráter firme e intransigente, sem a menor indulgência para com o estrategismo que frequentemente parece o instrumento primário da ação política. De 1917 a 1933 foi o burgomestre de Colônia e permaneceu na liderança da administração da cidade até ser expulso pelos nacional-socialistas com os quais não quisera fazer nenhum acordo. Número um na “Lista Branca” da Alemanha do exército americano de libertação, foi readmitido no seu cargo em 1945 e teve que enfrentar os problemas da reconstrução de uma grande cidade semi-destruída e com uma população reduzida de 760 mil a 32 mil pessoas. Foi uma prova para aquela que seria – depois de quatro anos de ocupação aliada – a retomada nacional; e Adenauer logo impôs a sua marca a um tipo de renascimento no qual os fatores morais eram considerados essenciais e em uma posição de reconhecida primazia. E na verdade, se as bombas tinham destruído homens e coisas, ainda mais graves eram as dilacerações espirituais que a longa ditadura hitleriana tinha causado no espírito alemão com o racismo, o ódio, a violência cega, a soberba para com todo o resto do mundo. E mais: das regiões alemãs que continuavam sob a influência russo-comunista, centenas de milhares de pessoas se refugiavam na Alemanha Ocidental, e isso aumentava desmedidamente as exigências reconstrutivas, criando deste modo, problemas muito delicados de convivência psicológica não menos árduos do que os materiais. Diante de tarefas tão amplas e desafiadoras, uma consistente parte dos democratas-cristãos era propensa à coalizão governamental com os socialistas democratas: ainda mais porque no primeiro governo federal era excluída até mesmo a existência de um ministro do Exterior e de um ministro da Defesa. Parecia o momento adequado para unir todas as forças e não assumir responsabilidade de partido diante da nação. Adenauer fez com que prevalecesse a sua convicção oposta. Pensava que o único meio para obter progressos em democracia e para se acostumar e acostumar a “raciocinar como democráticos” fosse o de ter um governo e uma oposição, um contra o outro. E se isso valia como tese geral, com maior razão impunha-se para a Alemanha, tão necessitada de ser e de mostrar-se democrática, se quisesse readquirir crédito no conjunto das nações. O resultado da atividade política de Adenauer e dos seus governos resta na história com índices que ninguém pode seriamente subestimar. A economia produtiva da República Federal chegou a tais níveis que não havia país que não a apreciasse e, em alguns casos, a temesse. Os democratas-cristãos alemães demonstraram então saber criar trabalho – realizando efetivamente a revalorização do homem como riqueza – não apenas para os próprios cidadãos, mas também para milhões de imigrantes estrangeiros, circunstância sobre a qual nem sempre nos detemos suficientemente. Foi também sensível o desenvolvimento cultural, enquanto a consciência democrática dos alemães tornou-se sólida e responsável. Adenauer sabia olhar para o futuro com uma perspicácia extraordinária. E foi neste caminho que se encontrou construtivamente com De Gasperi, o qual colaborou com eficácia em uma retomada das relações franco-alemães em uma completa inversão de tendência sobre as históricas rivalidades e inimizades. A silenciosa mediação para a região Saar, o propício nascimento do plano Schuman para a Comunidade do Carvão e do Aço, a ideia – infelizmente impedida na França – de uma Comunidade europeia de defesa, a Otan: são algumas das etapas sobre as quais as aspirações e a vontade dos dois grandes democratas cristãos do pós-guerra tiveram uma frutuosa convergência. Para não sermos inexatos, a ideia europeia de Adenauer não era totalmente coincidente com a de De Gasperi, pois o chanceler partia de uma plataforma de união franco-alemã da qual podiam fazer parte também a Itália, a Inglaterra e o Benelux. De Gasperi, ao invés, não tinha reservas a uma absoluta paridade e a uma integração supranacional comunitária. Porém, nunca foi correta a acusação de um suspirado eixo Bonn-Paris. O próprio Adenauer em um artigo publicado no Christ und Welt rejeitou esta terminologia “falsa, velha e até mesmo perigosa”, e recusou-se a considerar válida a alternativa entre o acordo franco-alemão e a entrada da Inglaterra no MCE. Também é mérito de Adenauer nunca ter feito qualquer tipo de provocação contra a Rússia e, ao contrário, ter procurado – e não raramente obtido – concretos acordos de abrandamento. E quando devia tomar posições sobre a unificação alemã fazia-o com prudência e serenidade. Muitas vezes inspirava-se em doutrinas alheias, aceitando como tese-chave para a unificação a que tinha sido exposta retoricamente por Krushov: “Cada povo deve decidir a ordem que mais lhe agrada”. Nos últimos anos da sua atividade política tinha assumido atitudes um pouco mais duras para com os americanos, dos quais, por outro lado, fora sempre aliado leal e reconhecedor (embora incômodo!). Recordo quando, durante uma campanha eleitoral, atacou o primeiro projeto americano de acordo de não proliferação. “O Plano americano”, disse, “contém uma teoria assustadora, perigosa e radicalmente errada. A nossa palavra de ordem deve ser: desarmamento, e não clube atômico dos três”. Para alguns pareceu indiscreto e exagerado. Mas é bem claro que ele, erguendo a voz propositadamente, pretendia reagir a tempo a uma virada política que podia ser fatal para a Alemanha, anulando todo o fadigoso trabalho de construção democrática que trazia, justamente, a marca de Konrad Adenauer. O temor de uma permuta entre a segurança alemã e a distensão russo-americana, com efeito, alarmava o estadista alemão, que via também o perigo de uma escorregada antidemocrática por reação, fatal especialmente para os jovens alemães; e naquele caso o mundo democrático não teria sido mais disponível em defender da URSS uma Alemanha nostalgicamente intricada. Eram temores infundados? Todavia denunciá-los ajudava a combater os círculos americanos orientados para com um descompromisso europeu. Ele também teve as oposições internas no seu partido, os contrastes hostis, a amargura de certos abandonos. Mas a história desde então faz justiça, elevando a luz de Konrad Adenauer como um farol de civilização que resgata a inumana barbárie do ditador Adolf Hitler. E para nós que militamos na Democracia Cristã foi um título de orgulho e um motivo de grande meditação.
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| Última atualização em Dom, 30 de Janeiro de 2011 22:59 |
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